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Mostrando postagens de Outubro, 2015

A dor e a beleza da escrita.

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Carlos Drummond de Andrade, em uma de suas cartas para sua filha, Maria Julieta, a aconselha:
“Escreva minha filha, escreva. Quando estiver entediada, nostálgica, desocupada, neutra, escreva. Escreva mesmo bobagens, palavras soltas. Experimente fazer versos, artigos, pensamentos soltos. Descreva, como exercício, o degrau da escada do seu edifício (saiu um verso sem querer). Escreva sempre, mesmo para não publicar. E principalmente para não publicar. Não tenha a preocupação de fazer obras primas; que de há muito já perdi, se é que um dia a tive. Mas só e simplesmente escrever, se exprimir, desenvolver um movimento interior que encontre em si próprio sua justificação…”
Belo conselho, que de um carinho ofertado a Maria acalentou tantos corações inquietos. Na ânsia de significado pela vida, muitos afundam, outros tomam um pouco de fôlego na bordinha da piscina, pegando ar, papel e lápis. O ato da escrita, por si só, já é um exorcismo. Quando não, uma tentativa de realocar e elaborar dores, …

Quando eu partir.

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O tempo está chegando ao fim. Chegará o momento em que nada mais existirá além do infinito, e quando este dia chegar não fique triste. Lembre da felicidade que te fiz presente, lembre daquele dia que rimos sem parar, das noites que apontamos para as estrelas e contamos como elas chegaram ali, quando eu partir não levarei comigo nada além da minha própria esperança de te ver crescer bem, viver uma vida continuada, com tantos ritmos e batuques que só a Terra tem. Não fique triste por pensar que tudo acabou, fique triste para depois ficar calmo, ficar sereno porque tudo valeu à pena. Todas essas nossas andanças, nossos pulos, corridas, todas essas filas, esperas e remarcações, todas as reprises, replays e loopings variados de informação. Nunca esquecerei o dia que nos conhecemos, de toda aquela simples confusão que se dá no segundo encontro, de tentar disfarçar a indiferença, de dar valor às tuas coisas favoritas, de relaxar no meio de um tormento. O bem mais precioso que exite é o própr…

Alvorada

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Era um novo dia, um outro dia, um dia de alvorada. Sol que nascia, sem saber o que viria, o que veria, o que viveria. Outrossim, outro não. Nuvens compostas marchavam em prol da vanguarda de trabalhadores hesitantes. Marcas de sono perpetuavam os primeiros cumprimentos, e todos, todos eles saudavam a alvorada. Morada de colibris.