O mundo tá chato ou é só você?


 O mundo tá chato, dizem os especialistas da procrastinação emergente, os palpitantes sábios e sagazes da vida alheia, os críticos literários de um livro só, os "experts" não-graduados. E olha que até os com suposta formação, às vezes, dão uma de gato de botas e choram bastante atenção. Afinal, o choro é livre. 
 Do mesmo acontece no ridículo cubículo semirrarefeito, de erros e acertos propositais, apostilando antigas cantigas de coragem e etiquetando novas virtudes como se um dia fosse olhá-las do mesmo modo como da primeira vez. E como de costume, aproveito para tentar forjar novos hábitos como outrora, uma releitura analfabética de símbolos apócrifos. Surge uma vontade repentina de ser bom em algo que ninguém se importa, ninguém da a mínima, e nisso eu sou bom. Sou até ótimo. Ser bom em algo que ninguém se importa é algo tão surpreendente que até pode ser considerado um ato olímpico. Claro que nas modalidades que nunca serão inventadas por ninguém, porque, claro, ninguém se importa. Não se esqueça disso, é a parte mais importante. 
 Um chá de gengibre com gota de limão ou um martíni pode acompanhar bem sua insônia, mas pode trocá-los por um bom café. E como o bom já sabe, café deve ser igual ao amor: forte e sem açúcar. Sempre tome algo quando for fazer algo miseravelmente útil para si, pois a voz pode ficar rouca, a garganta pode apertar e a respiração padece. Às vezes, nesse tentar de refazer o que gostávamos de fazer no passado, pode aparecer certas coisas na mente, ou até na vida, que pode nos tirar o foco. Por algum motivo torpe, essas lembranças nos tira o foco, nos embaça a vista e salga os lábios.
 Não digo que é ruim deixar fluir, na verdade é muito bom. É terapêutico. Tenta apenas reconhecer o que é teu, pra não segurar uma mágoa que não é tua, um amor que não é amor, uma dor que já passou. Caso as barragens não segurem a revolta, não se sinta culpado. Acontece. Deveria acontecer sempre, isso acalma a gente, sabia? Parece bobo, mas... no fundo, a gente só quer mesmo se sentir bem. Mesmo sem entender, ou nos entender, se permita. Dance quando quiser, converse o que quiser, pense o que quiser, seja o que for, mas seja. 
 O mundo tá chato. Você já deve ter sacado que o mundo é o que nós somos. E, te contando na real, se tu me achas interessante, por que o teu mundo tá chato? Se releve, isso mesmo, se sinta parte interessada, seja importante no mundo, no teu mundo. Acredito no que te faz bem, no sorriso do vizinho, nos abraços dos amigos, no beijo do teu amor. Sabe, eu nunca entendi essa de mundo chato, o meu sempre foi o maior barato. Sempre fui desajustado, maníaco em pequenas coisas, desbravador de conhecimentos simplificados, curioso por culturas, línguas, palavras e provérbios. O meu mundo sempre foi interessante, ainda que com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, porque... bem, é difícil explicar porque o meu mundo não é chato. Acredito que uma dica é válida, não seja tão mente fechada, acredite nas diversas opiniões, verifique as respostas, duvide sempre, sorria mais. Irreleve os problemas pequenos, mas não os ignore, nunca ignore nada, apenas se for um xingamento, isso você ignora, porque tem coisa que não vale à pena. Aquela viagem pelo mundo vale muito à pena, ainda está trabalhando nisso? Deveria, não é mesmo? É mesmo! 
 Hoje eu volto para 23 motivos que me agradam e eu ignorei. Sinto muito por isso, eu também faço essas coisas que vocês fazem. Ah, você sabe. Isso de viver, de sonhar e sofrer, de amar e morrer. Eu também faço. Tudo faz também. Talvez seja o mais legal. Então, me dedicarei novamente ao hobby de viajar por aí, em um conforto particular e uma playlist variada. Espero que consiga colocar em prática essas coisas de auto-ajuda, quase 30 não é quase 17, o sonho pode ser adolescente mas essa coluna aí... melhor não arriscar.
 Eu estou voltando.
Volte-se também, rumo além.
 Ah, cuidado com o degrau.


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