Eita




E, embora a tempestade tivesse se dissipando, percebi que pela manhã, logo ao acordar, o barulho da precipitação ainda ecoava pelas paredes. Arranhando as sombras em perseguição dos ouvidos de quem ousava acordar. Era um dia nublado, o quarto escuro se iluminava ao leve toque do celular avisando SMS. Tão retrô isso de SMS em tempos de mensagens de mídia, não é mesmo? Fiquei paquerando aquelas letras tão únicas, finalizadas com pontos específicos de agrado. Sim, eu percebo que quando a gente pede com jeito e se mostra importante pode-se fazer detalhes se firmarem, nem que seja por mero agrado. O texto era impreciso, dizia o contrário da proposta inicial, mas não retruquei, segui o fluxo comum do dia, não queria deixar mais contragosto. Eu queria te falar muito, mas respeitei a noite, o silêncio, as possíveis questões familiares e minha insônia que me aguardava ansiosamente. A noite se alongou em marasmo, ora calor, ora frio, como se nada valesse a pena, tampouco ousasse querer. 
E, embora já firmasse o sol que fritava qualquer vontade de caminhar, tomei rumo. A paisagem já mudara tantas vezes os passos e vozes que a preguiça se instalara. Fiquei a averiguar o comportamento tácito de que tudo estava bem. Após a celebração do cotidiano, voltei ao posto da cadeira circular com o dente em tribal. Local único que faz marejar os ares. Os tijolos de alvenaria são as testemunhas de tardes que se complementam e divergem, com risos, mistérios e tentações. A colega passa na hora programada, já testemunhando o convencional sorriso de bem estar. Preciso te dizer algo que me incomoda, mas não aqui, não agora. É difícil encontrar espaço no santuário, então sigo ao lado oposto. Apresento a metáfora perfeita para que possas visualizar o futuro sem cartas, mas sim nas estrelas. 
E, embora as estrelas fixas nos céus de veraneio não possam ser vistas o tempo todo, sabemos que estão lá. Postas e cintilantes. As estrelas de outrora, hoje graficadas em celulose, como exemplo daquilo que preciso e quero, algo firme, organizado, podendo ser despojado, pomposo, cuidado e exemplificado. A argumentação foi específica para facilitar, na minha cabeça ao menos faz sentido. Quando voam boca à fora, o emaranhado se tangencia ao clímax enfadonho da negação. Mensagem errada, penso. Volta. Falo novamente. Só piora. A voz embargada de resposta e questões me fazem parar, suspirar, odiar ser assim. Precisão torna-se lâmina fugidia que escapole e esfaqueia as esperanças. Sinto o querer derramar de frustração. Paro. Pare. Melhor parar. 
E, embora seja a hora certa de parar, eu continuarei. Não sei o que fazer, mas não pararei. Será a primeira vez que, ainda enfrentando as próprias limitações, certezas e predições, ainda que caia, falhe e morra, não pararei. É hora de novos conceitos, porque voltei ao básico, ao conforto e controle, mas tudo parece torto e inacabado. O suspiro acaba, não paro e continuo o caminhar, engolindo seco a proposta a ser feita a si. Espalhando verdades simples como um título de livro, agora não tem muita coisa em ordem, mas torcerei para que fique melhor, aos poucos, aos passos, melhorando e, quem sabe, os "emboras" se tornem "agoras".   

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