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Mostrando postagens de Junho, 2017

Lápide.

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Ainda é cedo e, para quem dorme próximo das quatro da manhã, um sms não é nada às vinte e duas horas. O problema de entrar em um turbilhão é quando não se sabe sair dele. Justamente assim, começou o final de semana. A minha vontade era levantar todas as questões que se desenvolveram com a seguinte frase "vou fazer aquilo que te disse que não faria", e o flashback de promessas, juras e afirmações brotaram nas paredes como post-its. O que se deve esperar de alguém que tem atitudes contraditórias declarando que vai fazer isso propositalmente? Sinceramente, eu espero tudo e qualquer coisa. E, por mais que seja previsível, a única pessoa que vai sofrer com isso é aquela que não saberá lidar com as consequências dos atos (im)pensados. Se você, leitor(a), acredita piamente que vai carregar o peso dos ecos do teus atos sem reclamar, enfrentando numa boa, dou-te parabéns e siga forte. Porque, se o arrependimento surgir, aí terás um problema exclusivamente teu. Não terá choro ou rang…

Caprese

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Quando a revolta é maior do que o medo de sair, é justamente quando as coisas inimagináveis podem acontecer. Nem pensei duas vezes ao fechar a porta, deixando para trás um escarcéu efusivo, apenas queria ir para qualquer lugar que não fosse minha casa. Geralmente, as pessoas comuns querem deixar tudo e ir à casa como refúgio perfeito. Comigo é justamente o contrário, parece que o barulho do mundo é mais silencioso do que aqui dentro.   A chuva castigava a cidade como outrora, entretanto não seria isso que pararia a vontade de fugir. Uma vontade máxima que evolui com o passar da vida. A cada dia, a cada minuto, mais e mais vontade de apenas sumir. Ser arrebatado por uma ordem superior, aliens, ou seja lá o que for. E foi assim que segui o mantra até o ponto de encontro. Uma frase reiterada de que o novo poderia ser melhor do que eu já tinha até ali. Segui com receio preso na garganta, quebrando um, dois, três pontos de segurança. O frio não me deixava mostrar que eu suava de nervoso, as…

Peguei estrada ao amanhecer.

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O dia ameaçava acordar enquanto nos preparávamos para partir. Era quase cinco da manhã quando olhamos para a vida fora de nós. Tudo aqui se repetia de uma maneira não-natural. A mesma noite em forma de comemoração que se prolongou, arrastando-se para laços eternos. Talvez você nem lembre disso por agora, mas eu não me escuso de nada. Os passos foram dados bem conforme o mesmo contexto. O ambiente, as pessoas, a iluminação composta, os livros moldados, as cores do céu e a inexplicável maneira destrutiva de dizer adeus. Sempre me vejo padronizando os acontecimentos, como forma de autoproteção. E, como sempre, comparei tudo o que houve conosco, e os motivos pragmáticos para te dizer, caso eu tenha chance, que dessa vez não farei diferente. O fim já é tão esperando quanto um clichê de Hollywood. Aí você deve se perguntar: será que vale a pena passar pela mesma coisa? Será mesmo que é a mesma coisa? Quais os riscos, perdas e ganhos? Bem, eu sei que eu me perguntei muito. Me perguntei até ir…

O dia histórico.

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[Texto perdido, pedaços encontrados]
Hoje, sete de junho, o dia histórico deste ano. Bem, ao menos, até agora. O dia de férias, aquele dia perfeito, mesmo que pensando que não seria tão bom assim quando saí de casa, o dia que ficará nas nossas mentes e fotos para sempre. Um dia inesquecível. Muito sol, areia quente, risadas motivadas, praia convidativa, bebidas e cigarro, brisa. E claro, ao lado de pessoas que gosto infinitamente, e a cada dia agradeço por tê-las ao meu lado. Um dia que eles lembrarão como história, como marco de que após tanta chuva, problemas, a tempestade uma hora finda e estaremos juntos, para compartilhar nossas desaventuranças. Você lendo assim, me diz se não dá uma ponta de inveja, dá sim que eu sei. O dia histórica, com alegria e festividade foi para outra pessoa, não para mim. Eu não sou esse tipo de cara que tem esse tal dia histórico que clareou teu dia. Não, não. Meu dia histórico não teve nada a ver com isso. Na verdade, esse marco crucial de sete de junho …

Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden

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Extravagâncias, amantes, dívidas, separações, alegações de incesto, morte por febre, se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que carregar consigo um Lord Byron. Tem que ser antigo como são antigas a bactéria, a chaga de Cristo e tudo o mais que a medicina não deu cabo. De teu motor valvulado, corrosivo e perecível você tem que extirpar cadeados de lamentos, cruz e sacrifícios. Você tem que ser teu próprio pronto socorro, da selvageria que é a vida, do osso quando arrebentam pancadarias na arquibancada, uma taça feita de crânio, as perfurações, as úlceras, as lesões, as ofensas, as injurias, os agravos. Você tem que saber que não é invulnerável, que vão te fazer a corte e os cortes, nunca as suturas. Você é antigo na dor, faz de sangrias coaguladas o teu pranto. Você colocou a mão esquerda na labareda, deu-a de bandeja à palmatória. Com a outra você cometeu haraquiri. E o show ainda nem chegou na metade
Por: Luiz Felipe Leprevost