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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Por que a bicha pintosa incomoda tanta gente?




Elas estão em todo o lugar. Facilmente identificadas, tem a voz feminina, estão levemente ou muito maquiadas (muitas vezes durante o dia). Usam calças extremamente coladas, coloridas e de cintura baixíssima (a calça santropê das mulheres perde feio). Às vezes se permitem até usar uma peça ou outra feminina, que vai da calça jeans até as coisas mais íntimas. Abusam de joias e adereços em geral. A ideia é ser o mais caricato possível. Sem esquecer, é claro, dos cabelos: escovados, lisos ou encaracolados, pintados ou com generosas mechas. Os cortes são os da hora, porque nada, do pé a cabeça, pode estar desconectado da atualidade.

Essa definição inicial diz respeito a muitas bichas pintosas espelhadas pelo país. Execradas até por boa parte do próprio segmento gay, elas provam, entre outras coisas, a supremacia do homem que se dá o direito de ser delicado, possuindo, assim, uma identidade própria, original. Claro que essa atitude custou a elas um preço alto: o da inferiorização frente as outras Bees, que volta e meia alardeiam que as pintosas são “bichinhas” de categoria menor. Com essa postura, há a fragmentação do movimento homossexual entre as “aceitáveis” (machudas, bonitas, malhadas e discretas) e as “inaceitáveis” (pintosas, drag queens, travestis e transexuais).

Nessa divisão, percebe-se que o que separa o joio do trigo ainda é a figura feminina. Quanto mais próximo estiver do que é ser “mulher”, mais próximo o indivíduo estará do que é ser minoria. No Brasil isso se “justifica” pela a história de segregação vividas por mulheres e gays. Fazendo essa retomada, entende-se melhor a ojeriza que alguns, até gays, nutrem por aquelas mais caricatas. É a heteronormatividade, a qual transpassou as barreiras de gênero e identidade de gênero, adentrando no universo homossexual e, sorrateiramente ficando raízes entre aqueles que, ao invés de se unir, brigam silenciosamente em ter si.

Após saber disso, percebe-se porque a postura de algumas bichas incomoda tanta gente. Elas curtem divas internacionais, até discutem entre si pela Gaga ou a Madonna. Batem cabelo na boate e se entregam a um bom funk. São fã dos shows das Drags Queens. Acompanham a moda à risca e sabem tudo o que é dessa e da próxima estação. Não sentem vergonha de expressar o que sentem em seus Tumblr, Twitter ou no Instagram. Enquanto ou outros, mesmo assumidamente gays, escondem suas emoções e preferem uma vida mais “tímida” ao invés de soltar a franga, literalmente falando. Ou pior, criam superioridades para justificar o recalque que sentem por não serem como as pintosas.

No entanto, tudo isso só se encaixará com o perfil e bicha que, mesmo sendo machuda, durinha e musculosa, acha que tem o direito de menosprezar as outras Bees por isso. Mas, há muitos homossexuais que por razões diversas preferem uma vida mais discreta, no entanto não se utilizam disso para atacar que optou por uma vida mais glamorosa. Pelo contrário, quem tem uma maior aceitação por si mesmo entende bem o outro, pois sabe que a individualidade é fundamental para se harmonizar uma boa convivência. Entretanto, parece faltar a muitas bichas essa consciência, da qual machudas e pintosas pudessem viver sem maiores conflitos.

Fonte: http://serfelizeserlivre.blogspot.com.br/2014/08

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Querido Amigo Gay.



Querido amigo gay branco de classe média,

Sei que a sua luta por respeito ainda não está completa, mas ultimamente tenho notado que os pequenos avanços conquistados tem feito você se esquecer de outros problemas que ainda precisam ser enfrentados, como a transfobia, o machismo, o racismo e a marginalização de pessoas pobres. Talvez você esteja sendo colocado em uma lógica de mercado, na qual as boates, músicas pop, sites de notícias, blogs de humor e páginas de fofoca, tem feito você reproduzir alguns valores meio chatos. Desta forma esta carta tem o intuito de fazer alguns pedidos, para que você repense algumas ideias suas.

1- Pare imediatamente de dizer "ah! não sou racista, só acho que pessoas negras não são bonitas, tenho culpa de não me sentir atraído por negros?" Você está sendo racista sim! os padrões de beleza norte americanos e eurocentristas são originados de lógicas extremamente racistas e preconceituosas. Por muito tempo a mídia e as revistas só mostravam pessoas brancas, e agora, justamente quando os negros começaram a conseguir mais representatividade você vem com uma frase desta? faça-me o favor né!

2- Pare de dizer ao seu coleguinha Bi que ele está passando por uma fase e que logo logo vai se assumir gay. Só porque você é gay não quer dizer que todo mundo seja também, a tentativa de uniformizar pessoas somente piora a nossa luta que é por DIVERSIDADE, se flexibilize pra entender que existem sexualidades não-monosexistas, e abra sua mente para essas novas opções.

3- Pare de dizer que "não gosta de afeminados", e por favor pare de chamar seu coleguinha de "passiva, vadia, biscate, bicha, louca, descarada, etc." como forma de desmerecer o adjetivo feminino. As mulheres são incríveis, e as feministas (inclusive héteros) têm ajudado muito na luta LGBT, não queremos perdê-las como parceiras de movimento. Experimente usar elogios femininos para seus amigos, como "ahazadora, maravilhosa, incrível, fantástica, etc.". As mulheres já sofrem muito com o machismo de homens hétero, parem de ser machistas também. Parem de ter medo da figura feminina, se você conhecer caras afeminados, não considere isso como algo ruim, mas sim como algo revolucionário.

4- Pare de dizer que "eca! tenho nojo de vagina". As lésbicas não ficam constantemente dizendo que tem nojo de pênis, essa necessidade de rebaixar a genitália feminina é muito machista, e ficar repetindo isso o tempo todo vai começar a oprimir as mulheres. Ninguém tem nojo de genitália nenhuma ok? somos todas e todos lindos e maravilhosos.

5- Nunca mais diga que "ser gay tudo bem, mas querer ser mulher já é demais" isso é transfobia amigo! existem pessoas trans que foram designadas como gênero masculino mas se sentem mulheres por dentro, e a libertação dessas pessoas por meio dos seus corpos se modificando ao feminino é algo revolucionário e libertador, temos que apoiar isto! as trans permaneceram no ativismo LGBT mesmo quando ele respondia somente pelo nome de "ativismo gay", nada mais justo e democrático que ajudarmos elas a levantar as suas pautas e ganhar voz. (usei as trans, mas os trans também devem ser apoiados)

6- Pare de dizer que "A Madonna está velha, a Demi Lovato está gorda, a Taylor Swift é uma rodada, etc." As mulheres vivem sendo pressionadas pra serem perfeitas, e quando você fica impondo padrões de beleza está sendo machista e mega capitalista. A Madonna está feliz, a Demi está no peso que ela deveria estar, e a Taylor Swift não deve ser julgada independente do número de caras que ela namorar ok?

7- Não repita mais que "não vou na balada tal porque só tem gente com cara de pobre" Não existe e NUNCA existiu uma "cara de pobre", não existem "coisas de pobre, hábitos de pobre, e etc.", nós não fomos feitos unicamente para consumir, muito menos para sermos submetidos à sistemas de classe. Ninguém é melhor que ninguém pelo dinheiro que possui, e a nossa militância deve ser primeiramente por liberdade e igualdade.

Por fim, a todos os membros do grupo LGBT, vamos sempre pensar no próximo, defender o direito de TODOS e a liberdade de DIVERSIDADE.

Vamos todos fazer revolução JUNTOS, se não ninguém vai fazer revolução coisa nenhuma rsrsrsrsrsrsrs brincs.
Beijas! fiquem com a Deusa 
 
(Fonte: G-20)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Maria Clara Araújo



MEU MANIFESTO PELA IGUALDADE: SOBRE SER TRAVESTI E TER SIDO APROVADA EM UMA UNIVERSIDADE FEDERAL.

Hoje, eu tive minha sobrancelha raspada por minha mãe, emocionada por eu ter sido a primeira pessoa de minha família a ser aprovada na Universidade Federal de Pernambuco. O que pra ela é uma realização pessoal de mãe que, diga-se de passagem, sempre me incentivou a estudar, para mim, uma travesti negra, é uma conquista com imenso valor simbólico.
Desde muito cedo, o âmbito educacional deixou o mais explicito possível suas dificuldades em compreender as particularidades de minha vida: aos 6 anos, desejando ser a Power Range Rosa , aos 13 usando lenços na cabeça, aos 18 implorando pelo meu nome social e, logo, o reconhecimento de minha identidade de gênero. Nenhuma foi atendida. Nenhuma foi levado a sério como algo que eu, enquanto um ser humano, preciso daquilo para me construir e ter minha subjetividade.
Se ontem a professora tirou a boneca de minha mão, hoje o Reitor diz não ter demanda para meu nome social. 

Eu existo! Nós existimos! 

As violências por conta de minha identidade sempre trouxeram retaliações em salas, corredores e banheiros durante toda minha permanência na escola. Lembro-me de, inúmeras vezes, minhas amigas entrando em rodas feitas por rapazes para me bater e tentarem me salvar. ‘’Para com isso! Deixa ela!’’
Não era só comigo, mas fui a única que aguentei. Vi, de pouco em pouco, outras possíveis travestis e transexuais desaparecendo daquele ambiente, porque ele nunca simbolizou um espaço de acolhimento, educação e aprendizagem. Mas sim de opressão, dor e rejeição.
Uma vez encontrei na rua com uma das que estudou comigo. Eu voltava do curso, ela ia se prostituir. ‘’Mulher, o que tu ainda faz em lugares desse?’’, ela me perguntou. Indignada, aliás. Ela me questionava com a testa franzida porque eu insistia em permanecer em um lugar que, cada vez mais, desmarcava que eu não era bem-vinda. Quando fui?
Os banheiros femininos estão com as portas fechadas, o nome nas cadernetas não pode ser alterado e os olhares de escárnio estão por todas as partes. De corredor à sala, de banheiro à secretaria.
‘’O que ela faz aqui?’’, se perguntam diariamente ao me ver andando na luz do dia. Afinal, eu, enquanto travesti, devo ser uma figura noturna. Assim, sedimentando a posição que a sociedade me atribuiu: de sub-humana. E quando falo isso, meus queridos, estou sendo o mais honesta que posso.
Olhe ao seu redor! Quantas travestis e mulheres trans você se depara no seu dia a dia? Quantas estão na sua sala de aula? Quantas te atendem no supermercado? Quantas são suas médicas?
Espere até as 23hrs. Procure a avenida mais próxima. As encontrará. Porque lá, embaixo do poste clareando a rua escura, é onde nós fomos condicionadas a estar por uma sociedade internalizadamente transfóbica.
Quando vi minha aprovação, foi uma alegria por eu ter tido uma conquista, mas para além disso, eu tive a consciência de forma imediata, que dentro de minhas perspectivas de vida, ver uma pessoa como eu em um espaço acadêmico é algo utópico. Até quando será? Até quando minhas irmãs irão ter que ser submetidas a essas condições de vida?
Sem moradia, sem estudo, sem trabalho. Se prostituindo por 20 reais.
Onde está a dignidade?
Não somos iguais. Eu, travesti, não sou igual a você. Eu, travesti, além de ter batalhado por minha entrada, a partir de agora irei batalhar por minha permanência.
Optei por Pedagogia com a esperança de poder ser um diferencial. De finalmente pautar a busca por uma educação que nos liberta e não mais nos acorrente.
A escolha é apenas uma: lutar ou lutar. E eu, Maria Clara Araújo, escolhi ser um símbolo de força.
A revolução será travesti!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

6 lições para entender que você não precisa ser rico para viajar.




O que você precisa é fazer alguns ajustes nos seus hábitos de vida e entender algumas coisas…


Uma amiga chegou esses dias com uma ótima notícia: ela e o marido irão passar 7 meses na Alemanha, sendo que essa é a primeira vez que ela faz uma viagem internacional. Por ser uma professora do pré primário, o marido um estudante de doutorado e por terem comprado um apartamento em São Paulo há menos de um ano, muitos se espantam quando ela conta essa novidade. Afinal, como ela conseguiu dinheiro para viajar?
Na verdade essa notícia não me surpreendeu. A Luíza sempre foi organizada com seu dinheiro e muitas vezes atuou como minha consultora de economias. Para mim, ela é só mais uma prova de que você não precisa ser rico para viajar. Você precisa ter algum dinheiro, claro. Mas principalmente fazer alguns ajustes nos seus hábitos de vida e entender algumas coisas. Vou explicar melhor:



1. Viajar não precisa ser luxuoso. Muita gente ainda tem aquela concepção de que viajar é ficar num super hotel na Europa ou Nova York, pegar um voo na melhor companhia aérea, comprar um pacote que inclui todos os passeios dos guias de viagem e jantar nos melhores restaurantes da cidade. Esquece isso. Quem tem pouco dinheiro pra fazer uma viagem, passa um tempão pesquisando na internet os voos e hotéis mais baratos, não se limita a países onde se gasta em dólar ou euro e sabe que os melhores momentos da viagem não são aqueles comprados no pacotão, mas os que acontecem de surpresa.


2. Economizar significa mudar o seu estilo de vida. Sabe aquele happy hour que você faz toda semana? E quanto você gasta com o seu carro? A diarista que você paga? É necessário ir ao salão de beleza com tanta frequência? Economizar é rever os seus gastos e dispensar o que é dispensável. Não se esqueça do que dizem por aí: “Viajar é a única coisa que você compra que te deixa mais rico”.


3. Viajar é prioridade. Quem quer viajar de verdade mas não tem muito dinheiro, sabe que com um iPhone 6 dá pra comprar uma passagem internacional pra qualquer lugar do mundo.Você prefere ter o celular ou viajar? São escolhas que precisam ser definidas quando não dá pra ter os dois. E quando viajar é definido como prioridade, é fácil dispensar até as coisas mais baratas. Meu namorado me perguntou por quê não faço um upgrade no meu plano de TV a cabo por “apenas R$30 a mais por mês”. A resposta é simples: porque eu não preciso. Isso não é prioridade.



4. Quem quer viajar, se vira pra economizar e ter dinheiro. Começa a ir pro trabalho de ônibus, faz as unhas em casa e até trabalha mais pra ter um dinheiro extra. Eu vivo fazendo uns trabalhos de traduções além do meu emprego regular. E a minha amiga passou um tempão dobrando os horários dela na escola para aumentar seu salário. E isso não tem nada a ver com ser pão duro (talvez um pouco). Eu prefiro chamar de “buscar a realização de um sonho”.


5. Se organizar para viajar. Houve uma época em que eu não tinha coragem de olhar a fatura do meu cartão. Até que percebi que, se quisesse ter dinheiro para viajar, precisaria controlar o que estava gastando e me organizar. Então comecei a fazer planilhas, checar meu extrato bancário com frequência, baixei aplicativos de controle de gastos e defini exatamente o quanto eu tenho que guardar mensalmente.

E o que você precisa entender para não desanimar é que…



6. Ter dinheiro para viajar não acontece da noite pro dia. Tem que trabalhar muito, economizar muito, talvez até trocar de emprego para ter uma promoção, se organizar e ter foco. É por isso que muita gente desiste de viajar no meio do caminho e acaba comprando o iPhone parcelado em dez vezes (só se esquecem que viajar deixa as pessoas mais felizes do que bens materiais…).
Não vou negar que é mais fácil ficar em casa reclamando da economia do país, do seu chefe que não te dá aumento, que o dólar está caro e que viajar é coisa pra gente rica. Mas adivinha? Nada disso vai te ajudar a fazer a viagem que você deseja. E querer viajar é importante, mas se você não se organizar pra fazer acontecer, nunca vai entender porque uma viagem é mais valiosa do que tudo o que você economizou até hoje.

Por Amanda Noventa.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Animal Instinct


E de repente algo aconteceu comigo enquanto eu estava tomando minha xícara de chá. Do nada eu estava me sentindo deprimido. Eu estava completamente e totalmente estressado. E você sabe que você me fez chorar? Você sabe que você me fez morrer?
Mas tudo bem, a vida tem disso. Altos e baixos que constroem nossos castelos internos, concretizam nossos muros contra o universo lá fora, pois aqui dentro só vejo calmaria. Ouve a tempestade? Apenas ouça, ela está sobre nós, o tempo todo, mas aqui, no meu refúgio, só garoa e esfria, veja os cabelos d'água que esvoaçam na vidraça, uma dança de sensações. Aqui podemos ouvir uns trovões, mas não tenha medo, posso te mostrar do que você é capaz, mesmo quando você se esqueça, posso te contar do que o mundo é capaz, mesmo que você estremeça. Mas tudo bem, a vida tem disso.
E o que me incomoda, é que você nunca realmente vê o que eu falo, o que eu demonstro ou o que passa por teus olhos. E o que me assusta é que eu sempre estarei em dúvida, sobre você, sobre suas ideias, seus ideais, sobre o que você quer ser. É algo amável o que nós temos, um sonho comum, meio difuso, meio confuso, mas divertido afinal de contas. É algo amável o que nós temos, sim o é. É algo amável, o teu instinto animal de autopreservação.
Então pegue minhas mãos e venha comigo nós iremos mudar a realidade. Venha! Pegue minhas mãos e nós iremos rezar, para dar à crença o nossos votos, para dar à sorte nossos desencontros. Mas se você ainda tiver medo e não acreditar nas possibilidades, eles não irão te levar embora, porém eles nunca me farão chorar, não. Enquanto você me faz sofrer por egoísmo juvenil eles nunca me farão morrer.
E o que me incomoda, e sempre irá acontecer, é que você nunca realmente vê como você pode ser tão mais feliz se for mais humano, mais simples e trabalhador. E o que me assusta é que eu sempre estarei em dúvida se eu sou apenas um cara que você conheceu, não lembrará do meu nome tão facilmente, não lembrará das nossas conversas em noites intermináveis, nem dará conta dos conselhos em dias difíceis quando te falei olhando em profundo grau "estarei aqui, enquanto você quiser".
É o instinto animal em mim, proteger; guiar as pessoas que gosto para o melhor de cada uma. Ser um agente modificador, trocar teus sonhos mágicos por algumas certezas. Somos animais diferentes de uma mesma espécie, só não jogue fora os melhores momentos da tua vida pelo o que os outros falam, quando é a vez deles eles também não os jogam fora. Os melhores momentos devem ser guardados para sempre, ou correm o risco de serem apagados pelo dia, pela noite, pelo desdém, e às vezes são esses raros momentos que nos dão inspiração para criar, nos dão forças para seguir em frente, para voltar mais um vez, são esses momentos tão infinitos de pequenos que nos movem. Ninguém deveria julgar um conselho, um aviso, uma falha, uma saudade, ou melhor: ninguém deveria julgar coisas do coração, porque das cicatrizes só nós sabemos. 
Talvez cada emoção vivida seja assim, com vida própria. E como um animal, ela sonha em ser livre.

  

domingo, 18 de maio de 2014

O problema do gay.


"O Problema do gay" - começava minha mãe, "é a necessidade que ele tem de ser aplaudido". Estávamos no nosso natal-de-nós-duas do ano passado e conversávamos sobre tolerância. Bom, essa é a minha versão - na de minha mãe, conversávamos sobre essa história de "gay querer demais".

Este artigo é dedicado pra quem diz aceitar e respeitar homossexualidade e ainda se contorce ao enxergar um beijo gay; pra quem liga pra perguntar "mas é mesmo necessário fazer propaganda do relacionamento homossexual no Facebook?"; pro famoso e absurdo "não tenho problema com gay, mas precisa beijar na rua?!"; pros que insistem em se referir a namorados e namoradas de casais homossexuais como "amigo" ou "amiga". E também pro pessoal gay que senta e assiste isso tudo sem dizer nada, permitindo e alimentando tal significante limitação social. Isso é o pouco do que tenho a dizer sobre essa coisa de "eu aceito, mas agora esconde".

Tenho certeza que a maioria dos gays tem histórias pra contar quando o assunto é aceitação. Digo, como brincadeira, que não saí do armário - mas chutei a porta e saí dançando (ao som de Cássia Eller e Ana Carolina). Depois que o choque passou, a família foi, pouco a pouco, me presenteando com discursos de "eu aceito" - suas atitudes, porém, expressavam o oposto. A irmã de meu pai, por exemplo, me escreveu logo depois que tornei público meu relacionamento em mídia social. Com o título "ridículo", a mensagem começava com "eu aceito e não tenho o menor preconceito" e terminava no "por favor, tire isso da internet". A imagem de perfil da tia era ela e o marido, os dois sorridentes. A foto do casal continuava a aparecer na minha lista de mensagens: "você está me peitando", ela brigava. E só piorou: me atribuiu tantos adjetivos - patética, destruidora de família, rebelde - só não chamou de bonita. O importante da história foi a ironia de cada uma de suas mensagens começar com uma versão ou outra de "eu lhe aceito, mas..."

Essa ignorância semântica é um absurdo que só dá problema. As pessoas falam, com frequência, "eu aceito" quando o que querem dizer é "eu (quase) tolero". Ser tolerante significa aturar algo de que você não gosta muito da idéia, algo com que você não concorda ou que você associa com uns sentimentos negativos. O gay não quer demais - só pede pra ser aceito. Dizer "eu aceito e só quero que seja feliz" seguido de um "por que você precisa fazer propaganda da relação homossexual?" não é aceitação. Fugir para não falar sobre o namorado do seu filho pra vizinha não é aceitação. Apresentar a namorada da sua sobrinha como amiga não é aceitação. Aceitação é não ver nada de errado ali. Aceitar é ter como verdade, como normal, como apropriado; é compreender e até mesmo receber de braços abertos. Confundir essas duas palavras, além de ignorante, estraçalha com a paz da gente.

A verdade é que sempre há um processo - e não é fácil pra ninguém. Resolvi trazer a família inteira e parafrasear minha prima, quem uma vez escreveu: "o clichê [diz] que 'a geração dos nossos pais não se preparou para isso'. Mas a verdade é que não nascemos preparados para nada". É compreensível (e maravilhosamente consciente) dizer "eu tolero; ainda não aceito, mas me dê mais tempo - estou me esforçando".

"Eu poderia te responder com o clichê de que "a geração dos nossos pais não se preparou para isso". Mas a verdade é que não nascemos preparados para nada. Nobody does. Ao longo da vida aprendemos com as experiências acumuladas na "rua", somadas à educação que recebemos em casa. Por educação quero dizer: noção de família, limites, respeito, espaço, e de como compartilhar e vivenciar o amor. Não estamos preparados, nos preparamos diariamente. "Como nossos pais", cantaria Elis Regina."
"...se há preconceito no mundo - e isso é uma neurose dos pais quando os filhos saem do armário - o pior preconceito está dentro de casa. Continuo batendo na tecla de que quem [coloca à margem] o filho(a) gay - são os próprios pais." - Thatiana Rei

Não é justo esperar imediata aceitação de ninguém. Pais criam expectativas, além de terem suas opiniões e conceitos formados - quebrar isso tudo numa frase só pode machucar. Não só há sempre um processo, mas um processo, talvez, bem difícil - e ter a ciência de onde estamos é fundamentalmente importante pra conseguir mover na direção certa e chegar a algum lugar.

Se você tem um filho - ou uma filha - e parou de perguntar sobre seus planos de casamento ou filhos uma vez que descobriu sobre sua homossexualidade; se ouvir perguntas como "e sua filha, querida, está namorando?" lhe causam extremo desconforto por não querer revelar que sua menina namora meninas; se você apresenta o namorado ou namorada gay como amigo, se é contra qualquer exposição gay em mídia social, se prega que orientação sexual é para ser guardada a sete chaves, esse texto é pra você: Não, você não aceita a homossexualidade ainda. Mas não tem problema; estamos todos juntos - no fundo mesmo, tudo que a gente quer é entender e se sentir compreendido, aceitar e ser aceito. Vamos ser bregas, falar baboseiras de amor, prometer respeito e dar as mãos ao decorrer do processo. Eu vou tentar o máximo compreender suas limitações; podemos começar com você perguntando se eu e minha namorada pretendemos ter filhos. Sim! - lhe respondo. E continuo: o que você acha do nome Graça pra nossa primeira menina?



Por: Nathalie Vassallo

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cansei de Ser Sexy



    Aprendi que a vida deve ser entoada como uma canção de ninar. Simples, breve, com sustenidos e autênticos guturais. Bem assim é a hora do grande final. Não me leve a mal, mas eu cansei, então: Que se foda tudo! 
    As diretrizes dos resultados sobre os porquês que me clausuram o peito é sempre a mesma correlação, mesmo impacto e força motriz. Se eu sou tão bom quanto todos dizem que sou, então porquê estou sozinho? É muito bom elogiar por achar gratificante, mas torna-se vazio se não perpetuar uma ação de firmação. Dizer que alguém é bonito e depois citar salteados defeitos é meio que contradicto e infantil.
    Se foda! Não invisto em mais nada e ninguém além de mim. Espelho serei ao teu processo de sustento amistoso e ambíguo, sua projeção não será mais concretizada, não por mim. É tempo de narcisos no jardim das ostentação, o ego vai inflamar como numa explosão digna de parapeitos flamejantes, estilhaços vorazes e barulho ensurdecedor. 
    Vai doer, vai sangrar, mas será assim. Filas e filas de puro desdém, até sem merecer, só por prática nunca usada por esmero do comum. Fodam-se! Corra atrás com todo fôlego possível, rasteje por quem gostas mesmo sendo desnecessário, salpique coragem nos atos de validade, seja brusco nos movimentos de alusão. Faça acontecer, faça merecer! Se você é colocado no patamar de culto intrigante, faça por merecer, não duvide da prática abusiva de si, observe se vai magoar, caso não, continue. Se você não for o que ele quer, você será de alguém. Respeite e deixe chover.
     Para as decepções um FODA-SE bem grande. Vamos continuar a nadar, deixando para trás tudo que nos faz mal, querendo sempre colher os bons e tradicionais frutos que plantamos com esperança. Não precisamos nos provar para ninguém, nos mostrar capazes de ser ou ter algumas coisa. Se você acha que me merece, demonstre, seja fiel aos seus ideais e verdadeiro nas palavras, não adianta pomposidade, pois hoje nada, NADA, me impressiona. É mero perder tempo se vier com joguetes clássicos de outros planetas, conheço todos os tipos de tripulações e, desde Apollo 13, meu planeta tornou-se hostil.
     Tenha calma, respire fundo. Mantenha foco, fé e força naquilo que você é, no que você quer. Companheiro, colega, amigo, ficante, namorado, noivo, marido e amante são substantivos simples, eles derivam apenas de você, é você que adjetiva-os com o que quiser, desgrace-os, congratule-os, esses adjuntos advitais são meros percentuais de vida, sua vida. Não vincule alguém ao teu crescer. Pessoas são para os conjuntos básicos da matemática. Somam as vidas, costumes, valores, problemas, experiencias... subtraem as dores, as contas, os passados e tribulações, multiplicam a felicidade, as aventuras, as histórias infinitas, os amores... Dividem tudo, um corpo, uma mente, uma escova de dentes... eles se fundem em um só. Isso é relacionamento, agregados de valores que se moldam e entrelaçam no cotidiano.
     
Se não for assim, passar bem. Apenas respeite.




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sem Poeira


     O tempo passa, a gente se diverte, cresce, esquece, adormece, acorda e vive. O dia acelera os passos que tocam o solo, ilumina o caminho almejado, brisa a vida, vento canta, alegria, sim alegria. De tempos em tempos assombro meu ego em advérbio de tempo, brinco com as palavras de forma meio assim, meio lá, inteiro faço por fazer, assim meio sem querer. Sentido? Não busco sentido, talvez rima, uma prosa, gargalhadas bem gostosas, como num canto no chuveiro, um belisco faceiro em que se gosta.
     Ler não é hobby, é pura paixão. Me traem, me amam, me odeiam, mas estão ali. Cada exemplar um universo diferente, pessoas que nunca conheci, personagens que são tão Eu. Auto-ajuda, ficção, crônica, receitas... Conjunto de palavras que lançam ideia, descrevem, vivem em minha mente. Contadas em páginas, capítulos, tomos, livros. Tantos livros.
     Abro uma sessão para não fechar o coração. Cada postagem uma indicação, um comentário, uma pesquisa. Sim, sobre livros. Não de estudos, não quero teorias, quero vivência. Sem preconceitos sobre autores, mas espero algo mais original, de praxe prefiro os clássicos, de novo a surpresa. Quem sabe assim possamos trocar mais que simples palavras, mas um conjunto delas? Não empreste livros, doe-lhes. Livros não são colecionáveis, são memoráveis! Se não está lendo um alguém poderia estar. Pense nisso.
     

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Melhor Morrer Sob As Cobertas Só Que Viver Sem Ter-Te Descoberto.


     Preciso te contar o que vai nos acontecer de hoje em diante, e até o fim. Assim será, ouça. Vamos acordar e a cidade estará devastada, escombros dessa guerra maldita, não haverá água, nem pão. Estaremos destinados ao devastamento, primeiro do corpo, sucumbindo às faltas de tudo o que nos alimenta. Em seguida virá o desmantelo da alma, quando nossos pensamentos começam a sabotar o que temos de melhor e nos presenteia com dúvidas, que não cicatrizam, dúvidas não cicatrizam, nunca. Já com o corpo e a alma em decomposição, nos olharemos sem nada do que temos hoje. Espelhos vazios, colocados frente a frente. E a este dia, o reconheceremos facilmente, estaremos loucos, completamente loucos. Nos restará uma única chance. Isso que temos aqui, olhe, não olhe, não acorde, não se mexa, ouça apenas. Isso que temos aqui. Sei que gostas de dormir mais um pouco, de água com bastante gelo, de deixar a tv em qualquer canal enquanto pensa em outra coisa, em olhar escondido as mensagens que recebo no celular, em falar com sua mãe e seu pai por horas, da comida que faço, do banho muito quente e demorado, de viagens longas, estradas longas, pois também gostas da música que toca enquanto silenciamos fingindo contemplar a paisagem mas estamos simplesmente fazendo planos para o futuro, o nosso futuro, sei que queres adotar um filho, que tenha a minha tranquilidade e a sua vontade, que ele cresça saudável, que seja independente, que conheça Berlim assim que puder, que morar no campo é uma opção, mas não para essa vida, damos risadas disso o tempo inteiro, tu e os teus refúgios no campo. Mas entendo o signo. Sei que teu desejo é sair e buscar um outro refúgio. Que pensas na nossa segurança, na nossa vida e penso também, mas não quero mover-me se for um perigo. Melhor morrer sob as cobertas do que viver sem ter-te descoberto por completo. Te amo, como te amo, estarei aqui, estou aqui, sempre estive, obrigado, obrigado, te amo. Sei que teu desejo é sair e buscar um outro refúgio, amor. Pois ouça, quero que saibas que vou ser o teu refúgio por quanto tempo essa guerra maldita lá fora continuar, mesmo que não tenhamos água, nem pão. Nosso corpo pode até desistir, mas a minha alma cuidará para que a tua alma esteja sempre assim, serena, descansada, em paz.

In My Hand


     Não sei pintar quadros, não sou bom em falar publicamente, não sei dar nem estrelinha, fazer poemas ou poesias, não sou músico, nem autor musical, de teatro resta-me apenas a platéia, da película o assistir, da arte apenas as letras. Quantas letras.
     Dos sentidos projeto apenas o figurado e com detalhes lapido o surreal até ficar irreal, moldo com peculiaridades e crio um cena, cenário motor, retrofágico imaginário, logo encapsulo todo o sistema que se sucede e de pronto torna-se uma estória, de tantos contos que história se per faz. 
    Isso é o que tenho a oferecer: um traço, rabisco, esboço. Tenho em mãos aquilo que tenho em mente, espaço aberto e infinito, um complexo diverso e desperto, algo que regularmente atribuo como qualidade, metáfora da forma que vivo, uma fuga sagaz, um refúgio voraz. Meu universo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Respostas


     E quando ouso esquecer já lembrei. São tantas lembranças boas e ruins que fico em um mix de contraditório desenvolver, em aplicação difusa entre felicidade e raiva. De todos os aspectos o da saudade é o melhor, pois me vejo em um comportamento super estabelecido em pura aceitação do real mundo e com toda a fragilidade da possibilidade remota do transformar em ruínas. Saudades de um tempo que vivi com outras pessoas, outras vontades e hoje tudo mudou, como se a cada dia fosse uma construção contínua de capítulos totalmente novos nessa história. A minha história.
    Catalogado está todos esses momentos. Isso mesmo, muito embora meu bloqueio sobre coisas decepcionantes ainda atue, outras poucas circulam livres em seus compartimentos memoriais, o que não saluta em desdém. Cada carta é lida com a mesma alegria de outrora, cada detalhe, linha, curva, cheiro, imagem... Tudo é guardado sob mil chaves e baús, escrevo-me sempre que possível só para não esquecer a arte de encantar.
     Uma dessas eu escrevi em respostas ao que leio por email, pois é, incrivelmente recebo email sobre este caderno virtual. Muito me felicita em saber que outros loucos o leem. Loucos, ou curiosos ou buscadores de imagens, não importa muito. Já que pelo menos a música sentimental você escuta, algo de mim você leva consigo, e já é um começo. Teórico por natureza, sou virginiano completo, com todo o esteriótipo "exagerado" que se possa ter, somado com um ascendente duvido que é gêmeos, isso resulta é olhar dissimulado.
     Misterioso é o comportamento daquele que apenas observa e daí pode-se extrair, em supra-sumo ao ápice da (ir)racionalidade, uma resposta não muito simples e não muito complexa. Agridoce é o sabor de sua atitude, não é doce e não é ácido, amargo, estranho, não é de fato ruim, mas não é tão bom, ou seria ótimo por não ser comum ao paladar? Poderá até buscar um nexo causal ou fator preponderante, mas tudo não passará de subterfúgio de própria vontade para dar razão as circunstâncias outras que povoam a minha mente.
     Não dou pontos sem nós. Não faço/digo nada que não pensei em outros finais, vivo em constante predeterminação do futuro, como um vidente que conhece as variadas e subsequentes consequências de suas ações ou omissões. E apenas por isso é que seja tão previsível ser eu. Indiferente feição aos milhares de pensamentos que percorrem o que vejo, sinto e ponho em teste. Mas nada que exorbitante em respostas, pois tenho que ser o mais prático e sensato com tudo e todos, e com esse "todos" é que sou uma incógnita de vontades e finalidades em reflexo ao que elas apresentam por verdade.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ginger


     Brevemente o fim chegará, não sei ao certo se de fato será o fim de tudo ou apenas reciclagem anual. Não importando um ou outro, meu testemunho sobre 2012 é deveras necessário. Isto mesmo, para mim já não há o que se esperar em meros 31 dias de natalização, de harmônicos momentos e confraternizações. 
     Deve-se proceder de uma forma cínica as ações do destino. Por outro lado, a curiosidade humana tenta, mesmo que irracionalmente, dar sentindo aos oriundos mistérios perspicazes da vida. Não há nexo, razão ou  explicação para o propósito do significado. Vai ver deve ser assim, sem perguntas extraordinárias ou comentários tardios, a vida deve ser o que plantamos e colhemos e isso você me ensinou muito bem.
     A única pessoa que ousou me contrariar, fez-se dúvida em meios e meias verdades, usou de artimanha iconoclasta e pseudomirma todo o polêmico jardim de indagações que outrora fora deserto. Sim, esta fora você. Já potencialmente diferente só por não ser loira, tampouco morena, aquela que amaldiçoou a própria vida no momento que agarrou esta amizade, este amor único e ridiculamente infantil, tão íntegro em circunstancias que parece uma coisa nunca antes vista, ou melhor, nunca haverá outra vida como essa nossa. Me mostras meu mundo sem mim, me demonstra possibilidades que eu já nem quero ouvir, peço mais cinco minutos e você vem com o agora ou nunca. 
     Você é apenas uma extensão imaginária da minha vontade, minha parte imaculadamente boa, esperançosa em objetivos e desprezivelmente amável parte que não há em mim. Vulgar é teu físico aos olhos dos normais, já que não segue o padrão que nos é jogado como molde a ser seguido. E quem disse que queremos segui-lo? Até o teu abrir boca é diferente aos conterrâneos palavreados dispersos e por vezes fugazes. E disso eu sorrio com todo esmero.
     Queria que você entendesse que naquele dia nada importava, mesmo você tendo como um marco importante, mas... mas eu já não acredito nessas coisas e sabe por quê? Você me ensinou que temos que queimar toda a nossa essência vital durante todo o dia, do alvorecer até o crepúsculo e dia após dia nunca desistir. Ouço sua voz discutir com a minha consciência e todos os meus Eu's quando penso em fazer algo, muitas vezes você ganha deles só pelo simples fato de você existir e, talvez seja por isso, que eu apareço e desapareço de cena, para que eu não estrague isso que existe entre nós. Acho que isso é Só Para Raros. 
     Ainda não foi dessa vez que tudo fora tão perfeito quanto o paradigmado sonho de um perfeito dia de verão, mas pelo menos a angústia da solidão não te atacou, e se ela apareceu eu não percebi, ou simplesmente não quis ver por sempre orar pela tua felicidade. Acredito que vou ter que mandar ninjas acabarem com a saudade que te assola mais que nunca, e enquanto você não se sentir em casa, vou continuar a olhar com ternura o teu belo sorriso, mais não te empolgues tão facilmente, pois terei o mesmo cinismo e cara de poucos amigos enquanto estivermos em um dia comum. 
      Mesmo que o mundo acabe, você deve saber que tivemos a sorte de nos conhecer, conhecer um ao outro profundamente ao ponto de sorrir com as mais diversas situações no qual nos colocamos, acho que você também dançará comigo no frio da noite caso o mundo acabe. E se ele realmente acabar, você promete criar outro como criou este?
     Promete criar outro mundo de possibilidades e com o mesmo sorriso?
     Promete?

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Lana Del Rey



     É incontestável a premiação súbita de melhor álbum para a estreante Elizabeth Woolridge Gran, conhecida no mundo artístico como a incrível Lana Del Rey. Veio até mim em meados de Janeiro, mas apenas condensou no meu paladar sonoro através do tempo, bem como firmou presença no mundo Indie, e por muita sorte não empacou com Video Games na novela das oito. Iam estragar a jovem Lana como fizeram com Adele, que até versão tecnobrega já tem.
     Já que lançaram a versão Deluxe Mega Power de seu álbum, resolvi mostrar o quanto ela me atingiu. The Paradise Edition é de fato o maior sucesso do ano no meu player, com quinze dias de lançar no mercado já tinha adquirido no iTunes, e as músicas que eu já tinha do inicial disco Born To Die foram somadas, mescladas ao inimaginável universo do seguimento lírico de suas canções.
     A melodia me chamou atenção por lembrar Don't Cry For Me Argentina, mas depois se fez atual. A voz marcante que arrancou arrepio do meu corpo roubou minha atenção pela letra mais que gritante, do que eu passava naquele momento. Eu tinha plena certeza que não fora coincidência, pois eu sempre soube que aquilo ia acontecer, era a única certeza que Nasci Para Morrer. Agarrado por uma leve esperança, aquele sopro de sentimento era alimentado com ilusões semanais, degradando assim tudo que um dia habitou meu ser. Apenas rezava para que o que era verdade dentro de mim fosse demonstrado por ti, entretanto infantilmente você matou, usando uma lupa de falsas promessas, a formigável amizade, o que eu mais te pedi para não fazer. Lana me mostrou que a estrada pode ser longa e que devemos nos divertir, daí entendi que tudo nasce para morrer e que o amor pode não ser suficiente; de forma inteligente devemos aproveitar todos os momentos, como um carpe diem rezado em coro para que tudo dê certo e que no fim do dia possamos respirar fundo e adormecer. 
     Ri quando percebi que isso não importava, já que o infantil era tido como perseverante e isso não me atraia, já era condenado ao fracasso desde sempre. Eu te falei outrora. Soube que deveria procurar algo que me confortasse, algo que fosse compatível e, apenas por isso, fiquei Fora Das Corridas. Não importava meu passado fracassado ou meu brilhante presente, apenas tinha em braços as melhores histórias  e brilhantes objetos de consumo, queimava meus quadris em fricção ao desejo e minha boca sempre aberta esperando um beijo teu. Era louco, eu sei, desculpa por tudo, mas não poderia ficar nisso por muito tempo. Você era confiança em pessoa, eu não tinha medo de nada, eu desejava-te, e amedrontado ia em tua busca e sempre fui recebido de braços abertos para mais uma noite de estrelas ou ensolarados dias em felicidade. Acredito que te amei mais um pouco que a mim naquele tempo. Não tinha medo. Não tinha.
     Algo tinha que dar errado, eu sabia. Mas não partiu de mim, fui inocente. Você não sabe o efeito que tem sobre mim. Me cobriu melhor que qualquer cobertor, me usava depois de agitar, passeava por todos os lugares, principalmente aqueles no qual eu criava. Mesmo assim não foi suficiente. Não era dinheiro, não era amor, era algo maior que nós dois. Doeu. Você procurava em outras pessoas aquilo que você nunca encontrou em si, suprindo assim, por meros momentos, uma sede que nunca existiu maior. Mas eu estava lá, sabia que ia continuar morrendo por dentro vendo você sair pela calada da noite, rasgando outro corpo com o teu desejo e tocando outra pele que não era a minha, você lembra disso? Lembra que você saia com aquele Jeans Azul e camisa xadrez em procura de satisfazer-se? 
    Pois é, eu ainda lembro.


     E como eu gostava muito, afundei sozinho nessa. Porém, não me atrevo ao arrependimento, não mesmo, já que não tenho perspectivas em cima de ninguém, tanto numa segunda quanto em um sábado, o corpo é comandado pelo cérebro e neste não há ressentimentos tampouco frustrações. Mais uma história chegou ao fim, tudo nasce para morrer e aqui eu aproveitei o máximo que pude. Passou-se o tempo, houve dias tristes e alegres, aconteceram mil coisas e passaram muitas pessoas por mim, não me atentei aos nomes, aos lugares, a nada. Tudo era muito latente, desde o teu cheiro que emanava tipo brasas em meus travesseiros, até o mesmo lugar no cinema, poltrona 15 e 16 da fila E. Acredito que esse mundo é feito para dois, bem como o meu Video-Game que jogávamos por horas em busca de tesouros e matando monstros. Player 1 e Player 2. E essa abstinência roubou cena por muito tempo dentro do meu peito, sempre imaginando que ninguém poderia ser melhor que você, pois você era minha cara metade, mesmo me beijando na escuridão jardineira, dirigindo por ruelas que abrigavam o perigo, comprando coisas que já tínhamos aos montes. Agora eu sei que tinha que ser você, era tudo você, eu não te disse? Seria difícil de acreditar quando chegasse ao fim, queria fechar os olhos ali e ao abrir ouvir "o que você quer fazer agora?"

     Lembro do susto que eu tomei e a euforia que entrelaçou minha curiosidade ao receber uma ligação tua depois de tanto tempo, tanto tempo sem nenhum tipo de comunicação. E tentando parecer normal conversamos por poucos infinitos minutos e ali eu soube que não era bom para mim. Você acha que poderia ficar apaixonado para sempre? Leviano e infantil. Por mais que outrora te quisesse, ainda assim eu sabia que não era o melhor para mim. Por isso não marquei nenhum encontro, nunca esbarrei sem querer para uma casual conversa, simples matei aquilo que havia de pior. Não queria carimbado em mim o teu selo Diet Mountain Dew , selo de escape,  de possível passa-tempo como você sempre faz, não é saudável para ninguém, por mais consolador que seja para um ou outro. Segui o conselho de alguém próximo ao outro lado e apenas me afastei do que me fazia mal, do que consumia um sorriso meu.
   E o destino se fez presente com seus pseudópodes sociais, acatou uma ordem maior e me introduziu ao mundo que tanto evitei. E em provação e análise combinei os momentos mais intrigantes das ultimas décadas, um misto de medo e receio com alegria e impulsividade. Encontrei pessoas passadas, conheci almas novas e fui convidado a participar de inexplorados mundos. Tudo com seu melhor instinto natural de vivência. Isso me deixou a par do monetário mundo do social, é trabalho e gasto dinamicamente falando, o que quer dizer que o dinheiro é a razão ao qual nós existimos, isso é um fato. Sempre procurando se sobrepor e ser o melhor, me vi como nos nos 2005-2007, onde tudo era aparência e eu tinha que provar que era o melhor, mas não sabia como, já nessa época, esses últimos meses eu sabia que era o melhor, mas não sabia como. Em acolhedor prelúdio da vida, acompanhei o crepúsculo ao som do Hino Nacional que sussurrou em meus ouvidos, dando cores diversas a minha nova vida. Não supérflua, mas a característica demasiado misteriosa.



     


domingo, 4 de novembro de 2012

Clever


     E demonstrando importar-se, eles perguntam teu nome. Como se algo fosse mudar dando às ideias donos e vontades, construindo uma forma de aparentar uma contemplação de perfil semântico. Vivem tão dispersos olhando para os lados que esquecem do próprio passo, andantes desavisados que custeiam o paladar com coisas poucas. Sim, você sabe apenas o meu nome, conhece algumas pessoas próximas e, quem sabe, soube de algum ou outro feito meu. Você não me conhece.
     Ter o íntimo como chacota é de longe perturbador, por continuar indiferente aos princípios reais da motivação secundária. Dar valor ao que de fato é permitido, isso sim é de perto aconselhável. Não acredito em invasões de propriedades intelectuais, já que tudo é posto de forma pública, muito embora considere má educação não limpar os pés antes de entrar, abrigar-se em meu domínio, conhecer minhas formas e por fim sair derrubando as coisas. E sem no mínimo dar um "até breve", não espero próximo o teu retorno, mesmo sabendo que uma hora ou outra tu cairás aqui em busca que conforta a tua falta de senso pessoal.
     Ser evasivo, divagar em leito conhecido, é tão agradável tal como lançar indireta aos quatro ventos. Alguém sempre vai melindrar-se. Pena que as pessoas não levam o conhecimento além do que vos é proposto, já que toda obra de arte é motivo de avaliação e críticas, construtivas e destrutivas, então aponta-me o dedo indicador e suplica minha angustia, pois o que terás de mim será ainda a plena indiferença. No máximo, dou-te um sorriso brando.
     A forma de escrever é minha peculiaridade. Organizadamente confusa, dilatadamente efusiva e temperamentalmente entre-linhas. Tudo será sempre uma questão pessoal, de ser ou não-ser, de um será-talvez-quem-sabe? Limite-se ao teu comportamento infantil de tentar chamar atenção com algo que não tens, deixa-me seguir com minhas escritas sem apologias ao místico mundo da futilidade por onde tu perambulas sedento por aceitação. Para mim, escrever é falar sem ser interrompido e, aqui, tenho total liberdade de fazer tudo o que quiser, inclusive nada.

domingo, 14 de outubro de 2012

Namore Um Cara Que Lê


     Namore um cara que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ele também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore um cara que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos. Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.
       Encontre um cara que lê. Você sabe que ele lê porque ele sempre vai ter um livro não lido na mochila, um livro de bolso, ou algo próximo para passar os olhos. Ele é aquele que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, o único que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo um cara estranho cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Esse é o leitor. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
       Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê.
       Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar. Ele é o cara que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ele está absorto. Perdido em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ele pode vê-lo de relance, porque a maior parte dos caras que leem não gostam de ser interrompidos. Pergunte se ele está gostando do livro.

Compre para ele outra xícara de café.

     Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ele foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ele diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ele gosta ou gostaria de ser a Alice. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil.
   É fácil namorar um cara que lê. Ofereça livros no aniversário dele, no Natal e em comemorações de namoro.  Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, Cummings. Deixe que ele saiba que você entende que as palavras são amor. Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo. E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre. Entenda que ele sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ele vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ele conseguir não será por sua causa.

É que ele tem que arriscar, de alguma forma.

     Minta. Se ele compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo. Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesmo, você mesmíssimo, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande herói. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances.

    Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência. Trate de desiludi-lo. Porque um cara que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Esses caras sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? Os caras que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

   Se você encontrar um cara que leia, é melhor mantê-lo por perto. Quando encontrá-lo acordado às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-o. Você pode perdê-lo por um par de horas, mas ele sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, durante algum tempo, são mesmo. Entenda, também, que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado.

    Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio. Você tem de se declarar a ele em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ele estiver doente. Ou pelo Skype.
       Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ele vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ele recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

     Namore um cara que lê, porque você merece. Merece um cara que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore um cara que lê.

Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve.


      

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

The Voice



      Fora através de um simples comentário que deixei a análise fluir. Era verdade, ela tinha toda razão e isso me deixava furioso, pois eu não havia percebido! Como me deixei esquecer de uma coisa tão simples? Tão minha ser deixada para outros comentários? Sim, eu ouço vozes. 
      Principalmente a minha própria voz, uma narrativa completiva das ações que vejo ou penso. Sempre que há imersão, quando fico em meio turvo à realidade, eu não penso, mas sim narro tudo o que deve ser visto naquele momento, podendo fundar teorias ou apenas sutil veneno. E logo após, volto para o real com o reflexo do pensamento pronto para uma boa escrita ou compartilhamento com os próximos.
      Sempre que estou ouvindo as vozes do meu ser, escuto ecoar "Daria qualquer coisa pelo seu pensamento", e isso me faz sorrir de uma forma psicopática, pois se eles soubessem o que penso, o que seriam deles? Esse é o problema de qualquer telepata, encarar os verdadeiros comentários inerentes ao que nos demonstram as pessoas ao redor, nem todos encaram os bons e maus comentários de uma forma branda. Toda pedrada dói, todo carinho acalma e todas as palavras são ditas sem reembolso. Por isso, pense duas vezes antes de fazer e três vezes antes de dizer algo.
      A voz que assombra minha mente pode ser meu Ego, Alter Ego, Id, ou um micro chip além-vida, não importa de fato, contanto que continue os pensamentos e dizeres estilo seriado americano. Com início, meio e fim. Nunca imaginaria ter narrativas circulando minha mente, como se eu contasse a situação para alguém, só espero que minhas expressões corporais não deixem transparecer meus reais instintos.
      

Apenas o céu

Foto por @sanamaru O amargo remédio se espreme goela abaixo, a saliva seca e o gosto de rancor perdura por horas. Em vez de fazer dormir ele...