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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Ride


I was in the winter of my life
And the men I met along the road were my only summer
At night I fell asleep with visions of myself dancing and laughing and crying with them
Three years down the line of being on an endless world tour and my memories of them were the only things that sustained me
And my only real happy times

I was a singer
Not a very popular one
I once had dreams of becoming a beautiful poet
But upon an unfortunate series of events saw those dreams dashed and divided like a million stars in the night sky
That I wished on over and over again, sparkling and broken
But I didn’t really mind because I knew that it takes getting everything you ever wanted and then losing it to know what true freedom is

When the people I used to know found out what I had been doing how I had been living, they asked me why, but there’s no use in talking to people who have a home
They have no idea what its like to seek safety in other people
For home to be wherever you lie your head

I was always an unusual girl
My mother told me that I had a chameleon soul
No moral compass pointing me due north
No fixed personality
Just an inner indecisiveness that was as wide and as wavering as the ocean
And if I said I didn’t plan for it to turn out this way I’d be lying

Because I was born to be the other woman
Who belonged to no one
Who belonged to everyone
Who had nothing
Who wanted everything
With a fire for every experience and an obsession for freedom that terrified me to the point that I couldn’t even talk about it
And pushed me to a nomadic point of madness that both dazzled and dizzied me

sábado, 21 de outubro de 2017

Tua mensagem me lembrou PalavrasdeDuas



Depois dos dezoito a gente aprende que tem amor que não precisa ser pra vida inteira. Não é fácil destruir toda aquela história de que amores são aqueles que vêm e ficam pra sempre, mas a gente aprende. Aprende vendo aquele casal que a gente tanto apoiava e que tanto se dava bem separando, aprende vendo pessoas que juravam nunca sair da nossa vida, pegando as coisas e indo embora. A gente aprende que pra ser amor não precisa ficar, alguns amores vêm e ficam o tempo que é preciso pra nos ensinar ou aprender algo, mas um dia se vão, porém, não é porque acabou que não deu certo, não importa o tempo que ficou, o amor não é cronometrado. Deu certo até ali, só chegou a hora de cada um seguir seu caminho e isso não anula o amor que foi um dia e que também ficou. Por quanto tempo foram a companhia perfeita para o outro? O quanto cresceram juntos? São inúmeras histórias pra contar que não anulam só porque não terão mais um futuro como manda o manual. A relação existiu, foi linda enquanto durou, não importa se foi um mês ou um ano, um fez parte da vida do outro e isso ninguém pode mudar. Cada um segue levando um pouco do outro, porque querendo ou não a gente sempre planta algo de nós dentro do outro. Mesmo que a relação tenha acabado, ambos serão especiais para o resto da vida. O final não tem a mesma beleza do início, seja ele de uma forma ruim ou boa, mas ele também tem seu devido valor, porque tudo que começa tem que acabar um dia, às vezes acaba antes do que o coração esperava, mas o importante é que um dia existiu, um dia o amor pulsou ali e vai pulsar, de alguma forma, mesmo que ainda não estejam juntos, porque tem amores que não precisam ser vividos a vida inteira.
Por Jhenifer.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden.


Extravagâncias, amantes, dívidas,
separações, alegações de incesto,
morte por febre,
se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden
tem que carregar consigo um Lord Byron.
Tem que ser antigo como são antigas a bactéria,
a chaga de Cristo
e tudo o mais que a medicina não deu cabo.
De teu motor valvulado, corrosivo e perecível
você tem que extirpar cadeados de lamentos,
cruz e sacrifícios.
Você tem que ser teu próprio pronto socorro,
da selvageria que é a vida,
do osso quando arrebentam
pancadarias na arquibancada,
uma taça feita de crânio, as perfurações,
as úlceras, as lesões, as ofensas,
as injurias, os agravos.
Você tem que saber que não é invulnerável,
que vão te fazer a corte e os cortes,
nunca as suturas.
Você é antigo na dor,
faz de sangrias coaguladas o teu pranto.
Você colocou a mão esquerda na labareda,
deu-a de bandeja à palmatória.
Com a outra você cometeu haraquiri.
E o show ainda nem chegou na metade.

-Luiz Felipe Leprevost


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Love, Rosie


"Escolher... escolher a pessoa com quem você quer dividir sua vida, é uma das decisões mais importante que... qualquer um pode fazer... sempre. Porque quando dá errado, deixa sua vida cinza. E às vezes... às vezes você nem nota, até acordar numa manhã e perceber que anos se passaram. E nós sabemos o que é isso! Sua amizade trouxe um colorido novo para a minha do mundo por essa dádiva. Espero ter sabido dar valor, mas talvez não tenha vida e esteve presente nos momentos mais precisos e eu sou a pessoa mais feliz dado, porque às vezes você não vê que a melhor coisa que já aconteceu à você está bem ali... debaixo do seu nariz. Mas tudo bem... é, tudo bem."


segunda-feira, 29 de maio de 2017

De E. E. Cummings


Eu gosto do seu corpo
Eu gosto do que ele faz
Eu gosto de como ele faz
Eu gosto de sentir as formas do seu corpo
Dos seus ossos
E de sentir o tremor firme e doce
De quando lhe beijo
E volto a beijar
E volto a beijar
E volto a beijar

terça-feira, 11 de abril de 2017

Giramundo


Desculpe dizer que não percebi onde você queria chegar verdadeiramente quando focou a folha. Rotacionei vagarosamente o aparelho, como se por algum motivo fosse despertar ali aquilo que em ti brilhava o olhar. Mordi a boca por dentro, sabia que não ia conseguir. Olhei para os lados, te devolvi a máquina. Engoli o seco quando disse que pra mim estava boa. Envergonhado, baixei a vista e sentei como se descarregasse meia tonelada das costas. Senti que vinha um monólogo prático de como não dou valor para tuas coisas, para os teus gostos e hobbies. Você ainda olhava feliz para imagem no monitor, era uma conquista que nenhum outro tinha conseguido. A captura perfeita de algo que em ti brotou figura tridimensional e disse "Aqui! Estou aqui!". Sem graça, observo o quanto aquilo te significa. Vejo as poses engraçadas que fazes quando clica e clica. "Essa não ficou boa", você diz, ajoelha-se, aponta novamente, mira com cautela como se fosse atacado a qualquer momento pela víbora mais mortífera de todas, prendes a respiração e clica. O raio da fotografia circunscreve o alvo e o registro é feito. "Ficou boa! Rá!", e você sorri como nunca. O sol te ilumina sem pudor, uma lufada de vento varre o chão e leva aos teus joelhos as folhas secas de uma tarde qualquer. Mais um pedaço do mundo que é apenas só teu, que poderá, também, ser compartilhado com todas as pessoas do mundo - se quiseres, claro-, os segundos que admiram a fotografia parecem durar horas. Entendo que cada um teu próprio jeito de decifrar o mundo, de podar a realidade e criar algo que nunca se repetirá do mesmo jeito. E, com minha cara de palerma, fico segurando todas essas "tralhas" tecnológicas para lá e para cá, sob o sol, sob a chuva, e converso com um, compro do outro, e assim vou te assistindo. Mais um dia de sol forte, suor, andanças e cliques. Sabe, eu não entendo nada dessas coisas e, por mim acho que a maioria é papel de parede de celular ou trabalho para casamentos e festas infantis. Se eu te disser que não gosto, logo tu faz birra. Faz birra quando eu falo, quando eu não falo, quando o flash não funciona, quando a nuvem tapa o sol, quando o cenário cai, quando não tem muito foco, quando tem foco demais, birra, sobrancelhas arqueadas, socos no ar e ponta-pés. E eu escuto todas as reclamações, todos os xingamentos e elogios, para com as fotos, claro. E é assim que funciona, eu não gosto, não entendo, mas participo. Porque o que temos de mais precioso do outro é o apoio, e por vezes, a companhia nos adiciona coisas que, provavelmente, nunca teríamos a capacidade de encontrar. A companhia nessas jornadas me fez conhecer muito do mundo, das pessoas, do perigos e dos prazeres tão diversos que não te posso contar com precisão. Tudo isso em busca do que é belo e vulgar; sem pretensões ou superstições; você, a câmera e o mundo nas mãos.     

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Chocolate


A noite já estava alongada quando finalmente nos encontramos, sinto muito. Faz tempo que não percorria essa parte da cidade, fico muito tempo imerso em minha própria zona de conforto, minha utopia significante de marasmo. Pode até parecer piegas, mas o frio bem-vindo deixa tudo mais ameno. Li no Bonde sobre a frente fria, vi na rua a noite que teria evento, talvez um concerto ou uma mostra. Fico feliz por ter recebido o convite mútuo deste encontro. Embora nos falamos mais por distância que em presente, nossos sorrisos se encontram desprovidos de qualquer passado, de qualquer mágoa, como quando visitamos uma cidade acalourada pela primeira vez. E, neste calor que perdura dentro de mim, pergunto se tu não queres contrariar o hoje. Vamos à sorveteria, duas de flocos para mim, duas de chocolate para ti. Algumas coisas nunca mudam. Teu hábito por chocolate, teu charme ao passar os dedos no cabelo, tua piscadela de controle. Sim, algumas coisas parecem que permaneceram. 
Prometi que não ficaria por muito tempo e você afirmou que tudo estava bem, que ficaria bem. Logo, nos entrelaçamos no nosso cotidiano informativo, o que tu fez nestes últimos anos soa tão encantador que contemplo teu desdém ao citar coisas tão fantásticas como se contasse os botões da camisa. Você esqueceu o quanto de extraordinário já fez só por não notarem, esqueceu do que somos feitos, não lembra mais de dançar ao estar se sentido feliz e, bem, te peço que lembre sempre. A canção é de Iorc, e não poderia embalar melhor essa noite que amei te ver, outras tantas músicas percorrem o teu lugar de escolha e sinto nossa suavidade ímpar. Sabe, quando a gente se distrai, muita coisa pode acontecer, inclusive o nada. Tu eras tão melhor que isso, isso de apenas ser, ter medo de perecer, de se aventurar. O que nos tornamos afinal?
O caminhar de volta ao ponto de encontro deixou para trás uma sorveteria agitada de cores fortes, suavizamos carinhos e cordialidades ao fixar um programa qualquer na tv que nos estava posta. Entendo que não somos tão jovens, a marca de qualquer deslise frisa as costas em ardor, pois agora, ser responsável é como respirar, ter metas e produções é o que acabamos por aderir como normal, como esperado. Daí surgem aquelas expectativas que nos privamos. Deixamos de ouvir um trocadilho e rir de maneira boba, deixamos de curtir o tão pouco. As garrafinhas d'água que nos encara como velas de essência francesa nos convida a poesia de tempos outros.
Sinto tua pele como nunca antes, teu sabor, teu receio e tua lascívia ao querer sempre mais. Ponderamos como em um primeiro encontro, não sabemos ao certo o que fazer agora. O peito palpita, mas relaxamos. Estamos aqui. Unidos, juntos, como antigamente, estranhos em um ninho familiar. Afinal de contas crescemos. Me envergonho pelas manias sagazes que correm meu lustro, você sorri. Talvez, apenas talvez, agora que eu preciso ir e sei que você ficará bem, talvez agora você não mais esqueça que vivemos em um mundo de possibilidades. Deixe registrado, como numa fotografia, que existe sim coisas intermináveis como um cansaço que nos apodera mas não apagamos, não vale a pena fechar os olhos quando esses mesmos olhos apreciam a felicidade. 
Talvez um dia eu volte para este lado da cidade, quando não mais tiver medo de começar. Não te peço que me procures, entretanto, se um dia ousar me encontrar, serei de todo o mesmo. No lugar de sempre, com calda extra de chocolate e um pouco de amendoim, para quebrar o clima e mostrar que sou do contra. Contra tudo o que não é eterno. 


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Como é se apaixonar por um escritor?


Difícil falar já que você não sabe se está apaixonada por ele, ou pelo modo apaixonante como ele escreve, pode ser um pouco dos dois. Ou a forma como ele é obcecado pelas palavras e as usa com tanta destreza em cada um de seus textos. Você nunca sabe se em suas escritas ele está caindo de amor ou caindo aos pedaços, mas elas sempre vão tirar o seu fôlego e fazer você pensar em como seria se fosse você a inspiração.
E você se acha maluca porque muitas vezes quando está lendo um dos textos, se pega bufando de ciúme porque sabe que não são para você. Mas sempre depois que termina se derrete e se encanta cada vez mais com a forma que esse ser consegue tocar seu coração sem ao menos te conhecer. Você vai ler e reler cada uma das linhas e ver que sempre tem um pouco do que sabe, vai ver que tem um pouco de tudo o que ele já vivenciou, que ele escreve com a alma tão exposta e radiante quanto o nascer do sol, ele fala de suas fases, de seus momentos e amores, que se assemelham aos seus, aos meus.
Ele vai te mandar um de seus textos para saber sua opinião, vocês mal se conhecem e mesmo assim ele te vai mostrar antes mesmo de ser lançado no blog e depois de ler você não vai conseguir parar de pensar que se fosse a sortuda que ele se inspirou para escrever um texto desses, cairia aos pés dele instantaneamente. Além disso, será que você foi a única que leu em primeira mão? Ele vai te deixar na dúvida, porque todos eles, sem exceção, são imprevisíveis, você nunca sabe o que esperar, eles sempre vão te surpreender.
Mais difícil do que saber se está apaixonada por ele ou pelo que ele escreve, é tentar escrever algo descente para ele, algo que mostre o mínimo do quanto ele é raro ou que chegue aos pés das coisas que ele escreve. Algo que mostre o quanto o talento dele é extraordinário, e o quanto você se sente próxima dele enquanto lê suas palavras, mesmo que não seja. Eles costumam dizer para não se apaixonarem por eles, e fazem um texto listando vários motivos para isso, mas nada que tenha me convencido, e nada que vá te convencer, todas as razões que eles dão para você não se apaixonar por ele, são as mesmas pelas quais eu acabo me apaixonando, você também não vai escapar.
Então é aqui nesse pequeno texto de uma amadora, que deixo a minha homenagem aos escritores loucos e apaixonados, os famosos sonhadores que ainda acreditam no amor verdadeiro, que eternizam momentos e pessoas em cada uma de suas palavras.
É o que dizem, se um escritor se apaixonar por você, você nunca morrerá. Eles são únicos.

(oteoremadaspalavras.com)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O que você vê?


 Existem algumas coisas na nossa vida que são inexplicáveis. São eventos únicos e particulares que só cabem na memória. Não falo de sonhos de futuros bobos, de uma viagem ao continente cultural ou um abraço revigorante, nada disso. Falo de fatos que apenas nos acontecem, sabores que nos apetecem. São experiências que nunca, nada nem ninguém irá conseguir reproduzir, nem se quer transmutar em algo repetível e, desse modo, me desculpe Senhor Gatsby, mas não é possível repetir o passado, e, mesmo que pudesse, eu jamais tentaria essa ousadia.
 Sabe, senhor, certas coisas só acontecem pra que a gente siga em frente, tentando acreditar que existe algo tão bom quanto o que nos aconteceu. Lembre da linda Daisy e da primeira vez que a viu, lembra qual foi a sensação? E depois de tanto matutar qual o caminho a percorrer, me pego corroendo antigos dissabores. Deve ser por isso que me atento aos pequenos milagres que me ocorreram.
 Sinto a brisa salgada, a areia macia, o som do mar convidando ao paquerar da lua. A música que conheci, que me trouxe essa saudade, está comigo, sempre, como um dos favores diários e secretos que só resistem a um. E, desse mesmo modo, tento me agarrar às experiências que tive com tanto bom proveito. Talvez seja hora de me entregar de novo ao mundo, ao conhecimento, ao acaso, ao destino de apenas ser aquilo que sempre fui criado para ser. E, no abrir de olhos, contemplando a imensidão refletora que me sorri, me permito te dizer. Eu acredito na luz verde. Eu tenho que.
 Alegria, vida, fim.

sábado, 24 de outubro de 2015

A dor e a beleza da escrita.


Carlos Drummond de Andrade, em uma de suas cartas para sua filha, Maria Julieta, a aconselha:

“Escreva minha filha, escreva. Quando estiver entediada, nostálgica, desocupada, neutra, escreva. Escreva mesmo bobagens, palavras soltas. Experimente fazer versos, artigos, pensamentos soltos. Descreva, como exercício, o degrau da escada do seu edifício (saiu um verso sem querer). Escreva sempre, mesmo para não publicar. E principalmente para não publicar. Não tenha a preocupação de fazer obras primas; que de há muito já perdi, se é que um dia a tive. Mas só e simplesmente escrever, se exprimir, desenvolver um movimento interior que encontre em si próprio sua justificação…”

Belo conselho, que de um carinho ofertado a Maria acalentou tantos corações inquietos. Na ânsia de significado pela vida, muitos afundam, outros tomam um pouco de fôlego na bordinha da piscina, pegando ar, papel e lápis. O ato da escrita, por si só, já é um exorcismo. Quando não, uma tentativa de realocar e elaborar dores, perdas e alegrias. A dúvida surge e lá está o escritor, com um comichão no coração e uma caneta na ponta dos dedos.
"E se eu não souber escrever?" Mesmo assim rabisque. Linhas, frases, palavras desconexas. Que mal tem? Ver os sentimentos exteriorizados, seja na tela ou no papel, no mínimo alivia. Se mesmo assim não houver descanso, vai lá e faça de novo. E de novo. Até acalentar a alma e adoçar os sentidos. Por mais que sangre, remexa lá no fundo o que nem os seus ouvidos conseguem ouvir. Apesar do medo da entrega, é isso que salva muitos da loucura ou de assustadores demônios que insistem em rondar os dias.
O trabalho de criação é um mergulho no inconsciente, a junção dos caminhos percorridos e dos atalhos que ainda sonhamos em trilhar. É a entrega de uma pessoa despida de pudores, manchada pelos dias e remexida por delírios. Se você vasculhar nas tensões, tragédias, rancores, esperanças e nas fantasias incontáveis até mesmo para o analista, está um (ou muitos) texto(s). Angustiado por não conseguir expurgar tudo isso para a folha?
Se acalme. Ler é o alimento para a escrita. Já já as linhas chegam até você. Até lá, pratique. Diariamente. Nem que seja um vômito qualquer. A peneira vem depois, assim como o processo de modelagem. Tome notas e transborde literatura. Um livro ou uma crônica são, por vezes, o momento de tomada de consciência do autor. Ali ele se apropria do que antes somente pulsava em si mesmo. Por mais respeitado, renomado e brilhante que seja um escritor, o próximo verso é sempre uma incógnita. E que lindo é ser aprendiz da própria história. E das entrelinhas em que moram personagens e vidas.
Escreva todo dia (sim, eu me repeti). Começando agora você estará mais perto do que estava no exercício de lapidar a matéria bruta. Esta que sai de ti, alcança a folha e precisa ser esculpida. Se tomou forma, é que foi purificado. E sortudos são os que das feridas alcançam a catarse.

Por HILANE TAWIL

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Carta ao meu ex.


Querido ex,
Tenho que lhe contar que me apaixonei de novo. Mas por favor não interprete essa frase como se eu tivesse deixado de pensar em você. Apenas saiba que optei por tentar acreditar em meus sonhos outra vez. Sei bem que você irá olhar meu próximo amor e sentir ciúmes, não por eu ser perfeita, justamente pelo contrário, sabe bem dos meus erros, defeitos e imperfeições, mas sei que você olhará para ele e saberá que é o novo dono do meu coração, que terá sorte porque é meu o bom dia que ele recebe todas as manhãs, será das minhas brincadeiras que o sorriso dele virá fácil e rápido em uma tarde qualquer, você saberá muito bem que quando começar a chover forte, é para ele que ligarei por medo que a luz acabe. Você lembra como eu tenho medo do escuro.
Eu te peço, não me incrimine, me julgue ou tão pouco me crucifique por começar a gostar de alguém. Ao contrário do que muitos imaginam, eu sempre faço a opção de viver o presente. Gosto de pensar que ninguém entra em nossa vida por acaso, a verdade é que penso que os acasos são quem nos escolhe. O acaso sabe bem como cuidar da gente, mandou me você quando precisei de um abraço, mandou me outros quando precisei de atenção, quando foi necessário crescer em meio a escuridão. Talvez você não saiba, e eu nunca tenha te contado, mas o amor, querido, é um dom. Amar é para os fortes, para os corajosos.
Lembro me com clareza de cada pessoa que passou pela minha vida. E sabe de uma coisa? Ninguém se foi sem ao menos deixar um sorriso guardado aqui comigo. Por isso eu te digo meu bem, sou a junção da alegria com o amor e a esperança, pois cada um desses itens define a vida de quem acreditou em cada momento na sua devida singularidade, que deu as mãos sem medo do amanhã ou receio do ontem. 
Por isso querido amor, eu te peço novamente, por favor, não me julgue quando eu começar a andar de mãos dados com um estranho na rua, eu apenas me dou a chance não de te esquecer, mas de reviver todos os sorrisos que foram perdidos ou esquecidos em uma esquina qualquer.
Querido, foi por um sopro da vida que o coração do meu avô deixou de bater, mas não será nem por uma ventania toda que o meu deixará de amar e acreditar em verdades utópicas.
Lembra daquela canção que tocou no rádio do seu carro? Pois é, ela é a definição do eco que existe agora no meu coração.
“Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça E quando me quiser que seja de qualquer maneira Enquanto me tiver, que eu seja o último e o primeiro E quando eu te encontrar, meu grande amor, me reconheça (...)”
Essa carta não significa que deixei de te amar, significa que resolvi aproveitar todas as nossas lembranças e me amar. Me despeço de você, mas saiba que nunca te troquei, apenas fiz o que era do meu direito: Amei outra vez.

-Marina Zotesso

domingo, 26 de julho de 2015

Eu disse corre...


O tédio dominical já fazia parte de mim desde a metade da semana. As cores dos dias e das noites tornaram-se um grande borrão. E mais uma vez, mais um desamor. É inverno no hemisfério sul, e as pessoas continuam se vestindo para o verão. Elas querem ver o calor humano na verdade. Isso é bem simples de perceber, mas porquê as cores também?
A força voltou, acho que ela também tinha ido à praia. Domingos são assim: praia, família, churrasco, shopping, família, fantástico. Meu domingo é assim: nada. Não que me falte coisas para fazer, não não. Há uma pilha de livros não-lidos, músicas não tocadas, papeis ainda em branco. E claro, muita matéria para revisar. Mas, continuo vagando entre o preto e branco. 
Quando a energia voltou, foi aí que decidi levantar, eram umas 15 horas ou algo assim. Só percebi que já era tarde quando o relógio sentenciou, por mim ainda eram 4 da manhã. Para finalizar a tarde com desdém, pensei em visitar as páginas locais e olhar o movimento na rua. E bem, foi aí que tudo começou.
Não que seja uma coisa extraordinária, entretanto, algo mui incomum por sinal. Tudo começou quando eu clamei pelas luzes. Elas mesmas. As luzes de outrora. Tudo começa como um ritual, ainda que pareça por acaso, sempre há fragmentos que sempre se repetem, e dessa vez não foi diferente.
Responder emails, olhar o clima da semana, tendências do mercado, datas de aniversários e por fim, mensagens. E estas ultimas já faziam lista, fui do mais simples ao mais complexo. Atendi aos chamados, até o curioso encontro da música. E como qualquer coisa na minha vida, de início não dei muito valor, apenas respondi. Não conectei o nome à pessoa, a pessoa ao ambiente e o ambiente à minha vida; um fato deveras curioso entre a Letra e a Música onde, claro, não passou de alguns contados minutos de conversa.
Há quem diga que o mundo é feito de amor que se busca e amor que é buscado, entre terminantes e terminados, entre o dar e o receber. Bem, essa dicotomia yin yang não me parece nada interessante em discutir. Me lembra muito religião, e desse tema eu margeio para longe, não pisando em ovos. Sei que parece cético o suficiente para você lograr êxito e rir bastante, porém não vejo mais que necessidade humana nesse tal momento.
Também posso ser fantasioso o bastante e sugar toda a essência de criatividade e cores, cheiros e sons que não vejo faz um bom tempo. Essas coisas chamadas apenas de amor, que evapora ao despertar. 
O ser humano é bicho previsível e dificilmente se surpreende. Mas quando acontece, aquece o peito por um bom tempo. E, embora eu te diga para não se empolgar por tão pouco, também te digo para aproveitar o máximo que puder. Isso mesmo, aproveite todos os momentos antes do fim. Quando esse fim chega, meu caro, é tão triste que deixa um gosto amargo de derrota. Não é possível viver plenamente em um dos lados, como um Yin Yang puro, sempre haverá uns pontos intrínsecos.
E quando você pediu pra ir embora, eu disse corre! Cada um sabe o que é melhor para si, ainda que passe por momentos ruins, dificuldades e dias de monocromática solidão. Deixe seu pensamento fluir, as pessoas agem para que o mundo não pare. A vida acontece, e quando se der conta, estará por um triz. Por um triz. E nada mais vai importar. A vontade de lutar por aquilo que acredita será impetuosa. Você derrubará todas as barreiras, passará por todos os problemas como uma flecha destemida, mas nunca terá plena certeza se o que faz é certo ou errado, porque sempre estará por um triz.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Quem pode fazer literatura, afinal?

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É muito comum, ao se falar de literatura, pensar em um campo de liberdade, lugar frequentado por qualquer um que tenha algo a expressar sobre o mundo e sua experiência nele. Das teorias que afirmam a literatura como um espaço aberto à diversidade àquelas que a prescrevem como remédio para todas as mazelas sociais (da desinformação à ausência de cidadania), podemos acompanhar o processo de idealização de um meio expressivo que é tão contaminado ideologicamente quanto qualquer outro, pelo simples fato de ser construído, avaliado e legitimado em meio a disputas por reconhecimento e poder. Ao contrário do que apregoam os defensores da arte como algo acima e além de suas circunstâncias, o discurso literário não está livre das injunções de seu tempo e tampouco pode prescindir dele – o que não o faz pior nem melhor do que o resto.
Mas é preciso reconhecer que o campo literário brasileiro ainda é extremamente homogêneo. Houve, é claro, uma ampliação de espaços de publicação, seja nas grandes editoras comerciais, seja a partir de pequenas casas editoriais, em edições pagas, blogs, sites etc. Isso não quer dizer que esses espaços sejam valorados da mesma forma. Afinal, publicar um livro – um conjunto de páginas impressas e encadernadas – não transforma ninguém em escritor, ou seja, alguém que está nas livrarias, nas resenhas de jornais e revistas, nas listas dos premiados dos concursos literários, nos programas das disciplinas das universidades e escolas, nas prateleiras das bibliotecas. Basta observar quem são os autores contemplados em vários dos itens citados acima, como são parecidos entre si, como pertencem a uma mesma classe social, quando não têm as mesmas profissões, vivem nas mesmas cidades, tem a mesma cor e, em geral, o mesmo sexo…
Números não esgotam a situação, mas ajudam a indicar algumas de suas características. Em todos os principais prêmios literários brasileiros (Portugal Telecom, Jabuti, Machado de Assis, São Paulo de Literatura, Passo Fundo Zaffari & Bourbon), entre os anos de 2000 e 2014, foram premiados 39 autores homens e apenas três mulheres. Outra pesquisa, mais extensa, mostra que de todos os romances publicados pelas principais editoras brasileiras, em um período de 25 anos (de 1990 a 2014), 71% dos escritores são homens e 96% são brancos. As personagens não são diferentes: 60% são homens, 79% são brancas, 80% pertencem às camadas economicamente privilegiadas – e os percentuais sobem significativamente quando são isolados narradores e protagonistas. É significativo, também, que mais de 60% dos autores vivam no Rio de Janeiro e em São Paulo e que quase todos estejam em profissões que abarcam espaços já privilegiados de produção de discurso: os meios jornalístico e acadêmico.
Por isso, a entrada em cena de autores, ou autoras, que destoam desse perfil causa desconforto quase imediato. A taxista da esquina, o senhor que conserta geladeiras, o cabelereiro do shopping, a faxineira do prédio – são pessoas que certamente têm muitas histórias para contar. No entanto, quem visualizaria seus retratos na orelha de um livro, quem pensaria neles como escritores? A imagem não combina, simplesmente porque não é esse o retrato que estamos acostumados a ver, não é esse o retrato que eles estão acostumados a ver, não é esse o retrato que muitos defensores da Língua e da Literatura (tudo com L maiúsculo, é claro) querem ver. Afinal, nos dizem eles, essas pessoas têm pouca educação formal, pouco domínio da língua portuguesa, pouca experiência de leitura, pouco tempo para se dedicar à escrita.
E, ainda assim, alguns deles escrevem e publicam e tanto insistem que acabam atraindo nossa atenção, porque, como diz o rapper Emicida,uma frase bonita escrita com a grafia errada continua bonita”. O que não significa que a ideia seja plenamente aceita. Afinal, o domínio da norma culta serve como fator primário de exclusão e há, é claro, quem se beneficie com isso. Aqueles que valorizam a si próprios por saberem usar a norma culta da língua não têm interesse em desvalorizar essa vantagem, conquistada, às vezes, com muito esforço. Não é raro ouvir, em sala de aula ou em eventos acadêmicos, alguém se referindo a Carolina Maria de Jesus, por exemplo, como “escritora semianalfabeta”, como se uma autora capaz de escrever livros com a força e a beleza de Quarto de despejo ou Diário de Bitita fosse ser analfabeta só por escapar, vez ou outra, daquilo que é determinado pelo Vocabulário ortográfico da Academia Brasileira de Letras.

Dá para imaginar o quanto é grande o desejo de escrever para que essas pessoas se submetam a isso – a fazer o que “não lhes cabe”, aquilo para o que “não foram talhadas”. Vivem, assim, o constante desconforto de se querer escritor, ou escritora, em um meio que lhe diz o tempo inteiro que isso é “muita pretensão”. Daí as suas obras serem marcadas, desde que surgem, por uma espécie de tensão, que se evidencia, especialmente, pela necessidade de se contrapor a representações já fixadas na tradição literária e, ao mesmo tempo, de reafirmar a legitimidade de sua própria construção. E isso aparece de diferentes modos. Às vezes, está no interior da própria narrativa: “É preciso conhecer a fome para descrevê-la”, dizia Carolina Maria de Jesus. Às vezes está em prefácios, como os de Ferréz, que defende a importância de deixar de ser um retrato feito pelos outros e assumir de vez a construção da própria imagem. Ou então em manifestos, como o de Sérgio Vaz, que diz que “a arte que liberta não pode vir da mão que escraviza”. E há ainda as apresentações dos livros, as orelhas e os textos da quarta de capa que reforçam isso, ressaltando a legitimidade do lugar de fala do escritor.

Por isso é tão importante a presença de autores e autoras provenientes de diferentes espaços sociais, com diferentes cores, interesses, profissões, desejos, conhecimentos, razões. Autores e autoras que façam barulho, causem dissonâncias, firam as belas letras, desmontem as regras do jogo. Eles, e elas, estão por aí, publicando por conta própria, criando coletivos, apostando na internet e no boca-a-boca para vender seus livros. Alguns até conseguem se projetar em editoras de maior fôlego, a maioria batalha junto de pequenas (algumas já históricas) casas editoriais, mas com circulação muito restrita. Há ainda aqueles que se dão por satisfeitos ao recitar seus poemas em um dos vários saraus literários que se espalham e se fortalecem nas periferias das grandes cidades brasileiras, só “curtindo o barato”. Há até os que já começaram a produzir uma reflexão própria sobre literatura, e certamente têm muito o que dizer. Mas nós, enquanto críticos e enquanto leitores, precisamos ter como alcançá-los, e isso ainda depende, em grande medida, de seu acesso ao campo literário – às editoras e livrarias, às páginas dos jornais e bibliotecas, aos prêmios literários e às traduções, aos programas de disciplinas e aos eventos acadêmicos. Deixá-los falar sozinhos é perder a oportunidade de ampliar nossas referências sobre o mundo.

Por Regina Dalcastagnè, blog do Demodê.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Oi ex, como vai?




Há tempos não nos falamos.


Oi ex,
hoje não venho com palavras de ódio, nem te culpar por nenhum episódio, tampouco me colocar em cima de um pódio.
Sim, houve um tempo. Tempo em que desejei cascas de banana na sua calçada, um bicho gordo na sua goiaba, 28 pedágios na sua estrada.
Também não vim te acusar, nem te mandar se lascar, muito menos te pedir pra voltar.
A mágoa foi inevitável, mas se história é imutável, talvez tenhamos que pensar num caminho alternativo viável.
Vim perguntar se você está bem, se continua tendo sonhos do além, se contou dos seus medos para mais alguém.
Se seu pai largou o cigarro, se você conseguiu trocar de carro, se houve algo entre a gente que não tenha ficado claro.
Vim dizer que lembrei de você. Porque finalmente comi cordeiro, porque ri conversando com meu porteiro, porque nosso verão foram anos inteiros.
Vim com bandeira branca, sem qualquer indício de cobrança, apenas me divertindo com algumas lembranças.
Vim te contar que encontrei aquela nossa conhecida, a que foi morar em Aparecida, e que ela tá com a bunda super caída.
Vim contar que vi seu colega de trabalho, que ele tá meio grisalho, mas que ainda dá pra quebrar algum galho.
Vim falar de coisas que ninguém mais entenderia, que achei as fotos daquela viagem para a Bahia e que finalmente tem açaí aqui na minha padaria.
Não vim criticar sua nova paquera, nem retomar aquele clima de guerra, nem dizer qualquer coisa que não seja sincera.
Vim te dizer que está tudo ok, que eu tive uma doença, mas sarei,  e que aquele meu vizinho, de fato, é gay.
Não vim te propor uma bela amizade, um sorvete no fim da tarde e nem um fim de história marcado por vaidade.
Vim pra te desejar alguma sorte, vim porque já voltei a ser forte e porque sei que memória não respeita pena de morte.
Vim te deixar um abraço, porque te querer bem é o melhor que eu faço e porque, afinal, já chega desse cansaço.
Vim te dizer para ficar em paz, para respeitarmos o que deixamos para trás e para propor, enfim, que a gente não se queira mal, apenas não se queira mais.

Por: Ruth Manus

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Só sei dançar com você.



 Penso em te escrever algo, só que não vem nada de útil. Tento descrever como são meus dias percorridos pelo teu sorriso, divago só em lembrar. Ao começar a escrever me lembro do movimento que desgrenham teus cabelos. Ouço uma música para tentar seguir o clima simples, descubro o quanto não ouvi o suficiente para poder começar. Então desisto de tentar e deixo para depois.
 Dessa vez não me sinto culpado por deixar algo de lado, na verdade eu apenas sei que não é hora. Me fogem palavras e capturá-las parece trabalho para profissionais, melhor esperar a tempestade passar. 
 Vejo você vir caminhando, devagar, como se aproveitasse do sabor da chuva para finalmente conseguir sorrir. Um sorriso automático, quase que sem querer. Você fica vermelho tentando esconder a felicidade, e isso deixa tudo mais engraçado, algo natural. 
  O céu começa a colorir-se novamente, um fim de tarde em campo aberto. Você aguarda a sua vez, repõe a água na garrafa, arruma novamente a mochila, e suspira. Sinal que está pronto para seguir em frente.
 Desprendo e em silêncio subo mais um degrau mental. Você me segue. Parece que você sempre sabe o que fazer. Logo estamos no alto, sentamos então para assistir mais um dia e conversar sobre a vida, o universo e tudo mais. Meus sentidos se atordoam, há tanta coisa em volta, tantas citações proferidas sem precisar de explicações, tantas cores vibrando em paletas multifacetadas, tanta coisa: há carinho, há natureza, há possibilidades... 

 Nós dois. 
 Cúmplices.

 Sou alvo pros teus olhos claros parecidos com essa estação, tua temperança me envolve e tua calmaria me conforta. Um sinal de que tudo pode ser normal. As caraminholas na cabeça se perguntam quem é esse ser estranho que visita o planeta Zero, que pausa a própria sorte em prol do esquisito mundo de possibilidades.
 Parece que não ouço você falar, mas eu ouço. Embora meu olhar seja distante, minha mente está bem aqui contigo. Me pergunto o que será do futuro, sabe? Gosto de assistir o dia começar e terminar, como se fosse algo novo, mesmo que todos os dias se repitam. Tenho medo apenas que as coisas não mudem, que tudo seja um cíclico momento. 
 Sentado no alto fico sempre a perguntar.
 O que será do futuro?
  



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Deixa alguém gostar de você, caralho.



Você pode ser a pessoa mais forte do mundo.
Você pode ser a pessoa que melhor sabe se virar sem ninguém, mais independente, mais cheia de experiência, mas você nunca, nunca será alguém que ninguém possa te ajudar a ser melhor.
Às vezes a gente cria uma casca de certeza e com isso nos blindamos do resto do mundo. Há quem faça isso pelo trauma de alguma decepção, há quem faça isso por medo de recomeçar e há quem faça simplesmente por pensar que não precisa de ninguém.

Uma coisa é depender de alguém, outra é precisar.

Você não deve pensar que a sua felicidade depende de outra. Não deve pensar que só vai conseguir ser feliz se tiver alguém pra te acompanhar. Você sempre será sua melhor companhia, você dorme e acorda com a cabeça no próprio travesseiro, você nasceu e vai morar num caixão sem ninguém. Você é o único representante das suas vontades nesse mundo. Mas você não é alguém que outro alguém não possa melhorar.

E você não precisa se obrigar a aceitar que alguém entre na sua vida.
Mas bem que você pode se ajudar para que isso aconteça.

Se você parar pra pensar, vai lembrar de alguém que já tentou se aproximar de você, mas que instantaneamente você tratou de assustar. Você não deixa alguém te fazer bem. E daí que o mundo parece estar uma bosta com tanta gente mal caráter e de valores que não pareçam em nada com os seus? É neste mundo que está quem você precisa. E daí que já teve gente que passou pela sua vida deixando mais feridas do que sorrisos? Isso não te faz uma pessoa perdedora. Essas pessoas existem e sempre vão existir! Um dia foi com você, neste segundo em que lê isto é com outra pessoa em algum lugar deste mundo, talvez até mesmo na sua rua.



Talvez seja uma questão de você começar a olhar a vida com o coração.

Quando a gente só enxerga as coisas com olhos acabamos tendo uma única visão sobre o mesmo lado da vida, agora, quando a gente vê as coisas com o coração, conseguimos fazer o cálculo entre tudo que nos faz bem, o que nos faz mal, tudo o que queremos e tudo o que estamos fazendo por merecer.

Você tem razão, as pessoas não tem se esforçado em ser interessantes mesmo.
Mas você já viu com o coração o que é alguém interessante pra você?

Talvez não seja uma homem de novela pra você postar fotos juntos e ver as amigas elogiando de lindos e casal perfeito. Talvez não seja uma garota de capa de revista pra você se orgulhar em andar de mãos dadas no shopping.

Talvez seja alguém como você nunca imaginou.
Talvez seja só alguém que já te provou o quanto pode te fazer bem.
Talvez seja quem separa um minuto do próprio dia pra te dar um oi pelo chat.
Talvez seja alguém que assiste um vídeo engraçado e te manda o link pra rir também.

Eu preciso de alguém que me faça bem. Você precisa de alguém que te faça bem. Todos nós precisamos de alguém que nos faça bem. Isso não é exclusividade pra ricos ou para as pessoas indubitavelmente lindas, isso é uma importância para qualquer ser humano deste planeta.

Vai ver você não mereça o jeito com que tem lidado com a própria vida. Vai saber, talvez aquele próximo beijo sem-nome que vai dar numa noite qualquer nem precisa de fato acontecer. Talvez você só precise responder “quando?” quando alguém te chamar pra sair, quando esse alguém que te veio à cabeça te chamar pra sair. Vai saber, não tem como garantir, mas talvez você esteja curtindo as fotos de quem não curte você, enquanto tem alguém que curtiria pelo menos conversar mais com você e saber como foi o seu dia.

Tenta ver a sua vida com o coração.
Seus olhos podem estar escondendo o que o seu coração precisa ver.

É naquela fração de segundo que você julga alguém como interessante pra você que está quem você deve respeitar: ele mesmo, novamente, o seu coração.
É claro que você não precisa se obrigar a nada. Você não precisa sair com todo mundo só pra ver no que vai dar, só pra tentar ver se gosta. Mas se você conseguir identificar quem se esforça por você, bem que poderia valorizar um pouco mais.



Deixa alguém tentar cuidar de você.
Deixa alguém provar que você é importante. Presta atenção em quem se preocupa e para de julgar como alguém que tenta te controlar, mas sim, como alguém que se coloca no seu lugar pra te ajudar. Deixa alguém se aproximar antes de você afastar. Vale repetir que você não tem a obrigação de aceitar, mas tem o valioso direito de tentar.

Você pode se considerar a pessoa mais independente desse mundo, mais cheia da porra toda, mas sempre será alguém que outro alguém pode te ajudar.

-Márcio Rodrigues.

Por onde andam as pessoas interessantes?



Depois que terminei meu namoro, senti que as coisas deram a devida reviravolta que eu tanto proclamava. De 4 a 6 semanas foi o suficiente pra poeira baixar e chegar ao limbo. O limbo é aquele lugar calmo, não muito raro, que todo mundo tem dentro de si. Um sótão que não é escuro, não abriga histórias de terror, não tem nada a ver com os filmes. Passei um bom tempo lá e confesso que tava até feliz por não ter que me distrair com ninguém a não ser eu. Depois de todo fim a gente precisa de um tempo pra cuidar da gente, botar a cabeça no lugar, sair por aí pegando uma infinidade de gente – papo chato de autoafirmação, aposto que você me entende. E depois de tudo isso, a gente para lá no limbo pra tomar uma cerveja.
De uns meses pra cá eu senti nada. Sentia nada, nadinha. Nem por uma, nem por dez das pessoas que jantaram comigo – e não é exagero, foram dez mesmo. Mexicano, japonês, italiano, comida no parque, jantar na casa dela, McDonald’s no shopping, rodízio de pizza, crepe na Voluntários, cachorro-quente num aniversário, sobremesa aqui em casa. A cada pessoa nascia aquele interesse curioso que era rapidamente sucedido pela preguiça de se dispor, de ter que contar toda a minha história, de ter que voltar pro grande jogo das conquistas.
Não me entenda mal. Eu sempre gostei de conhecer gente. Sempre gostei de ter um coração meio vagabundo que se encantava fácil, que era só achar quem tratasse bem ou batesse um pouco que ficava grudado no celular esperando resposta. E agora nada. Nadica. A maior demonstração disso foi quando superei o medo irrefreável de tirar o last seen do Whatsapp. Não tenho esperado mais resposta de ninguém e tenho tido pavor de responder alguém que não sejam os meus amigos. Ontem, por exemplo, eu peguei um ônibus lotado e um senhorzinho puxou assunto. Contou da vida, perguntou da minha. Monossilábica, meu senhor, é assim que ela anda. Nem escondi a intolerância e tratei logo de botar dois fones no ouvido pra me esconder do desconhecido. Reparei que a gente sempre faz isso na vida. A gente sempre abafa o que tenta incomodar a apatia com algum som familiar, com alguma memória preenchida ou com a desculpa de que a gente tá sempre ocupado e não pode prestar atenção. Eu, assim como um monte de gente, não quero sair da inércia, não quero sair daquele limbo sentimental a menos que alguém me puxe.
E isso me leva à outra questão: por onde andam essas pessoas que costumavam puxar a gente? Já falei sobre timing e sobre um monte de ingredientes pra equação, mas nem exijo amor, não. Uma história à toa, por menor que seja, só pra não lidar com o egoísmo da solidão. E nada de aparecer alguém que dê match na vida real como a gente dá no Tinder, ninguém que faça a gente ter vontade de continuar um papo tranquilo sem cobrança, mas com vontade de continuar. Quando falo em gente interessante, me refiro única e exclusivamente a quem se conecte com a gente de verdade, para além do mundo virtual e dos telefones da vida. Outro dia perguntei pra um amigo se ele sentia que as pessoas interessantes tinham sumido e ele disse que sim. Mais uma corja de amigos recém-separados e na mesma faixa de idade responderam o mesmo. E isso me faz pensar se a gente é que ficou desinteressante ou se o limbo emocional – nossa casa constante com o passar dos anos e dos relacionamentos – acabou tornando a gente mais exigente e maduro. Ou se realmente anda difícil encontrar conexão emocional numa época em que os aplicativos de pegação, a variedade de opções e a falta de tempo costumam transformar em instantâneos os relacionamentos que já estavam se tornando efêmeros.
Daqui do limbo as coisas vão de mal a monótonas. Cada novo encontro mostra que a barra de compatibilidade do last.fm tá quebrada. E eu já não sei mais se é a gente que deixou a coisa da conexão emocional se apagar por conta do momento, da apatia, da vontade interna de manter as coisas caladas ou se o mundo não tem proporcionado bons encontros com gente interessante – que deve andar escondida. Ou nós mesmos nos tornamos desinteressantes pela apatia. A única coisa que sei mesmo é que o Arnaldo Antunes nunca fez tanto sentido como hoje. Enquanto eu escrevia esse texto, um trecho dele martelava na minha cabeça, no meu limbo, na minha falta de interesse: “Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha”.

-Daniel Bovolento

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Por Graciliano Ramos:


"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

domingo, 13 de julho de 2014

500.


Por K. Fireman, Q. Policarpo e Ele.

 O quinhentismo foi um movimento literário atípico, isso mesmo, muitos historiadores, especialistas e grandes estudiosos não costumam aceitar tão bem essa tal ideia. Contudo, os livros mais modernos aceitam por mostrar uma grande objetividade em suas explicações.
 Os que negam dizem que como não há núcleo definido na manifestação, não há idealismo ou informação relevante, não pode assim ser levado como movimento literário, passagem expressiva da literatura brasileira. Os que afirmam dizem que historicamente marcou o início do país e assim percorreu uma leve variação em seu conceito, sendo finalizado após a independência.
 Como você sabe, o Brasil foi "descoberto" pra lá de 1500, por isso o nome Quinhentismo, e suas principais fontes de confirmação da fase informativa era exatamente a informação. Os documentos oficiais como diários de navegação, cartas expedicionárias, relatos dos viajantes, tudo aquilo que dava alguma informação válida do novo continente aos portugueses, e logo ao todo europeu. A fase informativa foi marcada por uma vasta manifestação da descrição. Pero Vaz, Pero Magalhães, Hans Staden... todos eles narravam sua cota de Brasil ao longo de suas jornadas. De animais estranhos com vislumbre mítico, plantas multiformes, cenários paradisíacos, até habitantes exóticos desprovidos de cultura.
 Portugal viu aí sua forma de expandir o catolicismo que estava sendo oprimido pelo protestantismo. A Igreja tinha uma saída, Portugal um quintal cheio de coisas novas e exclusivas. Só navegavam com autorização de Portugal e Espanha, mas os lusitanos eram melhores em suas construções navais, tipo os Gregos nas eras romanas. Então, baseado na antiga síndrome de Carpe Diem eles foram arrancar todos os recursos do continente maravilhoso.
 A fase jesuíta foi expressiva na santificação e exploração da divindade aos indígenas. Sempre presentes os autos, versos, cantos e peças glorificando a imagem de Deus, os caminhos da fé católica aos pecadores mortais. Os santos, anjos e palavra santa era o que vogava naquele período. Brasil tornou-se um grande centro de exploração ambiental, e um recrutador de fiéis. Claro, tudo isso jorrando sangue, escravizando nativos e impondo a cultura européia aos que aqui nada sabia. Jesuítas eram homens de Deus, Deus por sua vez era a coroa portuguesa, esta mandava e desmandava no que tinha que acontecer. Afinal de contas o Brasil era apenas um recurso adicional. Padre Anchieta, conhecido hoje e até mesmo santificado, ficou famoso por ser o líder Jesuíta e um dos que tentava sempre apaziguar as rivalidades dos homens brancos versus homens ignorantes. Talvez essa facção de religiosos tenha visto o que realmente era amor ao próximo e tentava convertê-los por mera ignorância da época.
 Depois de 1822, independência do Brasil, os homens de cultura buscavam mostrar a integridade do brasileiro, tentando assim captar sua essência verdadeira, surgiu por fim a fase romântica. Ao enaltecer o índio como herói brasileiro, os românticos cultuavam a imagem do verdadeiro brasileiro, aquele massacrado de outrora, e não os cheios de pompa e maquiagem, o verdadeiro Brasil foi arcabouço de inverdade e injustiças desde sua origem, mas na fase independente onde a coroa deveria finalmente cair e dar vazão ao povo e sua voz, nesta mesma fase de transformações geopolíticas, a literatura cuspia na cara da sociedade que nenhum deles de fato poderia gritar Sou Brasileiro com tanta certeza.
 Os quadros marcavam os acontecimentos passados, ora por honra, ora por culpa. Os íntegros tentavam demonstrar o real fato do selvagem ser o mais culto, ao mesmo que os mais cultos tornaram-se selvagens por ego. A literatura de fato nasceu aí, Quinhentismo propagado de oficiais até civis memoráveis, Ubirajara e Iracema, romances onde o brasileiro era a própria fé.
 Século XXI, precisamente 2014, copa do mundo. Se antes o brasileiro buscava um herói nacional para confrontar os europeus escravizantes, hoje não seria diferente. O herói é o mesmo selvagem, mas agora ele está um pouco diferente. Jogador de Futebol, nas capas de revistas, jornais, adesivos, músicas... o herói brasileiro, ou apenas sua representação personificada perante ao mundo, nada mais é do que alguém que não sabe das próprias origens, não sabe para onde vai, só se importa com o hoje e o agora. Mandado pela ganância de ter, ele se vende às publicidades mais diversas. Sempre acreditando fazer o melhor para si. O índio não sabia bem o que ia acontecer, mas confiava nas palavras dos mais cultos, hoje eles (brasileiros) acreditam nos mais cultos sabendo não muito bem o que vai acontecer, mas vão porque estão em vantagem.
 O brasileiro. Raça que sofre desde cedo em sua maioria, sempre com o sorriso no rosto para as desaventuranças do mundo, meio apaixonado pelo ciclo dos antigos, sempre esperançoso de que tudo vai melhorar. O brasileiro. Povo, nação, população que não tem o mínimo de conhecimento eleitoral, que vivem no marasmo de sobreviver, o povo que sempre se deixa ser levado pelos que sabem.
 Sou patriota, mas não tenho orgulho do meu país. Segue: Patriotismo, do grego patriótes (patrício), é o sentimento de orgulho, amor, e devoção à pátria, aos seus símbolos (bandeira, hino, brasão, vultos históricos, riquezas naturais, e patrimônio material e imaterial). É razão do amor dos que querem servir o seu país e ser solidário com os seus compatriotas. Ao longo da história, o amor à pátria vinha sendo considerado um simples apego ao solo. Tal noção mudou no século XVIII, que passou a assimilar noções de costumes e tradições, o orgulho da própria história e a devoção ao seu bem-estar. Através de atitudes de devoção para com a sua pátria, pode-se identificar um patriota.

 Serei eu patriota apenas quando se tratar de esporte? Ou serei eu o tal patriota quando negar e apontar a corrupção, das menores às maiores, quando agir de bondade e humanidade com o próximo, quando tentar educar aquele que não teve condições, alimentar o faminto, agasalhar o mendigo, cuidar do moribundo... O que é ser patriota em uma nação sem identidade?
 Quem é o brasileiro? Para a mídia, é aquele em que vive do sustento do salário mínimo, aquele que acorda de madrugada para trabalhar na casa de uma família "superior", brasileiro é o sorridente que sabe que está fodido mas não liga, teve o ensinamento que a política é um antro de ladrões e que isso nunca vai mudar, que a saúde, educação e segurança se alternam nas problemáticas e paralisações. O brasileiro é este que não investe no aprendizado a não ser que seja estritamente necessário, afinal de contas quando não estão trabalhando e gastando horas de suas vidas em transportes indignos, apenas querem curtir suas famílias e sua casa, que por sinal raramente é própria.
 Quem é o brasileiro que sonha alto, em ter a casa própria, em ver os filhos homens de bem, mulheres determinadas, me diz: Quem é esse brasileiro? 
 Para se controlar um povo já é sabido que basta tolher um dos elementos da Tríade do Desenvolvimento: Educação, Cultura ou Economia. Percebeu que todos são relações sociais? Pois bem, se você pergunta pela segurança ou saúde basta tomar de atento o principal e revolucionário fator Educação. Quando se tem uma educação de qualidade, ou seja, adotar um política de expansão do conhecimento fazendo com que a mesma teoria se desenvolva nos seres presentes e façam-nos detentores de reflexão, estes iram sobrepujar os limites oriundos de um passado massacrado e terá uma visão sistêmica do que é a sociedade. Um conjunto de valores e crenças que se perpetua em um povo, assim a valorização da cultura é desenvolvida e juntos deles a própria Economia. Contudo, isso tudo é utópico enquanto esta mesma sociedade se limitar ao comodismo preguiçoso de olhar para o próprio umbigo. 
 A economia não se desenvolve sem educação. Girará em contínuo declínio maquiado pelo bolso parcelado em prestações. A cultura do jeitinho que apenas me beneficia continuará sendo o pleno favoritismo, colocando os campos de trabalho nos típicos Com Indicação, e logo o mérito de se esforçar e criar um arcabouço de conhecimento será frustrante no fim do dia. Quem ganhou a vaga foi alguém que conhece alguém, nepotismo ou não, já ganhou. Daí eu perderei tempo estudando ou me dedicando ao mais fácil? Será mesmo que amanhã o dia será melhor? Bom, melhor pensar no hoje, porque eu ainda tenho coisas para fazer.
 Passam anos, décadas e o povo continua na mesma. Querem evoluir, tornar um melhor povo, com melhores condições de moradia mediana, educação suficiente, saúde de mínima qualidade e prestação humanizada dos serviços públicos. Finalmente as pessoas serão pessoas e não apenas seus números numa fila para atendimento. Talvez assim elas não pensem que a política e democracia sejam algo que os espertos inventaram para poder viver milhonariamente as custas de um povo que apenas pode sonhar porque é de graça. 
 O problema do povo é o próprio povo. Se quisessem mesmo mudar já o teriam feito. Fazem isso quando querem, criam Ongs, ajuízam ações através do Ministério Público, mostram nas mídias quais as mazelas in loco.  Apenas quando querem, geralmente quando afetam diretamente a si. O problema dos outros são dos outros. Esse é o espírito patriota que vem lá de longe, talvez uma herança Portuguesa, talvez consequência de uma cultura falida, talvez pela má educação, talvez pela economia que não investe, que não economiza.
 De fato tudo isso acontece e você ainda quer que meu herói seja um jogador de futebol porque somos o país do futebol? Meu herói ninguém vê, ninguém o conhece, ao menos por agora. Meu herói é meu espírito de mudança e aos poucos eu mudarei o mundo. Você pode rir ao pensar que eu nunca poderei mudar nada que seja notado, talvez você até tenha razão. Mas com certeza eu conseguirei bem mais que isso, e você não notará, pois a minha missão é ser imperceptível.
 Rico nunca serei, feliz já sou faz um tempo.
 Meu herói sou eu mesmo, e minha jornada está apenas começando.
 E você?
 O que te faz querer o infinito?
 Quem é o teu herói?








Apenas o céu

Foto por @sanamaru O amargo remédio se espreme goela abaixo, a saliva seca e o gosto de rancor perdura por horas. Em vez de fazer dormir ele...