Ο Λευκος Πυργος


Faz quase um ano desde que proferi o nosso adeus. Lembro como hoje, levantei mais cedo do que de costume pelos motivos de sempre, aproveitar ao máximo cada nova experiência. E, assim como se nada fosse acontecer, fui acordar o dia. Abracei-me do frio daquela manhã de quase pós inverno, via da janela as árvores franzinas e polvilhada de branco. Uma fina neve cobriu a cidade a noite toda, protegendo tudo da escura noite, ela mesmo tinha preguiça de acordar tão cedo. O café suspirava em vapor, quase o mesmo da minha respiração, uma fusão simples que dizia Bom Dia. 
E preguiçosamente o dia foi acontecendo no hemisfério norte. A baía lá longe mostravam os barcos partindo para o novo dia, enquanto os vindos da noite descarregavam o peixado. Era meu ultimo dia nas terras do berço da sociedade e, no fim das contas, eu não aprendi nada sobre Estado ou Poder, mas vi muito de uma sociedade bem parecida com a minha. 
Quando você acordou eu já estava mais que pronto. Já tinha comido, tomado banho, me trocado e arrumado as malas. E foi com o olhar nas malas prontas que você suspirou fundo. É, era meu ultimo dia nas terras de Poseidon. Uma hora ou outra tinha que chegar, não havia mais motivos para eu continuar essas férias tão longas. Eu estava muito ansioso na verdade. Não por deixar tudo novo para trás, ou dar adeus aos 17 primos, 20 tios e tias e mais agregados que uma mini colônia de bactérias. Todos cantavam, abraçavam, riam, e me cuspiam para afastar o mau olhado. Recebido de presente os potes de melhor mel do mundo, coloquei na mochila, amarrei na mala e montei na moto.
Já era a terceira viagem daquela manhã, e praticamente a ultima. Pedi que meu retorno fosse de barco, e que meu voo fosse o ultimo, não queria voltar para a capital de avião ou metrô. Queria ir de barco. Ir para uma cidade litorânea e não navegar seria como ir ao parque de diversões e não comer maçã do amor. 
Desci na outra ponta do píer, dava para ver o grande castelo, eu já tinha passado por ele ao visitar os guarda-chuvas, mas preferi não entrar. Foi aí que eu acabei por esquecer de visitá-lo. Bem, quem sabe numa outra hora? Ventava muito e o mar estava revolto. Era o fim do inverno dizendo que ainda estava ali, e eu também estava, nós estávamos. Sorri ao pegar minha bagagem, você ainda estava com aquela cara triste. Sei que parece difícil, mas eu já tinha falado que isso ia acontecer. 
Nos abraçamos então. Demorado. A ressaca batia violentamente no quebra-mar, fez chover o mar em nós. O frio garoava. E continuava demorado. Pensei em dizer alguma coisa antes de pegar a condução e finalmente meu barco. Mas não consegui pensar em nada. Não era adeus, ou obrigado. Não era um despedida, era algo tão mais que isso, e tão bem menos. 
Nos fintamos e o semblante mudara, sorriu. Timidamente. Um canto e depois o outro. Os dentes não felicitaram, mas a lágrima disse silenciosamente "foi muito bom passar esses dias contigo" e ao enxugar ela com a ponta dos dedo veio aquele olhar dizendo "fica mais um pouco", o abraço dessa vez foi rápido, foi um "okay, pode ir agora".
Respiramos fundo, assenti. Peguei minha bagagem na motocicleta, ajeitei meu casaco e antes de virar para nunca mais voltar, sussurrei: καλημερα.
Não acenei de volta, não olhei para trás, não chorei, não fiz muitas coisas de adeus naquele dia. Minha volta para casa ainda não tinha fechado o ciclo da experimentação, e talvez nunca se feche, pois no fundo a gente sabe que o que é de verdade fica para sempre. πάντοτε.

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