terça-feira, 9 de agosto de 2016

Lembranças: guardava, mas hoje as queimo.


 Ao responder o comentário dela me surpreendi com a falta de coragem. "Para quê escrever num país que ninguém lê?", disse ela com toda pompa, tanta propriedade em sua indignação que senti sua saliva escapulir. Ainda que, passadas as semanas deste mesmo evento, minha resposta foi eficaz e demasiado sincera: "Alguém sempre lê. Sempre."
 E disto eu tenho plena convicção, ainda que alguns digam que escrevem para si, que escrevem para não morrer, todos tolos. Todo mundo escreve para alguém, uma hora ou outra este alguém é tomado por arroubo de uma frase, um texto, um comentário qualquer ainda que misdirecionado. Porque essa é a lógica de escrever, acertar ainda que fadigamente aquele ou aquela que se abre mão de estar fazendo qualquer coisa e parou, ainda que por um segundo, para ler. Para te ler.
 Deve ser por estas tantas que a gente acaba vítima de si. Obrigando-se quase que sempre à composição de novas e novas frases cimentadas com esmero. Sabe, vou ser sincero contigo, ou melhor, vou apenas dizer-te o quanto estou feliz por estar aqui dizendo nada. Porque esta mensagem não é para você que está lendo, não não. É para mim. No futuro. Quando eu ficar sem rumo, triste e desolado, me sentido como por esses dias cinzas que me tomam parte viciada. Terei que ver que alguém sempre irá nos escrever, e no momento certo a mensagem será recebida, abraçada quase que por completo à tentativa sagaz de contento.
 Caso você se depare com essas suavidades ora real ora insistente, não se reprima. Exprima. Apresente-se à alguma coisa que te possa explorar sem ser julgado. Escreva, ainda que amasse as folhas com raiva e jogue em fora tudo aquilo que está entalado na garganta; escreva mesmo que as folhas se abarrotem por ter as linhas embargadas com dor, com mágoa, com a angústia de ser; escreva freneticamente como se não tivesse tempo algum para respirar mesmo querendo mas o mundo pode acabar a qualquer momento e já não temos tempo para nada a não ser continuar; escreva, leia, escreva, respire, escreva e sinta que tudo fica mais leve.
 Sempre escrevo cartas aos que tenho saudades, talvez até tenha escrito ontem uma carta para ti. Minhas cartas são todas diagramadas conforme a norma culta, com cabeçalho, data, e muito dizer. Todas as cartas tem seu final distinto, um P.S.: com uma citação, o envelope é escolhido a dedo e, após colocar o remetente, queimo-a. Com medo de alguém encontrar minhas cartas endereçadas e postá-las, com medo de alguém violá-las sem qualquer pudor, queimo-as. Ato revolucionário que alivia e magoa. 
 Cada uma com sua própria primazia sedutora. Cada som gravado em celulose e, principalmente, o meu silêncio.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sereno.




 Ontem, lá pelas tantas da madrugada, acordado por não poder dormir, por temer dormir, por temer sonhar com o amanhã, me deparei com solicitude drástica que vingou-se tão completamente. A vida se esparramou sobre a cama, uma bagunça tão significante que combalia qualquer esperança de quietude. Tomei impulso pequeno ao lançar os dedos trêmulos nas primeiras gravuras de passado, receio que era tristeza que me tenha sucumbido, pois havia tanto que gritava por mim, chamava meu nome, o meu verdadeiro nome. Tudo ali em cima da colcha pueril, desdenhada por prazer, me olhava, me julgava. O suspiro profundo denunciava remorso. A frieza da noite abraçou-me, as luzes da rua afagavam todo aquele contexto, era mais uma noite de solidão. Sozinho de si, passei a enfrentar tudo o que deixei para trás, todas as pequenas coisas que um dia ia consertar e nunca fiz, papéis que ia retomar e nunca mais voltei ali, as fotos... as nossas fotos de momentos tão incríveis estavam ali, amassadas pela dor, com o manto do tempo em jazigo. Ao tocar as laminas me toquei que fazia muito tempo que não era ouvido, que não falava sobre a coisa mais terrível do mundo, o segredo que já nem lembrava e que me marca para onde quer que vá. Uns minutos se passaram desde que comecei a organizar a vida tão exposta e vulnerável. Uns minutos, horas, dias... aproveitando cada sensação de culpa, remorso, alegria, prazer... tantas emoções engavetadas para o depois, para o quando eu tiver mais tempo, quando eu tiver mais dinheiro, quando... 
 O mais interessante disso tudo é que, ao se dar conta que finalmente eu estava onde nunca tinha sonhado antes, onde a possibilidade de estar fazendo aquilo, fazendo isto aqui, defrontando tudo e qualquer coisa de uma maneira tão sensata, é tão disforme da perspectiva global que me sequestra ao absorto universo particular. O meu próprio universo dentro de algo tão único quanto o primeiro átomo revelado, ao primeiro beijo, ao primeiro salário recebido depois de tanto esforço... o momento mais importante do dia não é realmente aquele que você aprendeu algo novo, ou alguém que conheceu, ou até mesmo se sorriu ou se chorou, nada disso. Na verdade isso nem existe, essa coisa de momento mais importante é uma mera invenção. 
 Você se dará conta, assim como eu, que o momento mais importante é aquele ao qual você parará, não dará conta mas o fará, será automático, será hilário e constrangedor ao mesmo tempo, uma sensação de importância e impotência tão grande que suas pernas podem fraquejar, suas mãos só encontraram o rosto e se banharão por água e sal. Este será o momento mais importante do presente, quando acontecer lá no futuro qualquer, a qualquer momento, você se lembrará do passado, olhará para trás com tanta vontade que seu peito não suportará tanta vergonha, tanta coragem, tanto orgulho esbugalhando as cordas vocais em pedido de ajuda. Ajuda nenhuma virá, e você sabe disso. Eu sei disso. Estou aqui agora. No exato momento em que tudo acontece, no momento perfeito da imperfeição clara e nua. Não é algo público, é algo ínfimo e íntimo, algo só nosso, perfeito. E quando você colocar tudo onde puder ver, quando espalhar toda a sua vida numa colcha que devora a solidão terá então, a minimização do que não importa. Será apenas você.
 Eu, conquistador de universos múltiplos, mero desbravador de paradigmas, estou no meio da construção desta nova etapa. Parei um pouco para sentir e entender os porquês de tanto por nada. E como um conselho adicional para você caro leitor, quando não tiver mais forças para continuar está jornada solitária do autoconhecimento, pare um pouco, pouse sua xícara ao canto, sorva os cheiros ao redor, os sons, veja as luzes que te circunda. Lembre que o mundo continua posto mesmo sem você, e aceite que nada é perfeito nem Deus, nem a vida, nem nada, e logo após que aceitar a imperfeição de tudo, saberá de fato que esta é a maior perfeição do momento. Aceitar que a vida é tão simplificada em confusão. Ande um pouco para que o aceite decante, assente na consciência. Veja a noite como é linda, fique nela, sinta-a. Sereno.

quarta-feira, 2 de março de 2016

As crônicas da alma viva: A hora extra (parte 4)



 Tomar o fretado rumo casa é quase que religioso, acabamos por conhecer os madrugadores da operação, quase sempre as mesmas pessoas. O motorista aguarda mais cinco minutos antes de partir. Sobem mais algumas mulheres, outros dois rapazes e por fim, o ônibus está meio cheio, meio vazio. Somos umas vinte pessoas quase. Fico próximo da porta de embarque pois gosto de ouvir o clique da porta ao fechar, isso me desperta. A rota é a mesma, estarei em casa em vinte minutos. Ele segue rumo ao fim do mundo, próximo da universidade, vai adentrando em ruas largas, depois as casas vão se estreitando, grandes portões, largos portões, portões, portas, portinhas... De casas para vilas. A conversa dentro do veículo é amigável, alguns conversando sobre o dia de trabalho, outros ao celular com familiares ou amores, não sei ao certo, e eu. Bem. Eu continuo aqui, tentando não pensar e nada a não ser chegar em casa e dormir. O balançar contínuo do ônibus embrenhando nas vísceras da cidade me embalam. Tento não cochilar, porém é em vão. Meu ponto é bem longe daqui e ainda nem deixamos a primeira pessoa. Uma grande imensidão negra escorre pela janela. Chegamos. Uma mulher desce do ônibus, acena para nós e logo sobe em uma motocicleta rumo à escuridão. Ela está entregue. Faltam apenas 6 para chegar a minha vez. Acordo com o bater da porta. Afasto em supetão a cortina da janela, corro olhos em busca de localização. Passei do meu ponto! Merda. Merda. Merda. Oi? Respondo para garota do lado. Ah, okay. Respiro em alívio. Ela me conversa que um rapaz pediu que fosse pela outra rua porque houve um bloqueio da companhia de saneamento. Estamos no número 4, faltam dois. Sorrio para a jovem com receio, acho que ela percebeu que eu cochilei com vontade dessa vez. A adrenalina não me permite mais dormir. Pigarreio. Tomo posição na poltrona. Risco a pista com meus olhos cansados. Uma breve chuva arrisca despencar. Alfinetes d'água fagulham no ar. Estudo os céus com temor, mas não haverá mais que uma leve garoa. O ônibus para ao sinal vermelho. Foco na esquina desconstruída do caminho que desbrava matagal. Há uma pessoa ali, na sombra. Na penumbra. Assaltante? Está ereto. Convicto. Não há contorno de gênero, pode ser qualquer pessoa. Ser andrógeno e sinistro. Desvio o olhar. O ônibus segue pista livre. Encaro novamente o ser. Ele não mais ali. Com certeza um bandido! Esperando a próxima vítima. Claro. Muito acontece por essas horas da madrugada. E principalmente quando está pra chover. Desce o quinto, o veículo indica à esquerda, primeiro condomínio. Após vários e vários metros e mais metros dentro dos condomínios, o sexto salta e saúda o motorista. Agora minha vez. O ônibus faz a volta, uma meia lua com proeza. Levanto da poltrona e vou para cabina do motorista. Ora, ora, diz ele sorrindo. Conversamos enquanto o vários e vários metros no traz de volta a pista principal. Passa a entrada do segundo condomínio. Pega a entrada do penúltimo. Alguns minutos e já salto na frente de casa. São e salvo dou tchau, atravesso a pista, passo pelo portão automático, atravesso a pista dentro do condomínio e sigo o calçamento até meu bloco, não há ninguém no parquinho, o balanço da esquerda está em movimento, não há som de criança, apenas o distante barulho do fretado com pretensões de desviar de buracos, subir as escadas é uma jogada dura depois de um dia longo, seguindo de hora extra então? A luz do hall me felicita, verifico os comunicados no mural rapidamente, subo as escadas. As luzes automáticas do primeiro piso avisam que estou chegando, logo acendem, logo apagam, só me deixam iluminado pelo movimento de continuar a subida. No segundo lance de escadas já procuro pelas chaves de casa, a luz automática não acende, continuo meu caminho, ela acende atrasada, dentro da mochila pego a chave com impulso, a luz se apaga, faço movimento, ela acende, derrubo as chaves sem querer, com o movimento de apanhar, a mochila desce o braço pousando-se também no chão, a luz se apaga, levanto de supetão junto com as coisas, a luz se acende. No final do corredor alguém me assiste. Um contorno sombrio me encara, não enxergo sem os óculos. Respiro tremidamente. A luz se apaga. Faço movimento para abrir a porta. Rápido. Mexo as voltas da chave. Não consigo acertar a fechadura. Tento abrir a maçaneta. A luz se acende. Olho com medo novamente pro corredor. Nada. Avisto a fechadura, coloco a chave. A luz se apaga. A porta abre. Entro rapidamente. Tiro a chave. Fecho a porta. Tranco. Ofegante, dou passos para trás. O medo revira estômago, tremendo limpo a testa de suor pesado. A luz se acende. Prendo a respiração. Estou no escuro. Minha casa está em pleno breu. A luz do corredor nasce na fresta da porta, o chão se irradia. Alguém está do outro lado. Dá pra ver pela sombra por baixo da porta. Não consigo respirar. A maçaneta tenta girar vagarosamente. Ela vai girando como uma aplicação de injeção que doí, suavemente até o final. A luz se apaga. O telefone toca.   

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

As crônicas da alma viva: A hora extra (parte 3)

 A tela acinzentada toma conta novamente. Disponível emparelha em verde. Respiro fundo. Clico em deslogar. Por hoje basta. Quero esquecer essa maluquice, não posso surtar. Finalizo o programa, fecho as abas de instrução, do financeiro e da tabela de preços e ofertas. Fazer logoff. Aperto novamente no dac para saber que estou saindo. Preciso apenas dormir. É disso que preciso. Rio comigo mesmo. É cada coisa que acontece com a gente que... olha, sei não viu? Retiro a espuma do headset, o tubo de voz e sigo rumo casa. Me despeço das pessoas com um breve aceno de estou-caindo-fora-otários e para alguns um aceno até-amanhã, disfarço meu ofegar, sinto aquela agonia da única gota de suor desbravando a testa. Enxugo com a camisa, ombro testa, vejo a garota com o cabelo azul descer as escadas. Caça ou caçador? Será que foi ela? Ou melhor, será que foi com ela? Ou para ela? Apresso os passos, a catraca demora para ativar o bip de acesso permitido, jogo o crachá de passe novamente. Ela aceita, passo apressado. Vou até a escada, mas nada da garota. Droga. Não lembro o nome dela. Ela está sempre por aqui, mas nunca a vejo com frequência nas mesmas horas que eu. Dou meia volta e ando aos armários. 251, 252, 253. Tarantulo os bolsos em busca das chaves. Abro o armário e pego minha mochila. Ouço alguém falando meu nome. Fecho o compartimento. Aguardo um pouco. Sigo os passos ocultos no mármore com os ouvidos. Vou lambendo com a atenção o corredor de trancos e trancas. Me deparo com a entrada dos banheiros, masculino direito e feminino esquerdo. A porta deste ultimo está encostando pelo gancho automático. Alguém passou por ali agora. Agora. Respiro fundo. Olho de volta. Armários intactos, ninguém a vista. Fico ou entro? Espero ou vou embora. Vai ver não era o meu nome... ou será que era? Você sabe quando alguém chama o teu nome, não sabe? A gente sente quando o nome da gente é pronunciado. Parece que uma energia nos puxa na mesma hora. Não vou ficar esperando, não parece certo. Sei lá. Melhor ir embora. Certas coisas é melhor a gente nem saber. Será que eu quero mesmo saber? E agora? Ouço conversas aleatórias, olho novamente para escada, lá um grupo de colegas estão se encontrando, acredito que estão indo embora. Já já sai o fretado. Vou acabar perdendo a ida para casa por idiotice. Melhor deixar isso para lá. Abro a porta do feminino com receio, poderia entrar, mas não sei. Minhas pernas travaram, chamo por Mariana. Mariana é um bom nome. Todo mundo conhece uma Mariana. Mariana? Chamo novamente. Ninguém responde. Sem barulho de água ou qualquer outro sinal de vida. Para mim, isso confirma que já posso ir. Aperto o ritmo sem olhar pra trás. Seja lá o que for, já foi. O grupo de antes também já não estão ali. Sinto uma frieza emanada do corredor. O ar condicionado deve ser mais forte por aqui. Olho para ambos os lados da operação da central de relacionamento. Tudo tão normal. Tudo tão qualquer dia. É estranho e comum imaginar que estamos dentro de um sistema e ao mesmo tempo tentando fazer diferente. Aliso o corrimão frio na descida dos degraus. Mais alguns passos e estou na portaria, passo o crachá na catraca e logo sinto o ar da noite.  Alguns cachorros estão deitados no carpete de entrada da empresa. Ninguém mexe com eles, são de rua, são carentes, são os que precisam de um abrigo por hoje. Antes de atravessar a pista, olho os dois lados. Um lugar esquisito se faz presente. A noite nunca foi segura nessa cidade, principalmente nessas redondezas. Sigo em marcha ao ponto de encontro dos fretados. São 5 ônibus de viagem, paralelos uns aos outros aguardando suas saídas distintas. Alguns segundos e boa noite Cícero, tudo bom? Ele responde que sim, ao entrar no ônibus sinto um alívio repentino. Falta pouco para essa noite acabar. Pelo menos era o que eu achava.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

As crônicas da alma viva: A hora extra (parte 2)


 O tuuu característico da nova chamada me tomou por arroubo.. Alô? Alô? Gaguejei por uns segundos até responder de acordo com o catedrático script. S-Sim senhor... is-isso mesmo, é que o sistema deu uma falha na-na ligação, desculpe senhor, pode repetir? A aceleração do peito me fazia suar. Depois um tempo nesse trabalho a gente acaba surtando. Peguei minha água, um, dois, três longos goles. Respirei fundo. Finalizei o atendimento em 15 minutos, algo que era pra ser bem mais rápido, mas minha mente vagava longe. Finto o terreno de cabeças como uma toupeira, apenas levanto o olhar o suficiente bastante para ver todos e o que estão fazendo. Espero mais uma ligação antes de programar a saída. Por hoje é só. Preciso mesmo descansar. Tuuu, atendimento... um chiado crava meus ouvidos curiosos por algum som familiar. Atendimento... isso senhora, como vai? Certo, aguarde só um momento por gentileza enquanto localizo o contrato da senhora, a ligação pode parecer muda, mas estou na linha, tudo bem? Mudo. Respiro fundo e programo. OFF. Começo o procedimento de localizar as informações da cliente, já já estarei em casa. Oi, como vai? Falo com a garota com cabelos azuis que vem tomar as informações do daq. Ela aperta um botão minúsculo cor de borracha velha. Me diz que está uma linda noite para estar numa festa, porém mudaram a escala dela de última hora. Ela não parece chateada ou até mesmo triste, apenas poderia não estar ali. Ela anota novamente, me deseja bom dia e sai. As tatuagens dela seguem junto com as costas cobertas por listras pretas e azuis. Um coelho em um ombro nu e uma raposa noutro. Seria tipo yin yang? Volto atenção ao caso da cliente, procedimento finalizado. Faço o script final com dó de acontecer... aconteceu. Certo senhora, só mais um momento que irei verificar essa informação. É incrível como alguns clientes pedem coisas aos pedaços em vez de aproveitar uma só informação. Lá vou eu novamente ver algumas faturas. Ela disse que não queria falar sobre, mas quer apostar que vamos finalizar um acordo? Sempre assim com as senhorinhas amigáveis que aceitam diálogo. Procedimento dois finalizado. Algo mais em que posso ajudar? Minha nossa, já vou em 40 minutos e ela quer fazer tudo hoje ainda? Vou passar de um dia pro outro, mas ela vai me prometer que vai ligar só ano que vem! Certo, só mais um momento por favor. Clico aqui, somo ali, miniminizo, maximinizo, leio, leio novamente. Calculo. Informo, dialogo. Sem esperar ela já diz que é a ultima coisa e pede desculpas por tanto pedir coisas. Você é do tipo caça ou caçador? Como senhora? Pergunto novamente. Caça ou caçador? Como assim? Ela ri. O deseja fazer callback aparece na tela. O dedo metralha o mouse. sim sim sim SIM SIM SIIIIIIMMMMM... A ligação chama, chama... a ligação... ninguém atende... merda... mas que porra! Levanto abruptamente. Coloco o headset pendurado na p-a. A segunda tentativa não abre. Prompt de comando em vez disso

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Ver.[1000.4E91O6.11-56]ssep

Apenas o céu

Foto por @sanamaru O amargo remédio se espreme goela abaixo, a saliva seca e o gosto de rancor perdura por horas. Em vez de fazer dormir ele...