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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

It's Fireman, Bitch!


     Vai dizer que não sou bem-vindo? Mas é óbvio que sou!
     Sei bem que você sente a minha falta por mais psicotrópicos que tentam me deter, porém de um jeito ou de outro estarei sempre por aqui. Divagar, de vagar, vagar. Na espreita do momento certo para um entrada triunfal, mas não se engane, não sou tão orgulhoso quanto meu poderio demonstra. Só quero ver o bem de todos... e unicamente o meu.
     Fico feliz em saber que deixei de ser Id para ser um complexo próprio, uma outra pessoa na verdade. Isso me dá toda a liberdade de ser e fazer o que Eu quiser, tal como qualquer outro, isto é importante porque o mérito é meu. Não é uma desculpa, uma fuga, são ações muito bem planejadas e espontâneas que advém da minha personalidade, muito diferente do meu Receptáculo. 
     Outro lado bom é que fica mais fácil ter acesso ao externo, não preciso espreitar por entre a realidade para falar nada, fazer nada. Agora temos nossos espaços delimitados, tá bom eu tenho que concordar que aquele nosso trato foi bom para ambos, eu só não queria ser minimizado, isso não me faz uma pessoa diferente faz? Talvez receosa pela própria capacidade, afinal sabemos que eu sou todo o seu potencial registrado em cálidos (des)prazeres, sou ápice de tudo aquilo que você tenta ser. 


     Tenho planos traçados para nossa felicidade, e como bem sabemos é só aguardar o tempo passar e visualizar as variantes. Garanto que dessa vez não passaremos por provações designadas pelo determinismo como no ano passado, onde tudo não foi mais que uma retrospectiva de Déjà vus cíclicos e meus vários "Eu te disse". Acredito no fundo do meu brasal coração que as ondas energéticas que circulam nossos universos estão conspirando para um feito maior. Apoio aos amigos, suporte a família, trabalho, estudo e festas. Cada qual no seu pleno sistema temporal, sem alardes ou desajustes.
     Passo por aqui para dar boas e maravilhosas vindas ao ano de 2013, ano o qual tudo se reestruturará em ordem. E enquanto meu ócio não invalida suas tentativas, estarei por entre vós, aguardando a precisão do arquétipo, e nesse trabalho de Sorte ou Revés, quem sabe no futuro possamos ser apenas um? Uma fusão em disparate.
     Ainda espero que um dia você consiga olhar fixamente para as chamas sem medo de me ver, sem temer a invocação.


     



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Melhor Morrer Sob As Cobertas Só Que Viver Sem Ter-Te Descoberto.


     Preciso te contar o que vai nos acontecer de hoje em diante, e até o fim. Assim será, ouça. Vamos acordar e a cidade estará devastada, escombros dessa guerra maldita, não haverá água, nem pão. Estaremos destinados ao devastamento, primeiro do corpo, sucumbindo às faltas de tudo o que nos alimenta. Em seguida virá o desmantelo da alma, quando nossos pensamentos começam a sabotar o que temos de melhor e nos presenteia com dúvidas, que não cicatrizam, dúvidas não cicatrizam, nunca. Já com o corpo e a alma em decomposição, nos olharemos sem nada do que temos hoje. Espelhos vazios, colocados frente a frente. E a este dia, o reconheceremos facilmente, estaremos loucos, completamente loucos. Nos restará uma única chance. Isso que temos aqui, olhe, não olhe, não acorde, não se mexa, ouça apenas. Isso que temos aqui. Sei que gostas de dormir mais um pouco, de água com bastante gelo, de deixar a tv em qualquer canal enquanto pensa em outra coisa, em olhar escondido as mensagens que recebo no celular, em falar com sua mãe e seu pai por horas, da comida que faço, do banho muito quente e demorado, de viagens longas, estradas longas, pois também gostas da música que toca enquanto silenciamos fingindo contemplar a paisagem mas estamos simplesmente fazendo planos para o futuro, o nosso futuro, sei que queres adotar um filho, que tenha a minha tranquilidade e a sua vontade, que ele cresça saudável, que seja independente, que conheça Berlim assim que puder, que morar no campo é uma opção, mas não para essa vida, damos risadas disso o tempo inteiro, tu e os teus refúgios no campo. Mas entendo o signo. Sei que teu desejo é sair e buscar um outro refúgio. Que pensas na nossa segurança, na nossa vida e penso também, mas não quero mover-me se for um perigo. Melhor morrer sob as cobertas do que viver sem ter-te descoberto por completo. Te amo, como te amo, estarei aqui, estou aqui, sempre estive, obrigado, obrigado, te amo. Sei que teu desejo é sair e buscar um outro refúgio, amor. Pois ouça, quero que saibas que vou ser o teu refúgio por quanto tempo essa guerra maldita lá fora continuar, mesmo que não tenhamos água, nem pão. Nosso corpo pode até desistir, mas a minha alma cuidará para que a tua alma esteja sempre assim, serena, descansada, em paz.

In My Hand


     Não sei pintar quadros, não sou bom em falar publicamente, não sei dar nem estrelinha, fazer poemas ou poesias, não sou músico, nem autor musical, de teatro resta-me apenas a platéia, da película o assistir, da arte apenas as letras. Quantas letras.
     Dos sentidos projeto apenas o figurado e com detalhes lapido o surreal até ficar irreal, moldo com peculiaridades e crio um cena, cenário motor, retrofágico imaginário, logo encapsulo todo o sistema que se sucede e de pronto torna-se uma estória, de tantos contos que história se per faz. 
    Isso é o que tenho a oferecer: um traço, rabisco, esboço. Tenho em mãos aquilo que tenho em mente, espaço aberto e infinito, um complexo diverso e desperto, algo que regularmente atribuo como qualidade, metáfora da forma que vivo, uma fuga sagaz, um refúgio voraz. Meu universo.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Zephir


     Embora não tenha um milímetro do meu corpo com a culpa que busquei, ainda assim não encontrei razão para que você tivesse aquele diálogo tão informal e eloquente a beira do abismo. Agradeço desde já sua voyer participação em outro dia mais feliz da minha vida, acredito que estamos no número oito desde então.
      Mesmo sendo difícil aturar o fato de sua, ainda, existência, eu fico a mercê de suas nada delicadas aparições.

     "Tire os pés do chão e ponha os pés na vida." Você me disse escorando-se na bancada. Eu ainda olhei duvidando e sem entender fui, aos poucos, cedendo. Fora o que mais me encucou durante todo aquele trajeto. "O que você está fazendo aqui?" Levantei a sobrancelha. "Vim porque você precisa de ajuda." Você me respondeu dando um olhar para aquilo que eu não ousei contestar. "Eu não preciso de ajuda." Retruquei. Você ironicamente me olhou e eu senti que brotaria um sorriso sarcástico e brasal, logo destaquei minha sensatez.
     Entre caprichos e adereços íntimos, foi-se a noite como em um joguete de conversação e carinho, meio tributado por desejos insanos e emblemas de cores salteadas. E mesmo baixando a guarda vagarosamente, mesmo com isso você não ia, não sumia, nem sequer convalescia eu meu contento de não-observação. "Até quando você vai ficar aí?" Perguntei irritando-me. "Até quando você quiser." você me respondera. Respirei fundo e tentei imaginá-lo longe. Abri os olhos e ele continuava ali, parado, como se esperasse alguma coisa. "Não adianta, sou fruto inconsciente da sua mente, esqueceu?." Você me respondera tocando seu indicador em perfuração sutil ao meu ombro, senti naquele momento o calor que ausentava aquele recinto invadir meu corpo, arrepio e outras vontades correram livres por um breve momento.
     Lembro-me que deixei escapar um dizer parecido com "Estou ficando com calor". E então, não o vi mais por ali, até que tudo adormecera, você me puxou o pé e inquieto por sua presença e fuligem. E por mais poucos segundos ouvi você sem dizer uma palavra em troca, apenas ouvi um discurso, monólogo pré-existente de alguém que tinha muito para falar. Falou tanto e tão objetivamente que não precisou atravessar o espelho quando se fora, não precisou  esquivar-se entre as frestas, não teve nenhum aparato. Apenas abriu a porta e se fora.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Liverpool


  Tudo o que eu lembro são dos bons momentos, lembro do teu nome, do jeito que me fazia rir, mas não lembro do teu rosto. Lembro como é o teu gargalhar que até agora me faz sorrir, mas não lembro do traço dos teus lábios rasgando um sorriso em conversão do sério a um caloroso aspecto delimitadamente incrível de alegria.
   Lembro da forma de me imitar, mas a feição é turva, de nítido tenho pedaços. Um olhar, um mastigar, um fungado inesperado, nada que fusione em construção ao fisiológico ser. Poderia pensar que foi tudo um sonho, sozinho como o tédio, por isso o bloqueio ainda que tardio do teu rosto, do sentimento de agradabilidade que se congelava a cada som que subira garganta a cima e chamava por mim.
   Assim como uma outra vida, viajamos no tempo e espaço e nos deparamos com o som do mar fazendo constrição aos nossos dilemas. Pousados sob o céu riscado de neon, vislumbramos o que chamo de Liverpool. Um momento irreal daquilo que não podemos maquinar em vida comum, uma fuga ao paradiso sistema que é criado uma única vez, algo que nos remete ao superliminar desejo de nunca acabar. E fora ali que trocamos figurinhas, compartilhamos sonhos e dissecamos ilusões. 
   Engolimos o dia entrelinhas e estrelinhas começaram a ser prepostas no firmamento. Varamos o crepúsculo como uma sorte vista ao chão e embolsada com carinho ficamos ali, aos barcos e barrancos, costurando uma vida. Construindo saídas. E no limiar de aparato concluir, deixamos para trás tudo e nada. Fora apenas uma tarde em prosa, em calor e temor que o mundo pudesse nos tocar. Liverpool, um lugar onde só eu sei ir e voltar, um lugar onde eu adoraria te encontrar e sussurrar em teu ouvido: Como é bom te abraçar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Simplório


     Eu já sabia o que estava acontecendo, e por mais que eu não quisesse, ainda assim eu prevejo as coisas. Meus sonhos estranhos que mostram aquilo que eles escondem, as abstrações dignas de debates sem estapafúrdios dizeres, tudo na medida certa. Relevando os sentimentos e inquietações noturnas, esperei calmamente sair do olho do furacão. Sim, sabia que logo chegariam as tribulações, as fortes e impactantes atribulações que ainda açoitam o meu cortiço.
     Eu queria rir descontrolavelmente ao ouvir do patriarca as palavras que repeti em mantra e eles quiseram apenas protelar. Quando será que alguém aqui vai viver e projetar a realidade latente em vez de supor ou imaginar outras potenciais vertentes? Eu como pessoa esquizofrenicamente insensível deveria ser o ultimo a ter os pensamentos mais sensatos, mas o que vivo é o contrário absoluto. Friamente entendo o que é de meu poder, poder de outrem e o advento natural. Acredito que essa seja a trindade que funda a indulgência, pois como ser tão deliberadamente perspicaz de tal maneira a não crer no que está supostamente a frente sem uma mera indagação?
     Se antes não havia incentivo ou vontade de fazer algo para si, tal como correr atrás de novos ares, de projetar futuros brilhantes, imagine agora. Consegue? Eu não consigo. Atam-me em grilhões e me mandam voar. E sadicamente atendo a tuas vontades, sem brilho no olhar, sem vida a expirar, apenas faço aquilo que você quer que eu faça. Não há uma saída sequer. Vai ver fora isso que tanto aguardei, qual seria a justificativa de construir possibilidades se no fim estarei fincado no mesmo lugar, com as mesmo pessoas culpadas, como os mesmo problemas, mesmo tudo... Pra quê se esforçar ao fracasso? 
     Vamos apenas esperar que essa fase ruim passe e que possa voltar ao menos conturbado normal. Se bem que a primeira coisa que eu pensei enquanto segurava o gargalhar fora focar o mínimo de vida útil que terei no único sistema viável de futuro, a própria escrita. Esta que em tempo divaga por desmerecimento peculiar, do mesmo que após a gargalhada ser quase totalmente contida, sim porque ainda proferi um riso seco de sarcasmo, quase uma tosse maldita em contrabando de intenção, pensei furiosamente consigo que estava acontecendo novamente. O tempo passou e mais um vez não era a minha vez.
     Tive um surto vocacional e peguei as apostilas para a preparação da pós graduação, a felicidade encheu meu peito, um sorriso brotou e eu disse "vamos lá". Não longe dali vieram todas as verdades que eles tentaram suprir em descontento meu. Se fora outra oportunidade  pois eles contam comigo, como sempre o fizeram, não posso ir longe, tenho horário fixo os sete dias da semana, os trezentos e sessenta e cinco/seis dias do ano, pedem que continue sensato e responsável lá, pedem que eu tenha pulso firme e controle aqui, mas não pedem para que eu seja feliz em nenhum lugar. Não me deram uma gravata, me deram uma corda e a cada volta nesse nó me sufoco em próprias lamentações. Um suicídio assistido. 
     Me pergunto se é hora para surtar, sumir, fugir, começar, viver. E não há família que dê suporte, só há cobranças e cobranças, sempre que tento algo de melhor, me dizem que sou egoísta por deixar de lado coisas mais importantes, como as vidas deles. Não há companheirismo no atual relacionamento, e me pergunto até se existiu um, pois sempre sou a ultima opção, um escanteio mal designado que às vezes é levado em conta, e não é por falta de avisos que digo que estou cansado disto, cansado de ser sempre o ultimo, sempre o individualista, sempre a ovelha negra. Me vejo em ponto de explosão ou morte. Sinto a asfixia apertar minha proeminência laríngea, rarefeito se torna o ar em meus pulmões cheios de cicatrizes, o fôlego é ostentado com todo o rubor de saúde.
     Não há emoção, não há brilho no olhar, não há nada.
 Oco.
 Vazio.
 Vácuo.
     Seja lá o nome que você dê em troca ao decifrar aquilo que não habita no receptáculo de composto carbonado. O que mais fere são os comentários dos supostos que jogam-me nestas condições e como não sou de revidar aquilo que eles não conseguem entender, fico recolhido no meu próprio espaço, mesmo que imaginário espaço de conforto íntimo. E é aqui, no sereno logo abaixo das traves que intercalam as constelações, é aqui que sinto o frio que emana do invisível percorrer o meu corpo e acender o d'Ele. Por mais que não fale, ele continua por perto, observando e hoje, diferente dos outros comportamentos, Ele ficou aqui do meu lado, sentado ao chão, sujando-o com a fuligem que cai de seu corpo brasal. Mesmo que ainda ao estalar de dedos fagulhe o inesperado, não creio que seja momento oportuno para ele voltar, e Ele sabe. Agora é a minha vez. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Bug's Life


     Se um gafanhoto falasse com você, o que acha que ele diria? 

"Voilà" disse ele apresentando-se. Olhei bem para aquele caricato inseto e de todos os ângulos ele aparentava ser bem real. "Você falou comigo?" indaguei desacreditado e ele, lentamente, sorriu para mim. "Isso é um sim?" pensei retoricamente.

     Tudo aconteceu tão inacreditavelmente que ainda me pergunto qual o motivo daquela tarde em prosa, não me questiono se as coisas são verdadeiras ou não, apenas me pergunto qual o motivo, razão ou circunstância. Isso mesmo, não me incomodo em falar com coisas, animais ou si próprio, já que cada um acredita no que quer, por quê não?
     Tem gente que acredita em Deus, Deusa, anjos, demônios, exús, fadas, duendes (muito embora eles sempre mintam), acreditam em si e nos outros, acreditam que as coisas vão melhorar, ou que as coisas não podem piorar. A crença advém do ser e sua projeção é única, mensagem. Não importa se o cosmos se comunica contigo por vias diretas ou indiretas, atente a mensagem a ser transmitida.
     E foi assim numa quente tarde de primavera, em conversa com um saudoso gafanhoto que me encucou com suas polidas palavras e carinho tímido. Conversamos sobre algumas pessoas e nada mais que isso, fora um verdadeiro arrancar de memórias e aposições de peças no quadro sistemático de valores. Daí, entendi o que fazer a partir daquele momento. E foi um modesto e bem verde gafanhoto que me mostrara o caminho, seria um gafanhoto meu novo guia?
    Sendo ou não sendo, rezo que possa encontrá-lo de outra vez e contar como estão indo as coisas, ou pelo menos dar um "bom dia" ou perguntar se está tudo bem com a senhora sua esposa e seus três filhos. 

     
  

     

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Lana Del Rey



     É incontestável a premiação súbita de melhor álbum para a estreante Elizabeth Woolridge Gran, conhecida no mundo artístico como a incrível Lana Del Rey. Veio até mim em meados de Janeiro, mas apenas condensou no meu paladar sonoro através do tempo, bem como firmou presença no mundo Indie, e por muita sorte não empacou com Video Games na novela das oito. Iam estragar a jovem Lana como fizeram com Adele, que até versão tecnobrega já tem.
     Já que lançaram a versão Deluxe Mega Power de seu álbum, resolvi mostrar o quanto ela me atingiu. The Paradise Edition é de fato o maior sucesso do ano no meu player, com quinze dias de lançar no mercado já tinha adquirido no iTunes, e as músicas que eu já tinha do inicial disco Born To Die foram somadas, mescladas ao inimaginável universo do seguimento lírico de suas canções.
     A melodia me chamou atenção por lembrar Don't Cry For Me Argentina, mas depois se fez atual. A voz marcante que arrancou arrepio do meu corpo roubou minha atenção pela letra mais que gritante, do que eu passava naquele momento. Eu tinha plena certeza que não fora coincidência, pois eu sempre soube que aquilo ia acontecer, era a única certeza que Nasci Para Morrer. Agarrado por uma leve esperança, aquele sopro de sentimento era alimentado com ilusões semanais, degradando assim tudo que um dia habitou meu ser. Apenas rezava para que o que era verdade dentro de mim fosse demonstrado por ti, entretanto infantilmente você matou, usando uma lupa de falsas promessas, a formigável amizade, o que eu mais te pedi para não fazer. Lana me mostrou que a estrada pode ser longa e que devemos nos divertir, daí entendi que tudo nasce para morrer e que o amor pode não ser suficiente; de forma inteligente devemos aproveitar todos os momentos, como um carpe diem rezado em coro para que tudo dê certo e que no fim do dia possamos respirar fundo e adormecer. 
     Ri quando percebi que isso não importava, já que o infantil era tido como perseverante e isso não me atraia, já era condenado ao fracasso desde sempre. Eu te falei outrora. Soube que deveria procurar algo que me confortasse, algo que fosse compatível e, apenas por isso, fiquei Fora Das Corridas. Não importava meu passado fracassado ou meu brilhante presente, apenas tinha em braços as melhores histórias  e brilhantes objetos de consumo, queimava meus quadris em fricção ao desejo e minha boca sempre aberta esperando um beijo teu. Era louco, eu sei, desculpa por tudo, mas não poderia ficar nisso por muito tempo. Você era confiança em pessoa, eu não tinha medo de nada, eu desejava-te, e amedrontado ia em tua busca e sempre fui recebido de braços abertos para mais uma noite de estrelas ou ensolarados dias em felicidade. Acredito que te amei mais um pouco que a mim naquele tempo. Não tinha medo. Não tinha.
     Algo tinha que dar errado, eu sabia. Mas não partiu de mim, fui inocente. Você não sabe o efeito que tem sobre mim. Me cobriu melhor que qualquer cobertor, me usava depois de agitar, passeava por todos os lugares, principalmente aqueles no qual eu criava. Mesmo assim não foi suficiente. Não era dinheiro, não era amor, era algo maior que nós dois. Doeu. Você procurava em outras pessoas aquilo que você nunca encontrou em si, suprindo assim, por meros momentos, uma sede que nunca existiu maior. Mas eu estava lá, sabia que ia continuar morrendo por dentro vendo você sair pela calada da noite, rasgando outro corpo com o teu desejo e tocando outra pele que não era a minha, você lembra disso? Lembra que você saia com aquele Jeans Azul e camisa xadrez em procura de satisfazer-se? 
    Pois é, eu ainda lembro.


     E como eu gostava muito, afundei sozinho nessa. Porém, não me atrevo ao arrependimento, não mesmo, já que não tenho perspectivas em cima de ninguém, tanto numa segunda quanto em um sábado, o corpo é comandado pelo cérebro e neste não há ressentimentos tampouco frustrações. Mais uma história chegou ao fim, tudo nasce para morrer e aqui eu aproveitei o máximo que pude. Passou-se o tempo, houve dias tristes e alegres, aconteceram mil coisas e passaram muitas pessoas por mim, não me atentei aos nomes, aos lugares, a nada. Tudo era muito latente, desde o teu cheiro que emanava tipo brasas em meus travesseiros, até o mesmo lugar no cinema, poltrona 15 e 16 da fila E. Acredito que esse mundo é feito para dois, bem como o meu Video-Game que jogávamos por horas em busca de tesouros e matando monstros. Player 1 e Player 2. E essa abstinência roubou cena por muito tempo dentro do meu peito, sempre imaginando que ninguém poderia ser melhor que você, pois você era minha cara metade, mesmo me beijando na escuridão jardineira, dirigindo por ruelas que abrigavam o perigo, comprando coisas que já tínhamos aos montes. Agora eu sei que tinha que ser você, era tudo você, eu não te disse? Seria difícil de acreditar quando chegasse ao fim, queria fechar os olhos ali e ao abrir ouvir "o que você quer fazer agora?"

     Lembro do susto que eu tomei e a euforia que entrelaçou minha curiosidade ao receber uma ligação tua depois de tanto tempo, tanto tempo sem nenhum tipo de comunicação. E tentando parecer normal conversamos por poucos infinitos minutos e ali eu soube que não era bom para mim. Você acha que poderia ficar apaixonado para sempre? Leviano e infantil. Por mais que outrora te quisesse, ainda assim eu sabia que não era o melhor para mim. Por isso não marquei nenhum encontro, nunca esbarrei sem querer para uma casual conversa, simples matei aquilo que havia de pior. Não queria carimbado em mim o teu selo Diet Mountain Dew , selo de escape,  de possível passa-tempo como você sempre faz, não é saudável para ninguém, por mais consolador que seja para um ou outro. Segui o conselho de alguém próximo ao outro lado e apenas me afastei do que me fazia mal, do que consumia um sorriso meu.
   E o destino se fez presente com seus pseudópodes sociais, acatou uma ordem maior e me introduziu ao mundo que tanto evitei. E em provação e análise combinei os momentos mais intrigantes das ultimas décadas, um misto de medo e receio com alegria e impulsividade. Encontrei pessoas passadas, conheci almas novas e fui convidado a participar de inexplorados mundos. Tudo com seu melhor instinto natural de vivência. Isso me deixou a par do monetário mundo do social, é trabalho e gasto dinamicamente falando, o que quer dizer que o dinheiro é a razão ao qual nós existimos, isso é um fato. Sempre procurando se sobrepor e ser o melhor, me vi como nos nos 2005-2007, onde tudo era aparência e eu tinha que provar que era o melhor, mas não sabia como, já nessa época, esses últimos meses eu sabia que era o melhor, mas não sabia como. Em acolhedor prelúdio da vida, acompanhei o crepúsculo ao som do Hino Nacional que sussurrou em meus ouvidos, dando cores diversas a minha nova vida. Não supérflua, mas a característica demasiado misteriosa.



     


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Windmill



     O embaçado se fez na visão, dilatou-se a mente e turva fez-se a realidade. Imersão. Girava em alegria de si o colorido e saudoso acolhedor de brisas, ouvi o sopro anunciar teu nome, e dali avistei o desentranhar de uma vontade antes adormecida em esperanças. Teu nome cintilou nos conta-tempos, caminhou entre as traves que ascendia em felicidade, sombra se deu para acalmar os ânimos e num arrepio, vibrou meu instrumento de comunicação.
     A música que vinha dali era tão familiar quanto a ronquidão dos carros lá na rua. Era uma simples mensagem de texto, provinda de um tempo qualquer, e dilacerada por simples algozes que se dizem gostarem de ti. "Sinto sua falta" dizia esta. A ventania gritou meu nome do lugar mais esquecido da terra, o cheiro amadeirado no ar me levou àquele lugar de onde me tiraram o sono. O campo aberto do teu meio sorriso.
     Vi o mesmo por-do-sol, ambárico e estático, como eu o vira da ultima vez. Vi também os campos de centeio que cultivávamos outrora. Estava tudo lá, do mesmo jeito. Mas ouvi alguém chamar meu nome e a cada ressoar vibravam cores daquele lugar, ora vívidas, ora opacas. Senti que não era para minha pessoa estar ali, não mais. O calor era sabido e me conduziu automaticamente para a realidade. "Acorda-te" sussurrou ele.
    E de fato acordei, o nítido era tenaz, o barulho de tudo estava novamente ali, tal como o irritante som do furta-vento. Olhei para o eletrônico que jazia sob minhas pernas e nada vi de diferente, apenas uma digital. Uma marca em combustível sólido de cor negra, resultante da combustão incompleta de matérias orgânicas e que encerra uma proporção elevada de carbono.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Em Chamas



     Me pergunto, entre dentes cerrados, quando a vida vai começar, quando o hábito deixará de ser fato corriqueiro e passará a ser sonho, quando o fim de semana for tão almejado quanto o dia de pagamento. Quando serei comum? Dando os mesmos simétricos passos em direção à frente, não importando a tabulação, será sempre à frente. Quem sabe assim o risco tome conta.
     Sinto as imagináveis nuvens a minha cabeça, o terno som do mundo ao longe; movimento, vida, mundo. Como se daqui de cima eu fosse inalcançável, inatingível, inalienável, inacessível, ina... ina... inacreditável. Confesso verdadeiras as palavras de algum autor que não tive a oportunidade de plagiar, mas que de muito areou minha cabeça que vagava por mundos moribundos, algo que ele me disse em tom rouco e trêmulo, com suas palavras agressivas e densas: Deixe Queimar!

     De início olhei estranho para ele, mas minha atenção fora roubada pela sensação ardida que vinha das palmas dos meus pés. Na plataforma onde me encontrava, de madeira bronzeadamente maciça, a ordem sutil daquele ser que eu já não encontrava com o olhar, ecoara em minha mente. Ora ordem, ora titubeio. Não havia nada aos meus pés, apenas a plataforma, e as cores vivas das chamas que fugiam do núcleo terreno, mas só havia calor, nada mais. Aquecia, mas não machucava, O que seria aquilo?
    Em volta, o meu conhecido mundo, abaixo apenas uma figuração daquilo que pensei ser verdade, mas era apenas a minha voz, ou melhor, era a voz d'Ele. Conheci por sentir a pele vibrar em arrepio que correu espinha a cima, como um estalo terreno que sobe tateando as superfícies possíveis, senti a presença do bem e do mal, do certo e errado, mas o que dera certeza de sua pessoa fora o Ímpeto. Sentimento trespassante que adrenalizou o peito, sensação de bravura e determinação; era Ele.
    "Deixe queimar!" vulgarizou meu paladar, perpendicularizou valores e emoções, deixando o caminho livre para qualquer atitude e consequência. Mas, por que eu levaria em conta o desejo de um arquétipo? Sei que o lugar d'Ele está bem reservado e é eloquente em até certos pontos, embora demasiado surpresa me trouxe ao ouvi-lo dentro de si. De tanto pensar nada fiz. Vi as os tentáculos alaranjados subirem pelas frestas da madeira, eles buscavam algo que nunca tocaram, eles buscavam os meus medos. Sabia disso porque não veio fuga em mente, mas sim, a mente em fuga; Desligar-se do real era a única forma de sentir-me de verdade e fora assim que acontecera, mas fi-lo sem pensar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Feeding


      E foi naquele momento que eu soube o que era o certo a se fazer. Estendi minha mão ao vazio, abri palma em fulguras desprovidas de sutileza e entreguei ao acaso tudo que eu poderia oferecer. Esperanças. Todos os pássaros de ilusões se aproximaram temendo uma captura, mas aos poucos adquiri a confiança deles, aos meus pés o chão da verdade e sob a cabeça, pequenas aves em confusão.
      Foi um momento de aceitação. O vento sutil sussurrava em gratidão ao mesmo que os pássaros cantarolavam em contento da alimentação, e assim foram revezando os bicares em palma estendida. Sentia na decência aberta os pequenos beliscos de sofrimento e insegurança, não me chegavam a incomodar, o que já era previsível, porém eram seguros de si e vazios de outrem, o que me fazia contar todas as bicadas e me questionava em retorno o porquê de insatisfatória alegria.
     Acredito que nunca saberei ao certo quantos passarinho se alimentaram do meu carinho e compaixão naquele dia, mas sei que eles ficaram satisfeito ao menos por um dia, extensionista em desvaneio para pelo menos uns dias daquilo que eles tanto buscavam, alguém para alimentá-los. Não sendo vil em pensamento, mas creio que eles não se importavam na alimentação, vi em olhos curiosos e opacos que toda e qualquer migalha era uma nova experiencia, era o supra-sumo da habitual convívio.
     E após terminar a micro refeição do meu eu, eles ainda rasgaram meu contorno em procura inválida de mais. Eu tinha muito mais no bolso, mas não o tipo de alimento fragmentado que eles queriam, pois de tanta fome eles já não sabiam o que eram bom ou ruim, ou até poderiam saber mas de nada importava, só queriam se alimentar de algo. Só queriam uma mão estendida para eles, e saber que ali eles eram queridos.
     Fechei minha mão lentamente pois ainda havia pássaros tentando bicá-la. Aos poucos eles viram que dali não iria surgir mais nada, mais nada que os não trancasse da liberdade limitada onde eles se encontravam. Pousei minha mão de volta ao bolso da vida, lembro-me de sentir grãos de amor, e estes eram ternamente quentes e convidativos. Caminhei lentamente para longe dos olhos daqueles seres que voavam em bando de sentimentos, para todos os lados em busca de algo. Via sempre um ou dois ir ao chão, mordiscavam algo e voltara aos céus. Percebi que meu bolso do peito estava furado, deixando migalhar de saudade cair.
     Os livres pássaros ficaram para trás e logo eu saíra da gaiola em que eles mesmos criaram, era grande o suficiente para dar segurança e controle, mas era tão pequena que eles acabam circulando no mesmo céu, ciscavam no mesmo chão, e adormeciam nos mesmos galhos. Entendo porque eles deixavam visitantes comuns entrarem de vez em sempre naquele viveiro, era para ter a sensação de liberdade vivida em adorno do impossível, simples alimentação provinda de outras mãos sem ser aquela que vos alimentara.



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A Primeira Noite do Segundo Sol.


      Em ganância do próprio ego, esqueci de como eram as cores do dia. Lembro sempre do que ficara marcado em mim, tenho em mente aquilo que aprendi a vislumbrar, todas as cores alaranjadas do fim do dia. O laranja riscando o céu junto ao violeta, era o âmbar igual aos teus olhos, e assim aprendi a valorizar o momento em que quase sempre estávamos juntos, o pôr do sol.
      Em princípio do oportuno mês que me abraça em aniversário, fui convidado ao inesperado. Observar as estrelas como na adolescência, com conversas agradáveis, teorias e até cochilos. E ali eu vi o dia acordar, junto à cidade que roncava em sonhos. Em pontos fixos as estrelas brilhavam, não havia lua, não havia pressa, não havia nada além de nós dois. Acredito que nunca tinha observado a marcha das nuvens vindas do horizonte, o quase amanhecer fabricara tantas nuvem que cuidadosamente invadiam os céus em púrpura. Ventava muito, mas elas continuavam pacíficas, eram tantas e tão separadamente juntas que merecia mais que uma recordação, poderiam ser fixadas na sala de estar em molduras em vidro.
       O neon alaranjado brincava ao céu claro de cor mostarda, o púrpura era sopro boreal em circulação entre nuvens. A cidade calmamente dormia e nunca poderia sonhar com tais cores, tudo vibrava em som de mar apaixonado, tão amável quanto o abraço que me contornara e abrigava meu corpo combatendo o frio. O dia acorda preguiçoso, bem devagar, para não assustar a quem ainda dorme e logo as nuvens começaram a correr dia a fora. Já não estavam tão próximas, distância se fazia no céu ainda vibrante. Era deserto na calçada, na areia da praia, no mar refletindo o céu, no horizonte e em meu peito. 
     O horizonte era extensão do oceano que parecia terra longínqua e sedenta por um amor. Não vi ali um céu que conhecia, mas uma visão do contrário que via à minha frente. Em meio as areias do tempo antigo, à frente um mar revolto em atenção, e logo acima uma paisagem de cores quentes e aspecto árido. Me peguei indo até lá, naquele deserto de cores fortes e de abrasivo sentido, mas não perguntei se você também poderia ir onde eu estava indo, fiquei com medo estar distante mesmo estando perto, como sempre fora.
     Depois de um longo dia primeiro, cheio de trabalho e angústia, assisti de perto a primeira noite do segundo sol, vi os primeiros raios de sol rasgarem as escuras cortinas da noite. Admirei o dia acordar ao som do vento que sussurrava em ouvidos, tendo a certeza que estava feliz, senti a vida arder sem explicação. Tentei te explicar, desenhando no ar o que eu sentia, apertar teus braços para se aproximar mais do calor que me surpreendia, e antes que eu visse você disse o que eu não podia acreditar. O sorriso cobria minha face como se fosse apenas isso que eu fazia para continuar vivo, o meu sorriso foi o mesmo que eu trouxe do deserto íntimo que percorri só para saber se existia algo além do horizonte.
     Explicação não tem, mas vi algo além do horizonte. E é justamente isso que trago no meu olhar.
     

     

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Blink



       Em um piscar de olhos tudo acontece, inclusive o impossível. Melhor dizendo, não seria impossível, mas sim uma subjetiva possibilidade remota da invariável e quantitativa realidade alterada e fugas. Pode até nunca acontecer fisicamente, mas em um mundo de infinitas possibilidades, já aconteceu. Isso sem precisar de muito esforço, bastando apenas fluir o 8º Sentido, a imaginação.
       Tornando-se real qualquer forma de interação sensorial e emocional, em um simples piscar d'olhos o real se aprofunda em um mundo de incríveis façanhas e extensionistas objetos. Apreciando esse momento com soberba apenas será uma visão conturbada de um pensamento qualquer, tolo este que não remete o instante sem fim para a alusão de uma ideia importante, teorema decifrável da incógnita que se per faz no subconsciente. 
       Não desperdice uma epifania com ideias conjecturadas em concreto pensamento habitual de vivência supérflua. Arrisque, ouse, abuse da distração. O acaso pode surgir do nada, e pode passar pelo mesmo se você não atentar por ele. Não banque o bobo ao rir de idéias que não te convém, o que pode ser impossível para você, pode se tornar real para outrem e vice-versa, tudo é uma questão de perspectiva, e cai entre nós que a minha perspectiva é bem mais divertida que a sua.
       Seguro? Talvez nem tanto, mas o melhor desta abstração é justamente o surreal que acontece, tal como um sonho onde você não tem controle sobre a forma, tempo e paisagem, apenas segue um roteiro pré estabelecido por Deus-lá-sabe-quem e o sonho apenas acontece. E o motivo real disso tudo é que eu tive uma imersão no surreal, a película da realidade novamente se rompeu ao passar da faca sutil da introspectividade, o que resultou na ideia mais impossível de todas, a felicidade.
      Pode até não fazer sentido, mas para uma mente criativa qualquer palavra é um mundo totalmente novo, e esta, me fez crer em um universo bem interessante. Em breve, ocorrerá algumas modificações e quem sabe você não fará parte disto? Possibilidades... Vivemos em um mundo cheio delas.



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Fall


      Mais de 30 mil pés, foi mais ou menos a altura da minha queda. Ganhei asas no pico do abismo e quase me atirando, recebi o incentivo de voar. Avistei o profundo desfiladeiro aos meus pés bem antes de saltar, era longo o caminho ao chão e exitei em saltar, pois sabia que uma hora ou outra aquilo ia dar muito errado, e por mais marcas ardidas das ultimas asas que queimaram em desalento, pulei.
      Saltei como em uma competição e sem olhar para baixo fui logo abrindo as articuladas asas da esperança, vi meus sonhos esticarem a penagem esbelta feita com esmeril castanhar. Acreditando em todas as boas coisas, fui impulsionado para cima, o pós nuvens era tão atrativo quanto o crepúsculo romântico que vira do infinito. Percorri riscando o céu de alegria e insegurança, sentia o chão tão perto quanto a crença que isso duraria muito.
      Logo o sol radiante começou a arder mais e mais, meus rodopios entre nuvens não surtia mais efeito para resfriar as minhas asas de arco vultoso, sentir o vento no rosto era a melhor sensação de liberdade que já tive em anos e logo percebi o quanto estava contente por tudo aquilo. Passou algum tempo e ainda serelepe a brincar entre colossal espaço de ar rarefeito fui atormentado pela aquilo que mais temia, a suficiência. 
      E mesmo me vendo temer você flanqueou-me e ainda sorrindo arrancou-me as asas. Uma por uma. lutei para que você pudesse parar, para que pelo menos a deixasse e embora uma delas estivesse quebrada e eu estivera perdendo altura, você se agarrou em mim e começou a rasgar aquilo que me dera. A cada puxada das minhas plumas de crença, o peito gritava em dor e tristeza, você sorrira por não mais querer aquelas asas e não as queria de volta, queria me ver sem nada. Mas naquela altura eu iria cair e você sabia, e depois que fez questão de sadicamente arrancar minhas asas deu a mão para que eu não caísse do céu. Como eu poderia voar se eu perdi tudo naquele mesmo momento? Não bastando você ainda me acertou o peito, perfurou meu tórax com sua mão fixamente espalmada e enfiou peito a dentro, apalpou meu coração e o esmagou sussurrando palavras de conforto próprio. O desespero tomou conta do meu eu. Não saberia mais como voar como você o fizera e ainda segurando tua mão, dei meu ultimo Adeus, soltei tua mão.
      Aceitei a queda como troféu da minha escolha, consenti a verdade de todas as placas amigas do caminho antes do voo, fechei os olhos e cai parafusalmente ao centro da Terra. Em mente passou tudo aquilo que eu vivera e confusamente te olhava, vi em teus olhos o sorriso de que tudo estava bem contigo e que nada mais faria efeito, nem mesmo minha existência, por isso você não hesitou em agarrar minhas mão quando eu soltei, por isso você não se assustou ou se surpreendeu quando eu te soltei, ao contrário, você sorriu como sempre o fizera quando estava de partida para outro sonhador. Você não esperou muito para seguir voando para outros condados a procura de outro alguém, nem me viu cair ao solo.
      Minha queda durou alguns segundos e para mim foram infinitos dias de dor e profunda tristeza. A liberdade que esvoaçava minhas roupas não era a mesma que me fazia liberto outrora. Sentia o vento levar minhas lágrimas para o alto e todas aquelas gotículas de sal se tornaram nuvens negras, figurando toda a minha dor sobre minha própria cabeça. Qualquer pessoa a quilomentros de distancia poderia ver a queda violenta que eu iria sofrer em micro segundos, e assim o foi. Uma destroçante queda daquele que hesitava em querer ter asas, despedaçado e sagrando fiquei ao chão respirando meu próprio sangue. Não havia um momento no qual algum movimento do meu corpo superasse a dor dos meus quebrados ossos de respeito e dignidade.  Fiquei ali suplicando socorro para o deserto que eu me encontrava, não havia ninguém ali, nenhum ser sabia onde eu estava e o que tinha acontecido até que, eu desmaiei de tanto sangrar.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Carta-Resposta


 É dito que para toda ação há uma reação de real valor, potência e significado.
 Demonstrando isso em palavras, é digno de postagem algo que me agasalhou o coração. Algo que eu esperaria de ti, mas não tão intenso quanto eu li. Uma verdadeira carta-resposta de coisas que eu coloquei pra fora, algo que estava na espectativa de ouvir aos sussuros.
 Não sei se teria autorização necessária para colar pedaços importantes aqui. Mas, como toda boa história, aqui vai a primeira carta de amor:

"Nos tornamos completos quando uma outra pessoa aparece e torna tudo
muito mais fácil, tudo mais leve. Quando ela transforma nossa vida e
nossos rumos sem motivo aparente. Quando tudo o que sabíamos e o que
faziamos se vai a um simples sopro do destino. Se sentir completo nao
significa que nao nos falta nada, significa que podemos transformar
qualquer coisa em outra coisa que precisemos. Voce tem sim defeitos,
defeitos nao tão incomuns, porém eu o aceitei com os defeitos e
aprendi a me moldar a eles. Eu tenho meus defeitos e que nem eu sei
quais são, pq eu me foco tanto em minhas qualidades a ponto de
esquece-los. Quanto mais voce pensa em seus defeitos mais voce
potencializa eles. Voce vive em uma concha de proteção, porém é uma
concha solitária. Estou a te oferecer minha proteção, a minha concha.
Para que possamos estar juntos nela...se preciso eu fico do lado de
fora para dar-te o lugar protegido. Alguma coisa me ligou a voce, nada
que eu possa explicar. Voce tem se tornado parte de mim, a parte que
me completa, que me faz pensar em 2 ao invez de 1, de pensar em um
futuro, de ter uma visão mais clara de tudo. Nao espero que voce sinta
isso em retorno mas que tome consciência de que nao estou aqui pra
brincar de amores eternos. Até porque eles nao existem no mundo
natural, amores eternos são como pets voce precisa alimentar e dar-lhe
o carinho e atenção necessário para que durem por vários anos. Eu
quero cuidar de voce, te proteger, te amar, te escutar, ser acima de
tudo o teu melhor amigo, o teu companheiro. Sempre que se sentir
inseguro, pense que tem em quem se apoiar, em quem buscar forcas. Pois
eu estarei ai, dentro do teu coração, alimentado pelos seus
pensamentos e sua visualização do meu ser em cada coisa simples que
vos lembre a felicidade. Todos os dias eu trabalho por um sorriso teu,
por um ' eu dormi bem', pois não há melhor recompensa que um sorriso
de quem amamos."


terça-feira, 3 de abril de 2012

I'm Here.



Meus olhos te perceberam, era você.

    Você franziu a testa pra mim com uma feição que me gritava "Eu te avisei". Sorrateiramente você entrou na sala, postou-se em minha frente e continuou a sorrir, entrava em minh'alma todo o teu fluxo vitálico, você acariciou minha cabeça com tanto carinho que eu lembrei do teu cuidado com meus sentimentos. Você se vestia tão desbravadamente que me recordei de tempos outros, de quando você tinha o controle e tudo era tão mais simples e divertido. "Não fica assim" você me disse, abaixei a cabeça em desesperança e, mesmo assim, você agachou-se até aos meus olhos e continuou "Não quero vê-lo triste", eu chorei sem controle, sem medo de que você me observava, não tive vedo de ser verdadeiro, pois sabia que você era a única pessoa que sempre esteve ali a todo momento e não recuou e nem avançou sem mim, ficou ao meu lado.

       Me vi à minha frente, minha parte sem medo, sem conseqüências, sem pudor. Era você. Aquele no qual todos já falaram sobre, aquele que eu fiz questão de prender no obscuro vazio da minha conturbada mente. Não tive como dizer não à mim, as faíscas eram características vivas de todo o teu potencial, você sempre soube fazer o que importava, desde sempre fora o lado selvagem da cativeirada criatura, era você que alimentava a coragem e por isso eu senti o calor por esses dias, vi labaredas onde eram sombras, também percebi que você respeitou o meu espaço. Agradeço por entender minha situação, agradeço por segurar minhas lágrimas por mais uma vez.

       "Deixa eu tomar conta agora... Permita que eu mude tudo..." Você me tentava com essas palavras e por mais que eu não duvidasse que você faria tudo totalmente diferente, eu não poderia nunca fugir da minha luta, era a minha vez de seguir. "Não posso..." Eu me respondi, você trancou sorriso e levantou, virou as costas por um momento e eu vi que respirava fundo. "Ainda não é tempo." Eu te respondi, mas de nada adiantou, você virou pra mim já em chamas. Teus dedos inflamados combustava todo o braço, subiu labaredas dos pé ao peito. "Você não está vendo que isso é errado?" Você me gritava. "Você parece que gosta de sofrer em vão..." Levantei me já posto e contestei "Não se pode chegar aqui querendo algo, só porque algumas coisas não deram certo", você riu e me cuspiu fogo "Tenta!", desafiado pelo brasar do teu olhar eu apostei, "Não só vou tentar, como também, vou conseguir." Você novamente riu, mas dessa vez foi diferente, senti que você não estava sendo irônico. "Quero o teu bem, não importa se seja por mim ou por você." E você se foi do jeito que chegou, traços sorrateiros de fogo às paredes, fogo fátuo do próprio ego.
"Quer o meu bem... E somos um só." pensei.



quarta-feira, 28 de março de 2012

You Left


 Puxei o banco para a mesma e única janela daquele lugar, o meu lugar. Aguardando qualquer iluminação que me trazia nostalgia de felicidade, mas essa parte de alegria só aparece uma vez em cada mês e, enquanto isso, fico a vislumbrar o infinito vácuo que se faz entre as estrelas lá em cima. Hoje posso ver a noite lá fora de um modo tranquilo, já que consegui trancar a porta novamente.

 Com um pouco de ajuda, consegui lacrar em segurança esse recinto. Olho tudo ao meu redor e vejo as marcas, nas paredes e logo junto a porta, as cinzas dos vinhedos que cobriam as paredes, a antiga grama que tapetava a entrada, tudo de natural de outrora, hoje é apenas marcas de incendioso abandono. Não tive coragem para começar a limpar o chão sujo de marcas de sapatos de pessoas estranhas que tentaram invadir o meu espaço, coragem ainda não tive para jogar fora a mobília que trouxeram do mundo externo, essa mobília que hoje está caída aos pedaços, em meio ao mofo, abrigando aranhas e outros insetos.

 Aguardo agasalhado ao habitual indiferente olhar o retorno do luar, a ultima coisa que me faz sentir um pouco melhor em meio de tanta confusão, ao redor de tanto barulho externo, no epicentro de tanta promessa morta que cresceu vido lá de fora, espero pelo momento certo que levantarei com todo o ávido aspecto de mudança, de renovação. A exaustão não limita a vontade, porém essa tal convicção que me fora passada em poucas palavras de intencional dizer, me jogou um forte argumento para acreditar em tudo em que Mr. Edmond me explicou desde sempre. Somado as verdades em oitiva dos próximos, teus próximos que em sentido real ou comum profetizou aquilo que já acalentava em tristeza, uma meia verdade que não queria por fé.

 Tal dom quebradiço de esperança fora açoitado pelo íntimo, abrilhantando o passado e querelando o tradicional movimento sazonal. Não precisei de muito para aceitar as ideias de Mr. Edmond, ele foi preciso e demonstrou por fatos o que eu já suspeitava, como exemplificou o próprio: Para matar alguém, não é necessário possuir uma arma, deixar alguém morrer também é homicídio.




sexta-feira, 16 de março de 2012

Horizonte


 Sabia que estava quente, mas não conseguia sentir o calor do sol, o vento era forte e a umidade era presente. As nuvens caminhavam preguiçosamente para o continente, como se não tivessem pressa alguma, e aqueles flocos de esvoaçados esbranquiçar de imaginação, flutuavam com esmero. A água era tranquila e corria em direção ao mar, em marcha convidativa de um banhar, e como as águas do mar, era possível ver as idas e vindas sutis na borda desenhada do rio com águas claras. Sentado na mureta tipo quebra-mar estava eu, parado ali, preso ali, por infinitos pensamentos. Uma fuga maciça de alívio e esperança.
 Pausadamente a respiração se fazia presente e como em um sonho, senti a presença derradeira do afeto. Era algo invisível, mas presente. Levantei, olhei para trás e vi a deserta rua, nua, sem ninguém para testemunhar o meu atento, e fora assim que a tarde seguiu, pisando em areia molhada, até o leito do largo rio que me fintava em retrospecto, o lavar pés acompanhou uma poesia cantada que surgiu em mente e a água morna que vinha de terras distantes deu lugar ao tocar caloroso dos raios de sol que cobriam toda aquela terra.
 Embora fosse lugar conhecido, estive ali pela primeira vez. Pela primeira vez desse jeito, de jeito único que se per faz em mente e corpo, e voltando para a vida, não pude deixar de não pensar naquilo que contei aos quatro ventos com peito em angústia. Algo sussurrado por mim para mim, como se conversasse sobre mim consigo, pleiteando razão. E nesse borrado quadro sinérgico, agasalhei as demais sensações daquela tarde e espero que um dia repita essa sensação de evasão da mente, naquele mesmo horizonte que sou apaixonado.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

E Fora Como Sempre Aconteceu...


 Tudo pára de acontecer, ficam quase imóveis ou em câmera lenta, vultos em forma de gente, luzes horizontais contínuas em vez de faróis de carros. A tarde se evadia e ao nascer da deslumbrante noite caiu a chuva. Em pleno crepúsculo, possuindo um acessório tradicional para não me molhar, caminhei entre borrões, entre casas e calçadas. Ficara imerso em si.
 Me peguei em questionamentos comuns, entre caminhos não tomados e de possíveis futuros, a chuva caia silênciosa e só pedia tradição aos ecos do mundo externo. Todo barulho era de muito longe, distante, incompreensível aos ouvidos surdos de si. Tudo o que pedira foi um sinal de certeza, não pedi para a divindade ou cosmos, pedi um sinal, uma força, qualquer coisa que me fizesse crer naquilo que prego. Aquilo que acreditei estar certo.

 -Olha... Sussurrou uma voz em minha mente.

E em reflexo, sem me preocupar com nada, olhei crescer, no chão molhado, os raios do sol. Os luminosos raios vindos em minha direção, tocando corpo de baixo para cima. Olhei para o céu e vi em meio as cinzentas nuvens, os raios de sol. Eles lutavam para aparecer, mas deu para aquecer meu coração. Sorri. Foi isso que deu para fazer, sorrir.
 Olhei para os lados e vi as pessoas reabrindo as sombrinhas, era real, foi real. Coincidência talvez, mas acontecera. E por mais que tenha sido sua ultima aparição naquele dia, por poucos segundos tive a certeza que a possibilidade existe. Era ali, num momento qualquer de evasão que pude perceber. Será sempre assim, nas pequenas coisas da vida.
 Uma flor, um animal, um SMS, os raios do sol, a grande Lua, borboletas, um Bom Dia, um Adeus... Todas as ínfimas coisas que ignoramos no dia-a-dia, são elas que fazem o mundo poético girar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Boa Sorte!


 Sem motivo algum ele parou em frente à entrada misteriosa daquilo que poderia ser um portal para lugar algum. Olhou atentamente a passagem convidativa, e por mais que tivesse receio em entrar, sua atenção se voltou a buscar algo diferente. Embora todo o começo parecesse igual à todos os caminhos percorridos anteriormente e com todo um propósito, este começava a aparentar sua grandiosidade.
 Logo nos primeiros passos adentrando a escuridão cercada por muretas de alvenaria, o ar começava a ficar rarefeito e todas as inscrições nas paredes sujas de medo indicavam um caminho sem muito sentido. Logo no princípio havia uma bifurcação que indicava caminhos suspensos, a iluminação era pouca, mas a aventura era certa. Em cada caminho levava um significado diferente, sem muito a oferecer em troca, mas com toda uma pretensão característica de vazio.
 Os corredores de vinha eram tão familiares quanto confortantes, o que matou o medo de continuar. Não era mais uma aventura, e sim um passeio qualquer em direção ao centro. Sem perceber, ele caminhou mais e mais, passando por corredores, encruzilhadas, subidas e descidas, sempre seguindo em frente, ouvindo um sussurro intrigante.
 Ora passava por caminhos largos, ora se esgueirava quase sem ar pelas paredes de concreto. O labirinto se fez presente de quase todas as formas que ele conhecia. Porém não era nem metade deste que nunca teve alguém que se sacrificasse por curiosidade. E após atravessar o primeiro fosso, o mair curto de todos os outros, após atravessar a traiçoeira ponte velha que ligava um lado ao outro, ponte esta que flutuava suspensa no fosso das dúvidas, ele chegou a ouvir algo. Parecia alguém.
 A curiosidade se perdeu logo atrás, a paixão pelo novo se deu em lugar. Era mais uma questão de conhecimento que brincadeira. Logo ele continuou, ainda sem cansar, em busca de outras passagens nesse labirinto imenso que se modificava a cada escolha entre esquerda ou direita. A cada escolha ele vai se modificando, ora se estreitando, ora se abrangendo, mas sempre sussurrando alguma coisa ao vento.
 O que o jovem aventureiro não sabia enquanto caminhava entre os surrados muros de lantânio, era que havia vida naquele sinistro labirinto. Vida desconhecida. O jovem sabia que estava sozinho, ou poderia encontrar um fera ou outra, mas nunca imaginou encontrar algum habitante naquilo que era medonho e cinza. E a cada passo que ele dá, a cada curva feita entre as paredes postas em desafio, a cada retorno de um caminho sem saída, os sussurros estão ficando cada vez mais altos, podendo se entender o que se fala, por vezes ouvir passos próximos...

 Será que o jovem aventureiro conseguirá chegar ao fim do labirinto? 
 Será que passará por todos os desafios que nele existe?
 Será que ele sobreviverá as criaturas que ali habitam?

 São perguntas que ninguém pode responder, apenas o tempo dirá quando isso acontecerá. Enquanto as coisas parecem vagarosamente caminhar, esperamos para saber o que acontecerá quando o andarilho comum encontrar a primeira criatura mítica. Boa Sorte!

Apenas o céu

Foto por @sanamaru O amargo remédio se espreme goela abaixo, a saliva seca e o gosto de rancor perdura por horas. Em vez de fazer dormir ele...