Lápide.

 Ainda é cedo e, para quem dorme próximo das quatro da manhã, um sms não é nada às vinte e duas horas. O problema de entrar em um turbilhão é quando não se sabe sair dele. Justamente assim, começou o final de semana. A minha vontade era levantar todas as questões que se desenvolveram com a seguinte frase "vou fazer aquilo que te disse que não faria", e o flashback de promessas, juras e afirmações brotaram nas paredes como post-its. O que se deve esperar de alguém que tem atitudes contraditórias declarando que vai fazer isso propositalmente? Sinceramente, eu espero tudo e qualquer coisa. E, por mais que seja previsível, a única pessoa que vai sofrer com isso é aquela que não saberá lidar com as consequências dos atos (im)pensados. Se você, leitor(a), acredita piamente que vai carregar o peso dos ecos do teus atos sem reclamar, enfrentando numa boa, dou-te parabéns e siga forte. Porque, se o arrependimento surgir, aí terás um problema exclusivamente teu. Não terá choro ou ranger de dentes que corrija o tempo riscado com frustração projetada. Mas não te preocupes, tudo é uma questão de aprendizado, e a melhor época para errar e aprender é entre os 16 e os 25 anos. Dá para fazer muita coisa boa e ruim, maturando as consequências a cada dia.
 Ainda é cedo e, começara a pensar em planos futuros para quem não sabe nem o que fará ao amanhecer é, deveras, trabalhoso e inútil. Remoer a culpa, rever frases e diálogos, mexer aqui e ali como se uma planilha virtual se projetasse na parede, auxiliando a paranoia rotineira. Cheguei tarde ao enterro da ideia de você. Todos já se foram, as flores de prêmio caem ao pé da imagem, leio "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" gravadas no mármore. Repouso por um tempo no jazigo, tomo os drinks que trouxe para celebrar a união. Tudo morre uma hora ou outra. E, aqui, morre mais uma parte de mim.
 Ainda é cedo e, mais uma vez a memória falha. Estou tomando esses glóbulos de cores alternadas para aliviar a pressão de viver. A sonolência nem é tão forte, mas às vezes me esmagam o crânio. Aos poucos, como o cair da chuva de inverno, minha memória se esvai. Gradativamente, minhas lembranças são surrupiadas pela dor de não querer lembrar das coisas, de não confrontar o passado com o presente, de não te mostrar quanto dói saber do mármore. As lembranças vão morrendo como ato unilateral de gostar. O efeito é simples, como um mantra, uma façanha trabalhada para melhoria pessoal. Primeiro se vão as coisas mais irrisórias, depois nomes, lugares e coisas, evoluindo para datas, acontecimentos e finalmente sentimentos.
 "Talvez tenha finalmente aprendido", é o que está na testa por agora, observar e agir. Foi assim que aprendi a me enturmar, livros de expressão, controle e sensibilidade. Aprendi a emburrecer, a dissimular e principalmente a mistificar. Agora, mais que nunca, reforço as aulas de desmemoriamento, esquecendo o(s) que importa(m).  


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