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Algodão ou Frutas Vermelhas?

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Não havia resposta certa. O ato decisório é sempre instigante, ora pelo custo de oportunidade, ora por tentar agradar. E, com incerteza em demasia entre estes dois, aceitei a opção cítrica. Ao optar por algo com querer, não visualizamos o predicado que acompanha, então podemos errar sem querer. E, intencionalmente, houve a mensuração do desagradável, a desatenção ou moribunda tentativa de acerto, corroeu o cotidiano. Quebrou, de maneira abrupta, toda e qualquer certeza de que tudo estava bem posicionado. E nesta assíntota de valor, pereci no velho dilema de o que são acertos e erros mediante os valores tão específicos. Mais que uma maneira de enxugar partes, um rito de controle, que invariavelmente vai incomodar. Sempre incomoda. Adito ainda que, em circunstâncias tradicionais, eu apenas aceitaria a condição robótica de ser, entretanto, ao invés disso, navego em águas confusas de tentar ser humano também. O pior é quando esta conceituada insegurança é alvejada com comparativos (ir)rac…

Eu gosto é de pornô!

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E, embora não fosse sobre ela, mas veio a calhar com perfeição. Mudando o título por diversas vezes, me peguei com este que me foi dado de maneira sincera. Não contemplando o vulgar, mas a singularidade de interesses, o elogio conjecturava a plataforma de inércia e efetividade ocultista. Ela, com seus ossudos e compridos dedos de estalactite brilhante, expôs, de causa, aquilo que retrucou de início. Passando de um para o outro, como um cigarro de torpor, ficamos a divagar e discutir aos contentos do acaso. Se isto fosse um conto jornalístico, seria aqui lido seu depoimento "Não quero ir porque não quero ir". E essa é a maneira da inquietude de permanecer. Ela apenas não foi para onde deveria, para o que veio pronta, e não houve culpa ou remorso. Ela usou da absorção cósmica para aceitar que ela tem o controle das escolhas. Talvez, você esteja no mesmo ponto que eu, quando ela veio dizer que a tristeza era algo ruim, e sua transmissão poderia ser corrosivamente destrutiva. Nã…

Giramundo

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Desculpe dizer que não percebi onde você queria chegar verdadeiramente quando focou a folha. Rotacionei vagarosamente o aparelho, como se por algum motivo fosse despertar ali aquilo que em ti brilhava o olhar. Mordi a boca por dentro, sabia que não ia conseguir. Olhei para os lados, te devolvi a máquina. Engoli o seco quando disse que pra mim estava boa. Envergonhado, baixei a vista e sentei como se descarregasse meia tonelada das costas. Senti que vinha um monólogo prático de como não dou valor para tuas coisas, para os teus gostos e hobbies. Você ainda olhava feliz para imagem no monitor, era uma conquista que nenhum outro tinha conseguido. A captura perfeita de algo que em ti brotou figura tridimensional e disse "Aqui! Estou aqui!". Sem graça, observo o quanto aquilo te significa. Vejo as poses engraçadas que fazes quando clica e clica. "Essa não ficou boa", você diz, ajoelha-se, aponta novamente, mira com cautela como se fosse atacado a qualquer momento pela ví…

Sensibilidade

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Caído, aos prantos, soluçando e berrando como se isso fosse aliviar a dor. A cena é tão ridícula que a raiva consome mais e mais. Os socos no chão, deliberadamente, machucam algo tão menor quanto deveria. Queria estar no teu lugar agora. Queria ser qualquer outra pessoa, mas não posso. Não consigo. Tudo se move. Um balanço pertinente ao convés dessa embarcação falida e deteriorada que chamo de vida. A crise é deveras pertinente. Não consegui chegar ao chuveiro e me afogar nas minhas próprias lágrimas. Sucumbi, aqui, no chão da sala que não merecia. Os móveis fintando a ingratidão maciça dos meus dedos machucados de rancor. Tento buscar no catálogo mental algum livro de autoajuda que me faça querer parar de viver isso. Não me vem nada. Não enxergo nada além do leve enjoo a bombordo. O suor canalha desce com vontade, as mãos tremem desleixadamente, e eu não consigo relaxar, meu olhar se projeta para o nada. Vejo tudo em maré alta, chove em minhas roupas, o chão inundado de mentiras. Se …

Massivo

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Apressadamente. Essa poderia ser a palavra resumo de tudo o que acontece: apressadamente. Tudo ficou rápido, o relógio de pulso marca 22 horas e não mais 24 como era na ultima década. Instantânea foto, vídeo, documento, vida. Tudo na hora, pronto, fastfood,fastfoda. Delicado se tornou assunto banal, e outras palavras como calma, calmaria, esperar, relaxar, desfrutar, brisar, marasmo, pacato e todos esses derivados e sinônimos que nos traz paz foram revogados tacitamente. São trabalhos vários, um atrás do outro, sem pausa, sem prosa. Estudos, pesquisas, trabalhos, conversas, saídas, encontros. De segunda a segunda, apenas saberemos que as datas passam porque vem carnaval, aniversário, virada de ano, páscoa, são joão, pais, mães, natal, férias, não nessa ordem, mas ordenadamente grafados na tabela de coisas para entregar/fazer. Tudo marcado em folha, no alarme do celular, nada pode se perder. E o que seria da criatividade se não fosse a pressão? Pressionando os dedos nas têmporas, tento…

Pela janela

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A inundação de luz sempre me chama atenção. Até mesmo o banhar da escuridão me atrai. É como se houvesse sempre um deságue de cores ou sua falta. As janelas permanecem abertas, com chuva ou sol, os ventos do leste sopram ao desidério. Observando os cidadãos do mundo e suas interações, sinto como se pudesse me ver da próxima esquina, aceno como resposta do campo de visão. Remexem as folhas da árvore vizinha, no quintal de trás. Farfalham a cada sopro de Abril. Flores se suplicam ao amanhecer e depois perecem, decaem na resiliência pragmática, ninguém sabe que elas afloram às 4:32 da manhã, sempre antes dos primeiros raios do sol. O tempo de vida é rápido, pois os pássaros e insetos já sabem que a melhor seiva, o melhor néctar é sempre ao florescer, quase que imediatamente após. Até então, nada de ninguém à vista, todos em suas capsulas maternas, oikos em colmeia. As sombras postam formas durante todo o dia, um convite para quem gosta de capturas. Gosto de vê-las rodopiar pelo recinto, …

Nuvens vermelhas.

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Ao abrir as janelas me deparei com uma saudade. Vi as nuvens avermelhadas de outrora. Eram grandes e volumosas, pareciam pesadas, mas andavam tão rápido quanto meu pensamento. Vi que ali poderia ser um ótimo lugar para pôr a cama, como antes, como quando eu dormia e via as estrelas. Lembro da época que as estrelas cintilavam até eu desfalecer em sono, lembro da passagem da lua, lembro dos raios do sol da alvorada, e do crepúsculo, lembro das cores e dos ventos. O rubro que sustenta o firmamento me entrega uma vida ligeira onde fui, deliberadamente, feliz. Não apenas pela própria experiência, tampouco pelas atividades inovadoras, mas também pela pressa que foi. Em pensar que um ano foi resumido em algumas poucas memórias, acontecimentos e aprendizagem. Parece que foi ontem que cheguei em casa pela primeira vez, abri as janelas do quarto, finalmente o quarto que poderia dormir sem temer alguém mexer nas minhas coisas, aparecer para falar algo de irrisório ou o barulho externo sequestrar…