sábado, 14 de abril de 2012

São Jorges


       São Jorge é uma figura carismaticamente bem desenvolvida pelo sistema religioso católico e afrodescendente,  tanto quanto no mercado capitalista. Porém não escrevo por ele em si, mas pelas Jorges que conheci. As Jorges como nome de família, daria um belo título de um conto ou novela, seguido de personagens bem caricatos e inspiradores o qual nos influenciam como qualquer Helena das novelas da Globo.
       Aprendi com essas guerreiras que não importa a situação, no outro dia você tem que estar com a cabeça erguida para o que der e vier, seja bom ou ruim, pois enfrentamos dragões todos os dias, alguns de vários metros e toneladas, e outros de centímetros e gramas. E como nas imagens do próprio santo, a lua se fez presente e imensamente proporcional ao grau de aprendizagem que tive nesse ciclo que findou-se em conjunta imortalidade de inspiração. Fé e resignação d'alma são dois pontos que assimilei muito bem em minha humilde permanência neste seio familiar. 
       Cada Jorge possui uma personalidade própria que se soma a experiências únicas, são todas personagens da mesma história, porém cada uma com um universo totalmente diferente, deixando assim a impossibilidade de não se apaixonar por essas cicatrizes do passado próximo que nos esbalda em lições de vida. Brilha o olhar de expectativa a cada palavra soada com veemência, a propriedade nos sentimentos que nos conta em telas perfeitas, as cenas se destrincham com capacidade total de produção imaginária. Um filme.
       Aprendi a controlar emoções, guiar corações e calar noções. Aprender é o infinitivo verbo que descreve as Jorges para mim, lição sempre, para mim e todos os meus eu's presentes, ausentes e operantes. Bem que todos poderiam ter uma vivência dessas, de passar umas férias de si próprio e voltar mais cheio de vida do que nunca. 
       

terça-feira, 10 de abril de 2012

Olhar N'água


       A calmaria do mar sobrepõe qualquer sentimento na maresia de condolências. Distante ficam os pensamentos oriundos de problemas e complicações da mundana vida, disfarçados de interesses e projeto estão nossos sonhos e perspectivas, que nos deixam cada dia mais focados em coisas próprias e esquecemos do natural.
       Não troque o olhar ao natural, ao belo, ao milagre divino pelos devaneios do pecado. O que é mais prático e salutar pode não ser o mais saudável e peculiar proveitoso, tanto em momentos quanto em pessoas. Habitual correria não perdoa a boa intenção de descansar, porém almeja o bem estar do balanço de uma rede, do boiar sobre uma prancha, de uma caminhada à beira-mar. 
       O dourado sol esquenta as salinas águas de mar aberto e areia fofa, um convite perfeito para um respirar fundo em uma terra de beleza sem igual e que, por vezes, ignoramos por motivos comuns. Precisamos de apenas poucos momentos em lugares certos para certos lugares tomarem espaço perfeito em nossa mente, seja ao natural, seja no concreto. Não precisamos ir tão longe para se sentir bem, basta caminhar até o fim da rua, dar uma sentada no gramado do jardim, continuar o percurso na praça à caminho das aulas, ver a chuva cair pela janela... Temos todo o tempo do mundo para dar uma lufada de vento em ideias tolas e pensamentos vis. 
       O olhar n'água que nos banha, que nos limpa alma todos os dias, tira cansaço do corpo, deleita-nos com várias metáforas corriqueiras ou até mesmo um simples conforto higiênico. O mesmo processo com o mar e suas variantes, idas e vindas da maré que inspira poetas e músicos, em qualquer forma de lua ou contemplação solar, com palmas ou apenas sorrisos, um piscar de olhos e tudo se foi. Foi-se preocupações e ilusões, perfeccionando palavras e sentimos no revolto mar ou calmo paradiso.

sábado, 7 de abril de 2012

Acostamento




Sair da rotina é fundamental para espairecer ideais e decantar emoções.

 Acredito que por mais apoio que tenhamos nada se compara ao olhar conjecturado ao outro universo, observar um mundo no qual não habitamos, seja por novas pessoas, novos lugares, novos objetivos ou novos entretenimentos. A estrada é a mesma para todos, ela é longa e dificultosa, mas está aí para que você possa se esforçar e sair na frente rumo ao universo que te espera. Todas as possibilidades cintilam em uma única proporção, esta que te almeja os olhos ao cair da noite na estrada.
Não deixa de acreditar nas possibilidades mesmo que tudo pareça perdido. A vida se reinventa a cada amanhecer, a cada abrir-olhos e o que achamos que aprendemos sozinhos em alguns meses, pode ter sido nos jogado todos os dias e não pudemos ver por mísera descompaixão da realidade. A alegria de ver os meus ensinamentos em outros olhos me deixa acreditado que a verdade é uma só, temos que saber aproveitar cada momento para que a felicidade permaneça constantemente em nossos corações.
E mesmo que a emoção acabe, lembraremos tudo que passou e isso nos dará força para seguir em frente, na faixa tradicional da vida. Não adianta ficar por muito tempo no acostamento com medo de um acidente qualquer, pois não se trata do impacto, mas sim da reconstrução racional do dano. A via dupla de situações e algumas vezes com tráfego demasiado corrido, aparenta-nos uma terrível busca por um propósito vazio ou temível, entretanto quando adentra em nós o conhecimento do que passamos, tudo fica muito simples.
Não há atropelos quando se vê a pista, com a velocidade constante de emoções e atenção na estrada para que não haja enfadonhos buracos que nos atrasem, perigosas curvas de tentação de caráter ou outros veículos em direção contrária que possam colidir conosco. Acostamento serve para uma pausa temporária nesta viagem, pode ser por opção ou por obrigação, dependendo de cada caso, mas tal acostamento não pode ser usado como fuga, como escape.


terça-feira, 3 de abril de 2012

I'm Here.



Meus olhos te perceberam, era você.

    Você franziu a testa pra mim com uma feição que me gritava "Eu te avisei". Sorrateiramente você entrou na sala, postou-se em minha frente e continuou a sorrir, entrava em minh'alma todo o teu fluxo vitálico, você acariciou minha cabeça com tanto carinho que eu lembrei do teu cuidado com meus sentimentos. Você se vestia tão desbravadamente que me recordei de tempos outros, de quando você tinha o controle e tudo era tão mais simples e divertido. "Não fica assim" você me disse, abaixei a cabeça em desesperança e, mesmo assim, você agachou-se até aos meus olhos e continuou "Não quero vê-lo triste", eu chorei sem controle, sem medo de que você me observava, não tive vedo de ser verdadeiro, pois sabia que você era a única pessoa que sempre esteve ali a todo momento e não recuou e nem avançou sem mim, ficou ao meu lado.

       Me vi à minha frente, minha parte sem medo, sem conseqüências, sem pudor. Era você. Aquele no qual todos já falaram sobre, aquele que eu fiz questão de prender no obscuro vazio da minha conturbada mente. Não tive como dizer não à mim, as faíscas eram características vivas de todo o teu potencial, você sempre soube fazer o que importava, desde sempre fora o lado selvagem da cativeirada criatura, era você que alimentava a coragem e por isso eu senti o calor por esses dias, vi labaredas onde eram sombras, também percebi que você respeitou o meu espaço. Agradeço por entender minha situação, agradeço por segurar minhas lágrimas por mais uma vez.

       "Deixa eu tomar conta agora... Permita que eu mude tudo..." Você me tentava com essas palavras e por mais que eu não duvidasse que você faria tudo totalmente diferente, eu não poderia nunca fugir da minha luta, era a minha vez de seguir. "Não posso..." Eu me respondi, você trancou sorriso e levantou, virou as costas por um momento e eu vi que respirava fundo. "Ainda não é tempo." Eu te respondi, mas de nada adiantou, você virou pra mim já em chamas. Teus dedos inflamados combustava todo o braço, subiu labaredas dos pé ao peito. "Você não está vendo que isso é errado?" Você me gritava. "Você parece que gosta de sofrer em vão..." Levantei me já posto e contestei "Não se pode chegar aqui querendo algo, só porque algumas coisas não deram certo", você riu e me cuspiu fogo "Tenta!", desafiado pelo brasar do teu olhar eu apostei, "Não só vou tentar, como também, vou conseguir." Você novamente riu, mas dessa vez foi diferente, senti que você não estava sendo irônico. "Quero o teu bem, não importa se seja por mim ou por você." E você se foi do jeito que chegou, traços sorrateiros de fogo às paredes, fogo fátuo do próprio ego.
"Quer o meu bem... E somos um só." pensei.



domingo, 1 de abril de 2012

Fénix


       No final de cada ciclo de vida, a fénix queimava-se numa pira funerária. A vida longa da fénix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual. Assim como o amor, que pode durar um tempo, perecer em cinzas, morrer, estagnar e logo renascer, novo em folha e ávido por voar novamente.
         Há momentos na vida que nem parece que acabamos por passar por um grande conflito ou forte emoção, seja uma felicidade momentânea, uma epidérmica depressão, imensa alegria ou âmago joguete em fossa. A estruturação emocional nos transborda em novação, não importa a condolência do sentimento, ele sempre reza pela renovação, inacreditalizando o senso humano por surpreender-se quando tal sentimento que era tido como morto, como pueris fragmentos, ele se recria, inflama-se como nunca, cria-se um novo ponto de restauração.

Apenas o céu

Foto por @sanamaru O amargo remédio se espreme goela abaixo, a saliva seca e o gosto de rancor perdura por horas. Em vez de fazer dormir ele...