quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Lana Del Rey



     É incontestável a premiação súbita de melhor álbum para a estreante Elizabeth Woolridge Gran, conhecida no mundo artístico como a incrível Lana Del Rey. Veio até mim em meados de Janeiro, mas apenas condensou no meu paladar sonoro através do tempo, bem como firmou presença no mundo Indie, e por muita sorte não empacou com Video Games na novela das oito. Iam estragar a jovem Lana como fizeram com Adele, que até versão tecnobrega já tem.
     Já que lançaram a versão Deluxe Mega Power de seu álbum, resolvi mostrar o quanto ela me atingiu. The Paradise Edition é de fato o maior sucesso do ano no meu player, com quinze dias de lançar no mercado já tinha adquirido no iTunes, e as músicas que eu já tinha do inicial disco Born To Die foram somadas, mescladas ao inimaginável universo do seguimento lírico de suas canções.
     A melodia me chamou atenção por lembrar Don't Cry For Me Argentina, mas depois se fez atual. A voz marcante que arrancou arrepio do meu corpo roubou minha atenção pela letra mais que gritante, do que eu passava naquele momento. Eu tinha plena certeza que não fora coincidência, pois eu sempre soube que aquilo ia acontecer, era a única certeza que Nasci Para Morrer. Agarrado por uma leve esperança, aquele sopro de sentimento era alimentado com ilusões semanais, degradando assim tudo que um dia habitou meu ser. Apenas rezava para que o que era verdade dentro de mim fosse demonstrado por ti, entretanto infantilmente você matou, usando uma lupa de falsas promessas, a formigável amizade, o que eu mais te pedi para não fazer. Lana me mostrou que a estrada pode ser longa e que devemos nos divertir, daí entendi que tudo nasce para morrer e que o amor pode não ser suficiente; de forma inteligente devemos aproveitar todos os momentos, como um carpe diem rezado em coro para que tudo dê certo e que no fim do dia possamos respirar fundo e adormecer. 
     Ri quando percebi que isso não importava, já que o infantil era tido como perseverante e isso não me atraia, já era condenado ao fracasso desde sempre. Eu te falei outrora. Soube que deveria procurar algo que me confortasse, algo que fosse compatível e, apenas por isso, fiquei Fora Das Corridas. Não importava meu passado fracassado ou meu brilhante presente, apenas tinha em braços as melhores histórias  e brilhantes objetos de consumo, queimava meus quadris em fricção ao desejo e minha boca sempre aberta esperando um beijo teu. Era louco, eu sei, desculpa por tudo, mas não poderia ficar nisso por muito tempo. Você era confiança em pessoa, eu não tinha medo de nada, eu desejava-te, e amedrontado ia em tua busca e sempre fui recebido de braços abertos para mais uma noite de estrelas ou ensolarados dias em felicidade. Acredito que te amei mais um pouco que a mim naquele tempo. Não tinha medo. Não tinha.
     Algo tinha que dar errado, eu sabia. Mas não partiu de mim, fui inocente. Você não sabe o efeito que tem sobre mim. Me cobriu melhor que qualquer cobertor, me usava depois de agitar, passeava por todos os lugares, principalmente aqueles no qual eu criava. Mesmo assim não foi suficiente. Não era dinheiro, não era amor, era algo maior que nós dois. Doeu. Você procurava em outras pessoas aquilo que você nunca encontrou em si, suprindo assim, por meros momentos, uma sede que nunca existiu maior. Mas eu estava lá, sabia que ia continuar morrendo por dentro vendo você sair pela calada da noite, rasgando outro corpo com o teu desejo e tocando outra pele que não era a minha, você lembra disso? Lembra que você saia com aquele Jeans Azul e camisa xadrez em procura de satisfazer-se? 
    Pois é, eu ainda lembro.


     E como eu gostava muito, afundei sozinho nessa. Porém, não me atrevo ao arrependimento, não mesmo, já que não tenho perspectivas em cima de ninguém, tanto numa segunda quanto em um sábado, o corpo é comandado pelo cérebro e neste não há ressentimentos tampouco frustrações. Mais uma história chegou ao fim, tudo nasce para morrer e aqui eu aproveitei o máximo que pude. Passou-se o tempo, houve dias tristes e alegres, aconteceram mil coisas e passaram muitas pessoas por mim, não me atentei aos nomes, aos lugares, a nada. Tudo era muito latente, desde o teu cheiro que emanava tipo brasas em meus travesseiros, até o mesmo lugar no cinema, poltrona 15 e 16 da fila E. Acredito que esse mundo é feito para dois, bem como o meu Video-Game que jogávamos por horas em busca de tesouros e matando monstros. Player 1 e Player 2. E essa abstinência roubou cena por muito tempo dentro do meu peito, sempre imaginando que ninguém poderia ser melhor que você, pois você era minha cara metade, mesmo me beijando na escuridão jardineira, dirigindo por ruelas que abrigavam o perigo, comprando coisas que já tínhamos aos montes. Agora eu sei que tinha que ser você, era tudo você, eu não te disse? Seria difícil de acreditar quando chegasse ao fim, queria fechar os olhos ali e ao abrir ouvir "o que você quer fazer agora?"

     Lembro do susto que eu tomei e a euforia que entrelaçou minha curiosidade ao receber uma ligação tua depois de tanto tempo, tanto tempo sem nenhum tipo de comunicação. E tentando parecer normal conversamos por poucos infinitos minutos e ali eu soube que não era bom para mim. Você acha que poderia ficar apaixonado para sempre? Leviano e infantil. Por mais que outrora te quisesse, ainda assim eu sabia que não era o melhor para mim. Por isso não marquei nenhum encontro, nunca esbarrei sem querer para uma casual conversa, simples matei aquilo que havia de pior. Não queria carimbado em mim o teu selo Diet Mountain Dew , selo de escape,  de possível passa-tempo como você sempre faz, não é saudável para ninguém, por mais consolador que seja para um ou outro. Segui o conselho de alguém próximo ao outro lado e apenas me afastei do que me fazia mal, do que consumia um sorriso meu.
   E o destino se fez presente com seus pseudópodes sociais, acatou uma ordem maior e me introduziu ao mundo que tanto evitei. E em provação e análise combinei os momentos mais intrigantes das ultimas décadas, um misto de medo e receio com alegria e impulsividade. Encontrei pessoas passadas, conheci almas novas e fui convidado a participar de inexplorados mundos. Tudo com seu melhor instinto natural de vivência. Isso me deixou a par do monetário mundo do social, é trabalho e gasto dinamicamente falando, o que quer dizer que o dinheiro é a razão ao qual nós existimos, isso é um fato. Sempre procurando se sobrepor e ser o melhor, me vi como nos nos 2005-2007, onde tudo era aparência e eu tinha que provar que era o melhor, mas não sabia como, já nessa época, esses últimos meses eu sabia que era o melhor, mas não sabia como. Em acolhedor prelúdio da vida, acompanhei o crepúsculo ao som do Hino Nacional que sussurrou em meus ouvidos, dando cores diversas a minha nova vida. Não supérflua, mas a característica demasiado misteriosa.



     


sábado, 10 de novembro de 2012

How Soon Is Now?


     
    Os viscos das paredes empalaram os musgos do roda-pé. O passar de dedos na superfície áspera do escuro envolto era tardiamente ineficaz, era sabido que de nada adiantaria o súplico alvorecer de inconstantes tribulações coloridamente monocromáticas naquilo que rogava aceitação. Protegendo-se de um possível comentário, optou-se pelo esmeril, pelo categórico rubor de saúde que valia de restauração.
      Nada do outro lado chama atenção, mais uma vez. E por conjecturas da imagem e ação, perduram no tempo as promessas que já rezaram lendas, passos que já dançaram conforme a música, já palpitara em saboroso contento e devastador desafeto. O conhecido agora ridicularizava o hospedeiro, mesmo valendo-se de alfinetes pont'afiados em crime de amor, o ranger de dentes era atordoante, mas necessário.
    O vão daquele refúgio iluminou-se em simples rajada cantaroladas pelo saudoso astro maior, era tido como rústicas as moldagens dos quase não utilizados móveis de amor-próprio. Jazia em si um querer quase ínfimo de boa vontade, conquistado por mero acaso do universo que possibilitava, hora e outra, o crescimento do poderio altruísta que deverasmente precisava-se.
     Não era o festim que incomodava, era apenas o "mim". Calibrou-se entre linhas os arquétipos jocosos e, só assim, consegui dissolver um pedaço da crosta indestrutível do paredão. O badalo era fúnebre aos meus ouvidos e por hora deveriam ser evitados, tal como níveis de almas que não se encontraram e vagam, ainda, em busca daquilo que nem sabem. O rombo na projetada mureta era tão eloquente que não merecia atenção, era dissimulado e contraditório, igual aos meus olhos no furor do dia. Algo que reflete em misterioso avaliar que potencializa qualquer rumor, disseminando o talvez em desavisado domínio.
     E em silêncio gritei por teu nome em mecânico desespero. O automatismo cerebral de confortar minh'alma embriagava-me com teu cheiro, o rasgado sabor amadeirado que encharcava meus poros. Definhei todos os meus desejos em lembrar de ti, ó corpulento ideal de carinho, teu olhar meigo e teu meio sorriso são prontamente imagem de Bom Dia. Não importa quão próximo eu esteja de obter êxito em vida, aguardo com inocência o momento certeiro que não protelará a minha leitura em braile por teu corpo, estudando com volúpia cada arrepio teu.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Copy


     Todo comportamento tido como exemplo deve ser seguido e passado adiante por gerações. Nunca haverá originalidade no mundo humano, pois tudo é uma questão de flexibilidade do alternativo comparado aos preceitos tradicionalistas que se divergem em novas aplicações convenientes ao sistema proposto. Ser original em um mundo de repetições é tão perturbador quanto a palavra normal.
     Pode-se dizer que tudo o que temos em mente é reflexo psicobiológico de empírico desenvolver. Reprojeção de micros acontecimentos que se prolongam em tempo e espaço. E objetivando o peculiar e curioso estrelismo da originalidade, podemos apenas dissimular uma cópia, mesmo que tardia.
    Querido, querido. Não há nenhum problema em imitar o que é bom, mas apenas não diga que não quer ser como eu logo após de recitar minhas palavras. Isso me faz morrer.Você não viu o que eu vi, não viveu o que vivi, e além do que todos os garotos e garotas querem ser como eu, ou pelo menos uma parte mim. Como um dizer ancestral que tentamos vivenciar, mas disso não compartilho pois meu caminhar é malévolo. O gosto da inverdade é um dissabor que não tolero, bem como os intrigantes momentos de conversas convexas com objetivos de deturpação alheia, esse tipo de simulação não é colhida com bons olhos por ninguém.
   Uma atitude positiva, uma experiência bem vivida, boa ou não, uma conversa... Há inúmeros exemplos de situações que podemos apenas passar adiante de maneira grata. Sem duplicidade de intenção, apenas sentimento puro de comunidade, no tocante ao aceleramento da convicção própria que estamos divulgando o bem. Passe para frente, ao próximo, apenas as coisas boas. Seja exemplo e não um mero mortal.
     Em algum momento, até a pior pessoa do mundo (eu) pode ter algo bom para servir de exemplo. Parabola-se tudo e qualquer coisa para aquele que sabe o que dizer, deve ser por isso que há a criação e há o aperfeiçoamento e seguindo as regras científicas da criação e modelagem, o que não é aperfeiçoado é uma mera cópia, pode ser até diferente, mas caso não traga nada inovador, perdeu-se tempo em clone imprestável.
     Sou criativo o suficiente para o teu plágio se transformar em simples perpetuação do meu eu. Não preciso mostrar a origem, sei de onde vêem as coisas, sei onde vivem os monstros, e sei que há muito mais por vir do que você possa copiar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Unsichtbar


     Sinto o físico se liquefazer, está indo ao tempo todo o areado de conformidade mútua ao que construí no virtual mundo da ignorância, resumida em eventos cíclicos de atmosfera agradável. Vejo através do corpo e espectralmente estou me tornando mais uma vez invisível. Isto é tão perfeito quanto a qualidade de não me importar. E se de fato me dissipar por entre a multidão, apenas não me procure.
     Não será tarde demais, nunca é tarde demais para nada. Apenas não será hora, mais uma vez. E enquanto estiver invisível me depararei com os mesmos relatos de sucumbência de terceiros aos moribundos vícios carnais e oriundos de vontade fraca e desejos maiores que a própria pele áspera em violenta emoção. Sim, eu não pertenço ao teu mundo, e nem o quero participar. Ele é vil e traiçoeiro, o que não me permite ser honesto consigo.
     Prefiro ser assim, algo que você acredita que eu seja. Um boato talvez, uma alma condensadamente impura ao intrínseco e dicotômico sentido de pureza, uma pessoa que é dúbia e misteriosa aos opacos olhos que simulam vivência, quero ser apenas uma possibilidade neste vasto universo. E através do poema homônimo evaporarei no calor da noite:



"O dia que se consome e vira noite
consumindo a minha alma
na noite, eu me deparo com faiscas do sol
e o fim do fogo
a poeira dos ossos
a noite me tira o folego
engole toda minha lingua
viro, volto e retorno
na noite vejo a verdade oculta
escondida na clara mentira do dia
olhos bem fechados
dentes brancos em sorrisos
o sono anda e fala
e pés marcam o ritmo
de uma batida sem tambor…."

Windmill



     O embaçado se fez na visão, dilatou-se a mente e turva fez-se a realidade. Imersão. Girava em alegria de si o colorido e saudoso acolhedor de brisas, ouvi o sopro anunciar teu nome, e dali avistei o desentranhar de uma vontade antes adormecida em esperanças. Teu nome cintilou nos conta-tempos, caminhou entre as traves que ascendia em felicidade, sombra se deu para acalmar os ânimos e num arrepio, vibrou meu instrumento de comunicação.
     A música que vinha dali era tão familiar quanto a ronquidão dos carros lá na rua. Era uma simples mensagem de texto, provinda de um tempo qualquer, e dilacerada por simples algozes que se dizem gostarem de ti. "Sinto sua falta" dizia esta. A ventania gritou meu nome do lugar mais esquecido da terra, o cheiro amadeirado no ar me levou àquele lugar de onde me tiraram o sono. O campo aberto do teu meio sorriso.
     Vi o mesmo por-do-sol, ambárico e estático, como eu o vira da ultima vez. Vi também os campos de centeio que cultivávamos outrora. Estava tudo lá, do mesmo jeito. Mas ouvi alguém chamar meu nome e a cada ressoar vibravam cores daquele lugar, ora vívidas, ora opacas. Senti que não era para minha pessoa estar ali, não mais. O calor era sabido e me conduziu automaticamente para a realidade. "Acorda-te" sussurrou ele.
    E de fato acordei, o nítido era tenaz, o barulho de tudo estava novamente ali, tal como o irritante som do furta-vento. Olhei para o eletrônico que jazia sob minhas pernas e nada vi de diferente, apenas uma digital. Uma marca em combustível sólido de cor negra, resultante da combustão incompleta de matérias orgânicas e que encerra uma proporção elevada de carbono.

Apenas o céu

Foto por @sanamaru O amargo remédio se espreme goela abaixo, a saliva seca e o gosto de rancor perdura por horas. Em vez de fazer dormir ele...