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Mostrando postagens de 2017

Lâmina

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A carta que fechará o ciclo desde momento da vida está sendo revelada. Ela, XIII - A Morte. A morte não significa a morte. A representação é claro e objetiva, é o jogar fora tudo aquilo que te é inútil, é o fim de uma era e o início de outra. Lembre-se, você morre várias vezes durante toda a vida. Há ciclos que são bem expressivos, como a infância, a juventude, o se tornar adulto e o idoso. Quando a gente morre, crescemos de alguma maneira. E deixar para trás todo o apego com algumas pessoas, coisas e lugares é difícil. Muda é muito difícil, sair da zona de conforto de uma maneira tão significante é como um rito de passagem. Terminar o ensino médio e começar uma faculdade é um ritual tradicional do início da vida adulta. A morte acontece ali mesmo. Morre o estudante de ensino médio e começa o universitário, o jovem adulto. Nossa, e quantas cobranças, deveres e obrigações surgem ali, como um caminho sem volta. A cada dia tudo muda. A morte diária, o desenvolver da vida, do ciclio, do ka…

Pacífico

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Percebo estar acordado, revolto entre lençóis, noite adentro, lua entre frestas do telhado, frio de litoral, você deitado ao lado. Outro pesadelo. Meus ouvidos ao lado do teu ronronar, sinto o hálito quente escorregando pela nuca. Seu corpo quente esmagando o meu. Abraçados como em uma despedida de longa data, seus braços me abraçam, sua voz diz coisas sem sentido, e a noite se afunila mais uma vez. Um pesadelo que me acontece muitas vezes. Acordar e te sentir aqui tão perto. Me deixo ir ao contorno da lua vazante. Sei que a solidão de agora vai passar assim que acordar. Essa aflição que me persegue, como alguém que espera sentado no canto da calçada. É só um pesadelo. Já já irei acordar e ver que continuo sozinho, e isso me fará bem. Afinal de contas, pessoas difíceis vivem sozinhas. Lembro da lua de hoje, do céu de hoje, a lua enorme como o meu sonho, tão longe quanto o meu caminho e tão real quanto minha vontade de continuar. Talvez você não perceba mais a lua como outrora, nem des…

Ride

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I was in the winter of my life And the men I met along the road were my only summer At night I fell asleep with visions of myself dancing and laughing and crying with them Three years down the line of being on an endless world tour and my memories of them were the only things that sustained me And my only real happy times
I was a singer Not a very popular one I once had dreams of becoming a beautiful poet But upon an unfortunate series of events saw those dreams dashed and divided like a million stars in the night sky That I wished on over and over again, sparkling and broken But I didn’t really mind because I knew that it takes getting everything you ever wanted and then losing it to know what true freedom is
When the people I used to know found out what I had been doing how I had been living, they asked me why, but there’s no use in talking to people who have a home They have no idea what its like to seek safety in other people For home to be wherever you lie your head
I was always an unusual gir…

Cool

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"Sim, eu estou bem", é assim que geralmente eu respondo para que as pessoas não fiquem com aquele ar de piedade e consigam seguir o que elas realmente querem fazer. Porque eu sei como é difícil você gostar de alguém e não querer ficar mais com ela, mas também não tem motivos para ignorá-la ou largá-la por aí. É mais uma questão de amadurecimento de caráter, somado ao sentimento e memórias boas. Isso a gente aprende com o tempo, com a vida. Primeiro é difícil você desvincular o hábito, o dia-a-dia que passavam juntos, que se falavam e dividiam praticamente tudo o que podiam. Segundo, depois isso vai morrendo, as coisas vão ficando espaçadas, o ritmo começa a ganhar espaço entre o pensamento no outro e quando você perceber, já se foram dias, semanas, meses, anos e décadas. Sim, as décadas também chegam e quando você perceber o quanto de pessoa já veio e já foi, vai entender que deverás carregar sempre o que tem de melhor de cada qual. Ainda que a relação fuja, suma, acabe por …

E foi uma reviravolta daquelas.

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A folha que apanhei caiu do livro que abandonei lá por volta de 2016, não sei bem. Também não lembro quando escrevi aquelas palavras, mas lembro dos motivos. Lembro porque foram eles que estavam escritos em dizeres quase que profanos, ou melhor, quase como uma oração, rogando que aquilo fosse lido o quanto antes, mas era tarde demais. O aviso que escrevi para mim, na noite que encontrei o bilhete dentro dos envelopes, aquilo que deixei fluir durante horas de choro sem sentido que passei sozinho. Foi naquele dia, sim, foi naquele dia. Eu me avisei ali mesmo, em traços tortos e feito poema, avisei com tinta manchada de lágrimas, disse tudo o que eu não deveria fazer.  Fiquei estático, claro, quem não ficaria? Como eu pude esquecer disso? Sentei na mesma hora, escorrendo pela parede, até que finalmente o chão me acolheu. Li uma, duas, três vezes até parar e pensar no tanto que fiz e deixei de fazer pra chegar até agora. Até esse momento em que tu estás a ler. Respiro fundo. Olhei para os …

O Mistério da Caveira de Cristal

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Quando a arqueóloga Dra. Laura Shepherd descobre que seu colega foi assassinado segurando um misterioso crânio de cristal, é envolvida em um mundo sombrio de presságios estranhos, fenômenos psíquicos e um código enigmático, 1221201212212012. Sua busca pela verdade leva-a a arriscar sua carreira, seu casamento e até mesmo sua vida. Laura descobre uma terrível profecia, embarca em uma perigosa missão, rumo a um antigo templo maia, protegido por uma densa floresta, cercado por guardas armados, determinada a descobrir o mistério da caveira de cristal, a qualquer custo.

A) Opinião sobre a história? Ao começar a lê-lo, nos reportamos às famosas aventuras de arqueólogos e caçadores de relíquias, pois, uma expert em assuntos antigos é forçada a trabalhar em um dos maiores mistérios que já viu. A caveira de cristal em si já é um ponto de curiosidade para se ler. Soa como uma aventura intrigante.

B) Opinião sobre os personagens?
Apresentados poucos personagens, apenas a protagonista se dá ao luxo …

Tua mensagem me lembrou PalavrasdeDuas

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Depois dos dezoito a gente aprende que tem amor que não precisa ser pra vida inteira. Não é fácil destruir toda aquela história de que amores são aqueles que vêm e ficam pra sempre, mas a gente aprende. Aprende vendo aquele casal que a gente tanto apoiava e que tanto se dava bem separando, aprende vendo pessoas que juravam nunca sair da nossa vida, pegando as coisas e indo embora. A gente aprende que pra ser amor não precisa ficar, alguns amores vêm e ficam o tempo que é preciso pra nos ensinar ou aprender algo, mas um dia se vão, porém, não é porque acabou que não deu certo, não importa o tempo que ficou, o amor não é cronometrado. Deu certo até ali, só chegou a hora de cada um seguir seu caminho e isso não anula o amor que foi um dia e que também ficou. Por quanto tempo foram a companhia perfeita para o outro? O quanto cresceram juntos? São inúmeras histórias pra contar que não anulam só porque não terão mais um futuro como manda o manual. A relação existiu, foi linda enquanto durou…

O ângulo era perfeito, mas nós não.

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E a foto foi tirada diversas vezes, sempre ficávamos bonito nelas, mas a gente nunca ficava com nenhuma. Tinha algo maior que nos montava e nos arrancava da mesma maneira. Até que desistimos e paramos de tentar. O vento passa por entre a gente afirmando que já é hora de parar. Nossos corpos fixam estátuas esparramadas pelo concreto, ficamos ali deitados, olhando as nuvens de sempre, indo e vindo, como pessoas, como nós dois ontem e amanhã. Parece que não há mais mágica entre nossas conversas, não há sabor no nosso gosto. E principalmente, nossos hobbies ficaram ultrapassados. Fotos, vídeos e rabiscos. Tudo apagado da memória dos apetrechos. Você diz que não vale a pena guardar aquilo se já nem se importa com mais nada. Eu observo, fico me perguntando se a tentativa de poses minutos antes era para você afirmar para si de que algo estava errado ou se era só uma tentativa. Estamos no shopping, olhando vitrines e valores, passeamos por entre monumentos gigantes de proporções cinematográfi…

Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden.

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Extravagâncias, amantes, dívidas, separações, alegações de incesto, morte por febre, se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que carregar consigo um Lord Byron. Tem que ser antigo como são antigas a bactéria, a chaga de Cristo e tudo o mais que a medicina não deu cabo. De teu motor valvulado, corrosivo e perecível você tem que extirpar cadeados de lamentos, cruz e sacrifícios. Você tem que ser teu próprio pronto socorro, da selvageria que é a vida, do osso quando arrebentam pancadarias na arquibancada, uma taça feita de crânio, as perfurações, as úlceras, as lesões, as ofensas, as injurias, os agravos. Você tem que saber que não é invulnerável, que vão te fazer a corte e os cortes, nunca as suturas. Você é antigo na dor, faz de sangrias coaguladas o teu pranto. Você colocou a mão esquerda na labareda, deu-a de bandeja à palmatória. Com a outra você cometeu haraquiri. E o show ainda nem chegou na metade.
-Luiz Felipe Leprevost

Delphinapterus

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Me descubro novamente. O tato se alisa entre as cobertas, a estreita cama se alarga e me engole. O quarto que é minúsculo durante o dia sempre se expande na imensidão do escuro total. Por mais que eu tente fugir do que me persegue, sempre, no ultimo segundo antes de dormir, sou visitado por mim e por toda mágoa que me devora. Me cubro novamente. Não quero sentir o frio de ser solitário, de precisar das pessoas para fazer coisas pequenas, de saber que a vida continuar melhorando para todo mundo menos para mim. Um egoísmo cíclico que parafusa a memória das minhas paredes. Lembro agora do nojo em sua feição após um ato carnal de amor, lembro das costas que fizeram parede para qualquer menção de carinho durante 15 horas seguidas. Lembro que a culpa é minha, que ninguém gosta de mim o suficiente para entender e querer que eu seja exemplo de pessoa ideal. Parece que vai chover novamente, sinto o molhado no rosto, mas não tenho certeza se já sou eu derramando minhas próprias tristezas ou se …

Hoje é meu dia de sol.

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Hoje eu senti o sol pela primeira vez em anos. Parece que os sabores do raiar foram perdidos nessa pesada época de chuva. A coceira que branda a pele me traz uma sensação de plenitude saudosista. Eu não sei se vou te ver mais tarde, mas eu vou ao teu encontro, enquanto o dia estiver claro, te acostumando numa vida mais comum. Você quer que tudo aconteça? Meu braços quentes serão teu descanso da turbulência, minhas pernas mornas abriram a imensidão do teu desejo e a brisa perdurará por inquietas infinitudes. Hoje será meu dia de sol. Vou clarear as nossas tristezas, um raio ao estilo power rangers ultra, que obliterará toda a mágoa, tristeza e solidão. O raio do sol será o meu farol resplandecente, captando e jorrando a magnitude do calor que é acreditar que tudo vai dar certo. Um dia de cada vez. A escuridão acontece para sabermos dar valor ao dia, e um rege o outro em idêntica contrapartida, feito elementos chineses de equilíbrio. Preciso que você entenda essa parte da vida, de que t…

Million Reasons

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E foi então que ela começou a contar a história, mesmo sendo uma coisa triste não tinha, em seus olhos, qualquer traço de mágoa. Foi uma fase difícil, começou ela, mas foi uma grande vitória. Era por volta dos meus 32 anos que tudo começou, nas verdade eu nem sabia que já tinha começado lá trás, durante um evento que reuniu a família. E foi pesando a cada mês. Primeiro quando o médico deu a notícia que eu não poderia engravidar. Isso pra uma mulher nova, trinta anos ainda é nova, é muito terrível. Deixa ela devastada. Porque quando é jovem a gente faz de tudo pra ter uma certa estabilidade pra assegurar uma vida melhor aos filhos, mas e quando não há mais essa expectativa? Primeiro foi a festa da família, todos me olhavam, cochichavam e vinham com o olhar de pena. Eu era uma cancerígena terminal ali. E tudo o que eu menos queria era, de fato, lembrar desse acontecimento. Dias se passaram e a tristeza se instalou. Logo depois eu fui demitida, segunda a demissão, na terça mamãe faleceu.…

A ponte.

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Dizem que somos feito ilhas. Grande blocos de terra que possui vida, mas isolados de todo o resto por oceano. Ilhas. Se somos ilha, família é arquipélago. E o intuito de começar a tentar explorar outras ilhas é, justamente, criar vínculos e aglomerar valores à nossa ilha. Assim, a ilha por mais que não cresça e se torne uma potência icônica, ao menos não afundará no próprio oceano. E, assim, te digo novamente, essa coisa de abraçar é o que faz ponte para nossa ilha. Os braços se tornam grandes tentáculos que aproximam as terras dos nossos corações, deixando transporte de mão dupla aos sentimentos. Do mesmo ocorre quando essas pontes são quebradas, queimadas, ou esquecidas pelo tempo. Um exemplo clássico é a ponte ultraviolenta. A ponte ultraviolenta é aquela que é criada forçadamente a partir de eventos esporádicos que firmam certas esperanças e fidelidade. E tem esse nome porque quando ela vem abaixo, é de maneira tão devastadora que leva consigo um pedaço da ilha.  Eu te falei que el…

Lá no fundo.

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O buraco que cavo ainda não me cabe, mas aos poucos conseguirei. Aqui em baixo é confortável, úmido e morno, como em um abraço depois do meio-dia. E ultimamente, tudo o que preciso vem desse vazio que me consome. Aos poucos, sei que lá no fundo essa sensação de angústia passará, junto com o medo e a culpa. Não mais carrego aquela vergonha de existir, porque já não há mais os dedos ossudos que me apontam, nem os suínos risos que dilaceram meu bem estar. Como uma sombra vagante, escorro meu corpo por entre as luzes flamejantes. Não resistindo ao medo de fugir das multidões. Lendo você por entre as paredes, o oceano de pessoas que nos afoga, e eu, sombra. Os dias de chuva estão por acabar, e já o sol reinará com toda pompa, lembre-se de sempre apreciá-lo, porque daqui do fundo, quando eu finalmente ajeitar o meu lugar, nunca mais irei enxergá-lo. E isso não é ruim, pois a escuridão me convida, é parceira e sempre me conforta, me adita em seu leito generoso de puro nada. 

Love, Rosie

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"Escolher... escolher a pessoa com quem você quer dividir sua vida, é uma das decisões mais importante que... qualquer um pode fazer... sempre. Porque quando dá errado, deixa sua vida cinza. E às vezes... às vezes você nem nota, até acordar numa manhã e perceber que anos se passaram. E nós sabemos o que é isso! Sua amizade trouxe um colorido novo para a minha do mundo por essa dádiva. Espero ter sabido dar valor, mas talvez não tenha vida e esteve presente nos momentos mais precisos e eu sou a pessoa mais feliz dado, porque às vezes você não vê que a melhor coisa que já aconteceu à você está bem ali... debaixo do seu nariz. Mas tudo bem... é, tudo bem."

Ainda é cedo.

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Ainda é cedo, mas eu preciso sair daqui. Preciso deixar para trás, mesmo que por um momento, essa bolha de vergonha que se infla pela casa. Roubei um pedaço dela e pus na mochila, foi um dia com uma bomba dentro de uma caixa, pronta para entrega trágica. Trágico não é o mesmo que mágico, do mesmo modo que natureza não é o mesmo que comportamento. Fui catalogando quantas vezes eu fiquei com vergonha de mim, só por hoje. Sempre quando chego depois da casa dos 30 eu perco as contas, volto a contar em pares de três. Ainda pelo caminho demorado, lembrei que poderia haver marcas e eu teria que criar uma história mirabolantemente mundana. Por sorte não havia. Nada de marcas vermelhas de tuas mãos que me apertaram, provavelmente também não deve ter nas costas que encontraram as maciças paredes por vezes, e as unhas estão intactas, por mais que os dedos tentassem agarrar as quinas com desespero. Ir de contra-vontade é tão humilhante quanto por conta própria e, às ordens do imperador, a saída t…

A cada dois anos

A cada dois anos acontece um evento importante na cidade. Eu nunca fui a nenhum deles, sempre tive vontade. Nessa época de evento, muito provavelmente, estarei namorando ou algo do tipo, e será um convite desses que eu não posso perder por gostar muito de livros. A pessoa vai se empolgar em ver várias celebridades, vários títulos e muita informação pairando entre as pessoas. Ela vai se empolgar ao ponto de ir com outras pessoas. Sim, nesses eventos acontece como nas idas ao cinema. O convite é feito, as pessoas vão, e eu não irei por motivos comuns: Não é um horário que eu possa ir, não é um dia ao qual eu possa ir, ou o mais costumeiro, eles vão antes do dia marcado. E, como de praxis, eu não irei depois. Ter uma experiência ao qual eu possa falar sobre os livros sem qualquer repúdio, julgamento ou chatices. Estaria eu em ambiente agradável e confortável ao ponto de poder apontar e comentar sobre aquelas capas e volumes. Este ano não foi diferente, convite aceito, dias se passaram e l…

Pós operatório

O veneno é sentido direto na veia. Imagino se você consegue ir além do que consegui. Tento projetar as alegrias e conquistas além de tudo o que vejo agora. Sei que estás bem, onde quer que estejas. Vejo as fotos ao sol, ouço as canções gravadas, leio as frases de amor. Contente, sigo o meu caminho ao dissecar o câncer da tua vida. Um tumor que crescia se ninguém perceber, um mal que iria enraizar em teus sonhos e estrangular teu futuro. Ainda bem que não precisou amputar nada. Uma retirada delicada e precisa. A recuperação é lenta e gradual, todos sabemos, mas a cura é real. Ao menos deste tumor. Espero que não deixe crescer outros assim, feito bola de neve.

Atlantis

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Sem dores permanentes, sem molhar o rosto, sem luz forte, sem pressa, sem barulho. Foi assim que acordei hoje, em pleno domingo costumeiro. Acabei dormindo tarde e, por mais pesado que tenha sido o dia, continuo aqui. Tive um sonho, deveras, engraçado. Não lembro o que aconteceu, mas lembro da música, lembro de acordar leve. Acordei sozinho, como sempre. Pessoas difíceis vivem sozinhas, andam sozinhas, comem sozinhas, dormem e acordam eternamente sozinhas. E, se você acredita que eu chorei para estar tão aliviado, desconsidere este pensamento. Não houve banho demorado durante a madrugada, embora eu estivesse suado depois de passar um bom tempo no 141. Apenas consegui dormir. Sem imaginar as constelações, sem pensar no horário do amanhã, ou no corpo fervilhando em dissabor. Foi uma noite de exaustão serena.   O dia segue no fluxo de descompaixão. Os cartuchos vazio ficam caindo ao chão a cada palavra de ódio, o corpo é metralhado violentamente com a desesperança que só alguém que já mo…

Olhe para mim!

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Olhe para mim. A dor de cabeça continuava, o frisson do dia escorria pelas entranhas, e assim seguiram os tiques e taques. A cada dia que se vai, está sendo mais difícil manter a concentração. É grito, tiro, motores, buzinas, risadas e mais confusão. Nesta mesma semana eu ainda tentei fazer diferente, como havia prometido, fui comer peixe no almoço. Até que gostaria, estava com uma cara ótima, o cheiro muito atraente, mas era peixe frito. Não sei se por momentos assim é que acontecem atos que desafiam a morte, mas eu fiquei deveras nervoso. Um, porque era fila e dois, porque era peixe. A cada momento que seria a minha vez, me vi com a bandeja em tremedeira, senti os olhos julgadores de todos ao meu redor, os cochichos e as risadas de provocação. Ao sentar, tentei fazer como o de costume: comer rápido e ir para casa, mas como comer rápido se não há fome e a vontade de sair correndo é maior? Evitei qualquer tipo de manifestação, seja virtual ou real, sem conversas, sem contato visual, se…

NeonDawn

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O holograma de ontem sorri, dá uma piscadela e me convida a segui-lo. Iremos almoçar. O holograma vai sozinho, acompanha em silêncio se eu estiver para o silêncio, acompanha em conversa se eu estiver para conversa, acompanha sempre aos cuidados de. O holograma é um fantasma que aparece durante todo o meu dia. É um exercício resolvido ao som de Pearl Jam, uma ida ao Shopping para ver cartas do Pokemon, é um parceiro calado. O Holograma era você, e toda sua feição em me fazer bem. Sei de tudo isso porque eu vivo Rhye - The Fall: as nuances, os movimentos, e a melodia da madrugada.   A melodia se estende por muito. Ouço as mesmas músicas, nas mesmas condições. Ultraviolence quando triste, MDNA quando em dias de sol, várias playlists específicas para cada momento. O banho antes de sair de casa é programado, o banheiro que nunca usei é evitado, a praia é jurada em visita, os dedos nunca mais se entrelaçam. A madrugada também traz algo que açoita o sono, ela amargura mais que o preto que aqu…

Tempos de Cinzas.

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Eu sabia que não era uma boa ideia, mesmo assim, arrisquei quebrar o protocolo que tento criar para poder fazer as refeições sem pragmatismos. Acendeu de maneiro costumeira, "@X curtiu sua foto", e após 15 segundos, tempo suficiente para a notificação expirar, "@X curtiu sua foto", e assim se fez outras vezes. Eu já havia desistido de capturar as notificações e te aconselhar a respondê-las de pronto. Porque tem horas que pequenas coisas significam muito, e tantas outras vão além do nosso poder de pedir. Mirei a refeição seca, comi o melhor que pude, e deixei correr os diálogos que me atraem. Sempre que surge algo interessante, o massacre é quase que unânime. Todos ao redor ficam desdenhando, satirizando e calando conversas com teor atrativo. São chatices que ninguém quer saber, dizem eles. Eu continuo calado. Aprendi a ficar calado depois de perder muitos bons contatos. As pessoas não querem saber sobre meus gostos, sobre o que faço de melhor, ou outras teorias que…

Demente.

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Como atividade lúdica, ele me disse para escrever uma palavra por dia. Aquela palavra que me disseram em adjetivo. A palavra será um guia para redefinir meu eu e transparecer a minha pessoa através de outros olhos. Colocando em prática, peguei alguns post-its e passei a colar na parede de casa. Um por dia. Como um mapa em prefácio. Até agora poucos borrões amarelados com palavras de familiares. Tentarei seguir ao menos por um período de testes, uns dois ou três meses, depois recolherei todos em ordem e seguirei para próxima fase.

Adaptação

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Deve haver um mundo onde você possa caminhar entre as flores, entre os amores, entre as cores de aurora. Deve haver vida além da escuridão. Se não houver, acostume-se. Acostumei a dar de ombros, a ficar calado em vez de explicar, acostumei a não precisar sempre, a não querer tanto, acostumei a ficar sozinho, a fazer sempre a mesma coisa. Se o rascunho falasse por si, você certamente saberia os quilos de tinta preta que se despeja por entre as noites de frio. As letras se derrubam, se trespassam, se matam por aparecer e não sucumbir ao vazio que são as noite de chuva. O som da melancolia é sabido pelos vizinhos que tentam sorrir param mim quando passo por eles na sorte. Tentam dizer que Deus me ama, que o dia está lindo, que a economia vai melhorar... são tantas esperanças viscosas que são diluídas pelas paredes falantes que contam as verdades. Ouço cada um deles confessar o contrário quando estão salvos de si, no calar da noite, na depuração dos sonos, todos tolos durante o dia, todo…

A pausa.

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Entre as atividades é sempre bom dar uma pausa. Na cultura grega, tiramos uma hora do dia, durante a semana, para pensar nas coisas. Pensar na vida, em tudo o que nos acontece, e também no nada. Fluindo o pensamento e relaxando em vez de dar aquela ansiedade nos problemas. Pausar para pensar no momento, no agora, no eu. Há quem confunda a pausa com o cochilo, com a preguiça, com a paranoia e o descontrole. Tudo errado. Pausa é aquele suspiro que alivia, é aquele molhar pés no mar, é aquele gole num vinho esperado, é uma risada com alguém que não vemos há muito tempo. Pausar também não pode se demorar, não pode se esticar uma pausa ou logo de dará lugar ao procrastinador hábito perigoso.


Lápide.

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Ainda é cedo e, para quem dorme próximo das quatro da manhã, um sms não é nada às vinte e duas horas. O problema de entrar em um turbilhão é quando não se sabe sair dele. Justamente assim, começou o final de semana. A minha vontade era levantar todas as questões que se desenvolveram com a seguinte frase "vou fazer aquilo que te disse que não faria", e o flashback de promessas, juras e afirmações brotaram nas paredes como post-its. O que se deve esperar de alguém que tem atitudes contraditórias declarando que vai fazer isso propositalmente? Sinceramente, eu espero tudo e qualquer coisa. E, por mais que seja previsível, a única pessoa que vai sofrer com isso é aquela que não saberá lidar com as consequências dos atos (im)pensados. Se você, leitor(a), acredita piamente que vai carregar o peso dos ecos do teus atos sem reclamar, enfrentando numa boa, dou-te parabéns e siga forte. Porque, se o arrependimento surgir, aí terás um problema exclusivamente teu. Não terá choro ou rang…

Caprese

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Quando a revolta é maior do que o medo de sair, é justamente quando as coisas inimagináveis podem acontecer. Nem pensei duas vezes ao fechar a porta, deixando para trás um escarcéu efusivo, apenas queria ir para qualquer lugar que não fosse minha casa. Geralmente, as pessoas comuns querem deixar tudo e ir à casa como refúgio perfeito. Comigo é justamente o contrário, parece que o barulho do mundo é mais silencioso do que aqui dentro.   A chuva castigava a cidade como outrora, entretanto não seria isso que pararia a vontade de fugir. Uma vontade máxima que evolui com o passar da vida. A cada dia, a cada minuto, mais e mais vontade de apenas sumir. Ser arrebatado por uma ordem superior, aliens, ou seja lá o que for. E foi assim que segui o mantra até o ponto de encontro. Uma frase reiterada de que o novo poderia ser melhor do que eu já tinha até ali. Segui com receio preso na garganta, quebrando um, dois, três pontos de segurança. O frio não me deixava mostrar que eu suava de nervoso, as…