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Mostrando postagens de Setembro, 2016

Por que a bicha pintosa incomoda tanta gente?

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Elas estão em todo o lugar. Facilmente identificadas, tem a voz feminina, estão levemente ou muito maquiadas (muitas vezes durante o dia). Usam calças extremamente coladas, coloridas e de cintura baixíssima (a calça santropê das mulheres perde feio). Às vezes se permitem até usar uma peça ou outra feminina, que vai da calça jeans até as coisas mais íntimas. Abusam de joias e adereços em geral. A ideia é ser o mais caricato possível. Sem esquecer, é claro, dos cabelos: escovados, lisos ou encaracolados, pintados ou com generosas mechas. Os cortes são os da hora, porque nada, do pé a cabeça, pode estar desconectado da atualidade.
Essa definição inicial diz respeito a muitas bichas pintosas espelhadas pelo país. Execradas até por boa parte do próprio segmento gay, elas provam, entre outras coisas, a supremacia do homem que se dá o direito de ser delicado, possuindo, assim, uma identidade própria, original. Claro que essa atitude custou a elas um preço alto: o da inferiorização frente as…

O que você vê?

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Existem algumas coisas na nossa vida que são inexplicáveis. São eventos únicos e particulares que só cabem na memória. Não falo de sonhos de futuros bobos, de uma viagem ao continente cultural ou um abraço revigorante, nada disso. Falo de fatos que apenas nos acontecem, sabores que nos apetecem. São experiências que nunca, nada nem ninguém irá conseguir reproduzir, nem se quer transmutar em algo repetível e, desse modo, me desculpe Senhor Gatsby, mas não é possível repetir o passado, e, mesmo que pudesse, eu jamais tentaria essa ousadia.
 Sabe, senhor, certas coisas só acontecem pra que a gente siga em frente, tentando acreditar que existe algo tão bom quanto o que nos aconteceu. Lembre da linda Daisy e da primeira vez que a viu, lembra qual foi a sensação? E depois de tanto matutar qual o caminho a percorrer, me pego corroendo antigos dissabores. Deve ser por isso que me atento aos pequenos milagres que me ocorreram.  Sinto a brisa salgada, a areia macia, o som do mar convidando ao pa…

O mundo tá chato ou é só você?

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O mundo tá chato, dizem os especialistas da procrastinação emergente, os palpitantes sábios e sagazes da vida alheia, os críticos literários de um livro só, os "experts" não-graduados. E olha que até os com suposta formação, às vezes, dão uma de gato de botas e choram bastante atenção. Afinal, o choro é livre.   Do mesmo acontece no ridículo cubículo semirrarefeito, de erros e acertos propositais, apostilando antigas cantigas de coragem e etiquetando novas virtudes como se um dia fosse olhá-las do mesmo modo como da primeira vez. E como de costume, aproveito para tentar forjar novos hábitos como outrora, uma releitura analfabética de símbolos apócrifos. Surge uma vontade repentina de ser bom em algo que ninguém se importa, ninguém da a mínima, e nisso eu sou bom. Sou até ótimo. Ser bom em algo que ninguém se importa é algo tão surpreendente que até pode ser considerado um ato olímpico. Claro que nas modalidades que nunca serão inventadas por ninguém, porque, claro, ninguém se…