Rosa Norte


 A ansiedade sempre toma conta ao esperar o ponteiro encontrar o norte. Vem um envolto ribombante de agonia, expectativa e frustração, tudo junto e ao mesmo tempo. Mesmo se consolidando como mero anseio, sinto que vomitarei a qualquer momento. Em pensar que nas mãos tenho a capacidade comprovada do caminho a percorrer, porém no peito me draga a fonte misteriosa de confusão e, claro, na mente apenas a ideia absurda e ultrapassada de que tudo dará errado e tomarei a pior das decisões. Esta é a hora que o mecânico não funciona, vejo acontecer. A agulha gira, treme, teima, mas não aponta a direção correta, aquela que tanto espero por resposta, aguardo mais um pouco. Respiro fundo como se adiantasse alguma coisa. Nada muda. As mãos firmes começam a padecer. Aperto o compasso e sinto a vibração das escolhas, já tenho que decidir, mesmo sem rumo. Preciso te dizer para onde vou e para onde não, ainda que sem respostas para tal, meço os passos para não derrubar nenhuma ideia antiga, nem suspender as convicções, tudo isso porque sei que são todas as coisas que irei tomar como marco, como checkpoint caso algo dê errado. Sendo sincero, sinto no âmago que a tomada de decisão definhará ao fracasso.
 Quero e busco um novo mantra. Algo que me faça continuar por mais difícil que apareçam os dias e as noites, varando as quatro estações. Algo que destrua o medo do crepúsculo e festeje a alvorada. Algo intrínseco que me mostre afinal de contas porque seguir por aqui e não por ali. É exatamente assim que me sinto: deitado, nu, em concreto frio, sem esperança alguma. Trago consigo apenas a bússola da vida, que não me diz hoje o que eu tenho que fazer, apenas aponta para as direções porque, então, vivemos em um mundo de possibilidades. 


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