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Mostrando postagens de Março, 2017

Nuvens vermelhas.

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Ao abrir as janelas me deparei com uma saudade. Vi as nuvens avermelhadas de outrora. Eram grandes e volumosas, pareciam pesadas, mas andavam tão rápido quanto meu pensamento. Vi que ali poderia ser um ótimo lugar para pôr a cama, como antes, como quando eu dormia e via as estrelas. Lembro da época que as estrelas cintilavam até eu desfalecer em sono, lembro da passagem da lua, lembro dos raios do sol da alvorada, e do crepúsculo, lembro das cores e dos ventos. O rubro que sustenta o firmamento me entrega uma vida ligeira onde fui, deliberadamente, feliz. Não apenas pela própria experiência, tampouco pelas atividades inovadoras, mas também pela pressa que foi. Em pensar que um ano foi resumido em algumas poucas memórias, acontecimentos e aprendizagem. Parece que foi ontem que cheguei em casa pela primeira vez, abri as janelas do quarto, finalmente o quarto que poderia dormir sem temer alguém mexer nas minhas coisas, aparecer para falar algo de irrisório ou o barulho externo sequestrar…

Eita

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E, embora a tempestade tivesse se dissipando, percebi que pela manhã, logo ao acordar, o barulho da precipitação ainda ecoava pelas paredes. Arranhando as sombras em perseguição dos ouvidos de quem ousava acordar. Era um dia nublado, o quarto escuro se iluminava ao leve toque do celular avisando SMS. Tão retrô isso de SMS em tempos de mensagens de mídia, não é mesmo? Fiquei paquerando aquelas letras tão únicas, finalizadas com pontos específicos de agrado. Sim, eu percebo que quando a gente pede com jeito e se mostra importante pode-se fazer detalhes se firmarem, nem que seja por mero agrado. O texto era impreciso, dizia o contrário da proposta inicial, mas não retruquei, segui o fluxo comum do dia, não queria deixar mais contragosto. Eu queria te falar muito, mas respeitei a noite, o silêncio, as possíveis questões familiares e minha insônia que me aguardava ansiosamente. A noite se alongou em marasmo, ora calor, ora frio, como se nada valesse a pena, tampouco ousasse querer.  E, emb…

Rosa Norte

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A ansiedade sempre toma conta ao esperar o ponteiro encontrar o norte. Vem um envolto ribombante de agonia, expectativa e frustração, tudo junto e ao mesmo tempo. Mesmo se consolidando como mero anseio, sinto que vomitarei a qualquer momento. Em pensar que nas mãos tenho a capacidade comprovada do caminho a percorrer, porém no peito me draga a fonte misteriosa de confusão e, claro, na mente apenas a ideia absurda e ultrapassada de que tudo dará errado e tomarei a pior das decisões. Esta é a hora que o mecânico não funciona, vejo acontecer. A agulha gira, treme, teima, mas não aponta a direção correta, aquela que tanto espero por resposta, aguardo mais um pouco. Respiro fundo como se adiantasse alguma coisa. Nada muda. As mãos firmes começam a padecer. Aperto o compasso e sinto a vibração das escolhas, já tenho que decidir, mesmo sem rumo. Preciso te dizer para onde vou e para onde não, ainda que sem respostas para tal, meço os passos para não derrubar nenhuma ideia antiga, nem suspend…

Deixe acontecer.

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Tudo sobre mim. Tudo sobre mim.  Era tudo sobre mim.  Eroticamente, pus as mãos na abotoadura da bermuda e te olhando fixamente, baixei-as tão devagar quanto pude. Um pé suspendeu para que logo o outro pudesse se livrar do pano que vos chamava atenção. E na minha cabeça, tudo era erótico. Você não pisca, não se move. Tacitamente aceita minha presença ali, nas areias que um dia ninguém conhecia. Você, estranho que nunca se esbarrara comigo antes, estava no lugar que nunca estive, e descobriu meu crime. O que mais poderia fazer a não ser aceitar sua presença? Com as mãos ao redor do corpo, percorri cada parte, me certificando, pausadamente, que ia ficar completamente pronto, despido para o que estava pronto. Para o que já sai de casa pronto para enfrentar. Mordi a boca com cuidado quando pisei fundo para guardar as vestes em local seguro. Fiquei com medo de te perturbar, mas se você mexeu eu não percebi. Estático como um mero bibelô, ficou ali até que pudesse me perder de vista. E foi assi…

Eu fui à praia sozinho.

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E, agora com a paisagem passando como se me dissesse "vem depois, mas venha", penso nas palavras dela. Talvez ela tivesse razão, ir à praia sozinho não seria algo tão desagradável. Pois bem, meus pés fritam sobre a areia fofa, mas não incomodam ao ponto do desespero, a brisa sacoleja para frente, derrubando as ondas. O refrigerante proibido é praia. Areia, mar, música aos fones, ventania, refrigerante e muito "não obrigado e não agradeço". Infelizmente, o consumo na praia é líquido, não me atrevo aos caldinhos, casquinhas de siri, e todos esses petiscos do mar, seja camarão ou qualquer tipo.   Estar na praia tão logo me remeteu ao passado, como eu vim sozinho, deixarei o passado para longe. Desculpe, vou ler um pouco, um Tubarão para ser mais icônico; até a volta. 


  Só voltei por dois motivos: 1) Péssimo lugar para ficar e 2) item 1 várias vezes. Não que eu seja o avaliador nacional de praias, mas o lugar que eu fiquei era péssimo e não repetirei. Fui deixado às…