Boa Sorte!


 Sem motivo algum ele parou em frente à entrada misteriosa daquilo que poderia ser um portal para lugar algum. Olhou atentamente a passagem convidativa, e por mais que tivesse receio em entrar, sua atenção se voltou a buscar algo diferente. Embora todo o começo parecesse igual à todos os caminhos percorridos anteriormente e com todo um propósito, este começava a aparentar sua grandiosidade.
 Logo nos primeiros passos adentrando a escuridão cercada por muretas de alvenaria, o ar começava a ficar rarefeito e todas as inscrições nas paredes sujas de medo indicavam um caminho sem muito sentido. Logo no princípio havia uma bifurcação que indicava caminhos suspensos, a iluminação era pouca, mas a aventura era certa. Em cada caminho levava um significado diferente, sem muito a oferecer em troca, mas com toda uma pretensão característica de vazio.
 Os corredores de vinha eram tão familiares quanto confortantes, o que matou o medo de continuar. Não era mais uma aventura, e sim um passeio qualquer em direção ao centro. Sem perceber, ele caminhou mais e mais, passando por corredores, encruzilhadas, subidas e descidas, sempre seguindo em frente, ouvindo um sussurro intrigante.
 Ora passava por caminhos largos, ora se esgueirava quase sem ar pelas paredes de concreto. O labirinto se fez presente de quase todas as formas que ele conhecia. Porém não era nem metade deste que nunca teve alguém que se sacrificasse por curiosidade. E após atravessar o primeiro fosso, o mair curto de todos os outros, após atravessar a traiçoeira ponte velha que ligava um lado ao outro, ponte esta que flutuava suspensa no fosso das dúvidas, ele chegou a ouvir algo. Parecia alguém.
 A curiosidade se perdeu logo atrás, a paixão pelo novo se deu em lugar. Era mais uma questão de conhecimento que brincadeira. Logo ele continuou, ainda sem cansar, em busca de outras passagens nesse labirinto imenso que se modificava a cada escolha entre esquerda ou direita. A cada escolha ele vai se modificando, ora se estreitando, ora se abrangendo, mas sempre sussurrando alguma coisa ao vento.
 O que o jovem aventureiro não sabia enquanto caminhava entre os surrados muros de lantânio, era que havia vida naquele sinistro labirinto. Vida desconhecida. O jovem sabia que estava sozinho, ou poderia encontrar um fera ou outra, mas nunca imaginou encontrar algum habitante naquilo que era medonho e cinza. E a cada passo que ele dá, a cada curva feita entre as paredes postas em desafio, a cada retorno de um caminho sem saída, os sussurros estão ficando cada vez mais altos, podendo se entender o que se fala, por vezes ouvir passos próximos...

 Será que o jovem aventureiro conseguirá chegar ao fim do labirinto? 
 Será que passará por todos os desafios que nele existe?
 Será que ele sobreviverá as criaturas que ali habitam?

 São perguntas que ninguém pode responder, apenas o tempo dirá quando isso acontecerá. Enquanto as coisas parecem vagarosamente caminhar, esperamos para saber o que acontecerá quando o andarilho comum encontrar a primeira criatura mítica. Boa Sorte!

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