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Mostrando postagens de Julho, 2015

Ο Λευκος Πυργος

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Faz quase um ano desde que proferi o nosso adeus. Lembro como hoje, levantei mais cedo do que de costume pelos motivos de sempre, aproveitar ao máximo cada nova experiência. E, assim como se nada fosse acontecer, fui acordar o dia. Abracei-me do frio daquela manhã de quase pós inverno, via da janela as árvores franzinas e polvilhada de branco. Uma fina neve cobriu a cidade a noite toda, protegendo tudo da escura noite, ela mesmo tinha preguiça de acordar tão cedo. O café suspirava em vapor, quase o mesmo da minha respiração, uma fusão simples que dizia Bom Dia.  E preguiçosamente o dia foi acontecendo no hemisfério norte. A baía lá longe mostravam os barcos partindo para o novo dia, enquanto os vindos da noite descarregavam o peixado. Era meu ultimo dia nas terras do berço da sociedade e, no fim das contas, eu não aprendi nada sobre Estado ou Poder, mas vi muito de uma sociedade bem parecida com a minha.  Quando você acordou eu já estava mais que pronto. Já tinha comido, tomado banho, m…

E se eu morresse agora?

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E se eu morresse agora? O que eu teria feito para me orgulhar? Será que eu sairia daqui feliz por tudo aquilo que já fiz, ou sentiria vontade de fazer algo a mais? Talvez eu quisesse realizar algum sonho... Talvez eu tivesse algum sonho... Quem sabe até eu tivesse deixando para amanhã muita coisa... Eu sentiria saudade de muitas pessoas, mas não sei quem sentiria o mesmo por mim. Não sei se chorariam pela minha ida, ou se pelo menos eu tinha dado motivos, em vida, para que quisessem chorar com a minha ausência. Eu lembraria de tudo o que já fiz, de tudo o que já senti ou deixei de sentir. Lembraria das vezes que sorri por alguém, dos momentos em que chorei, das vezes que odiei, da alegria inquietante das vitórias, das chances que desperdicei pelo medo, da sensação única do erro, da angústia repentina que às vezes surgia... Lembraria das vezes que quis fazer besteira, e das vezes em que fiz besteira. Eu lembraria dos meus sonhos. Lembraria que tinha vontade de não ser como os outros, de fazer a di…

Carta ao meu ex.

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Querido ex, Tenho que lhe contar que me apaixonei de novo. Mas por favor não interprete essa frase como se eu tivesse deixado de pensar em você. Apenas saiba que optei por tentar acreditar em meus sonhos outra vez. Sei bem que você irá olhar meu próximo amor e sentir ciúmes, não por eu ser perfeita, justamente pelo contrário, sabe bem dos meus erros, defeitos e imperfeições, mas sei que você olhará para ele e saberá que é o novo dono do meu coração, que terá sorte porque é meu o bom dia que ele recebe todas as manhãs, será das minhas brincadeiras que o sorriso dele virá fácil e rápido em uma tarde qualquer, você saberá muito bem que quando começar a chover forte, é para ele que ligarei por medo que a luz acabe. Você lembra como eu tenho medo do escuro. Eu te peço, não me incrimine, me julgue ou tão pouco me crucifique por começar a gostar de alguém. Ao contrário do que muitos imaginam, eu sempre faço a opção de viver o presente. Gosto de pensar que ninguém entra em nossa vi…

Eu disse corre...

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O tédio dominical já fazia parte de mim desde a metade da semana. As cores dos dias e das noites tornaram-se um grande borrão. E mais uma vez, mais um desamor. É inverno no hemisfério sul, e as pessoas continuam se vestindo para o verão. Elas querem ver o calor humano na verdade. Isso é bem simples de perceber, mas porquê as cores também? A força voltou, acho que ela também tinha ido à praia. Domingos são assim: praia, família, churrasco, shopping, família, fantástico. Meu domingo é assim: nada. Não que me falte coisas para fazer, não não. Há uma pilha de livros não-lidos, músicas não tocadas, papeis ainda em branco. E claro, muita matéria para revisar. Mas, continuo vagando entre o preto e branco.  Quando a energia voltou, foi aí que decidi levantar, eram umas 15 horas ou algo assim. Só percebi que já era tarde quando o relógio sentenciou, por mim ainda eram 4 da manhã. Para finalizar a tarde com desdém, pensei em visitar as páginas locais e olhar o movimento na rua. E bem, foi aí que …

Tamanho médio para dois.

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E eu desejo tanto que ele pare, mas via de regra segue em frente. Pergunta em curioso afeto. Não quero falar muito, alimentar uma propensão marginal ao gostar irracional. Não consigo parar de falar, é um clima estranho. Minhas têmporas exprimem joguetes de coesão, meu coração almeja uma alimentação romântica e meu corpo, ah meu corpo... Este já não resiste, fica estático com furioso movimento de criar. Acontecer de fato tudo aquilo que se constrói em mente, uma facilidade remota de esperançar, igual ao respirar. Tácito e profundo. A fonte com certeza é platônica, como eu poderia resistir?  Não é todo dia que alguém se interessa por você. Não de forma ao parar e se descalçar. O timbre impacta o vento e sibila em contemplação ao infinito minimalista. Um simples "olá" ecoa como oração. Repetida sacramente pelo singelo mecanismo que o corpo tem em perpetuar a bondade. A resposta não demora, mas é carregada de "me traz um café?". Ninguém gosta de ouvir problemas, mas tod…

Cerúleo

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Fragmentadas nos cantos do céu, elas permaneciam brilhantes. Pequenos pontos azuis. Observei sem me preocupar onde eu estava, quem eu era, aonde eu iria. Fiquei ali. Contemplei os céus e a cor que dele brotava. Todo o ambiente se inundava em calmaria que perturbava. Algo dizia que era mais uma vez, talvez a ultima, que as cores do mar iriam invadir meu eu. Pode parecer um pouco triste, porém a iluminação combinava com tudo. Decorava bem ao se derramar pelas paredes, riscava calculadamente os armários, fazia as letras dos livros boiarem confortavelmente. E a mim... Bem, eu era só um corpo. Enrijecido pela vontade de não ser nada nem ninguém, e era exatamente isso que eu eu ali. Nada além de um ponto azul, em imensidão profunda e azul.  O gelado chão que aquecia minhas costas foi ficando distante, era hora de seguir em frente. Pouco salutar é o desejo de mudança, mas alguém tem que fazer alguma coisa. Não adianta ficar na zona de uma só verdade e esquecer por um momento que nada existe. P…

Na manhã do primeiro dia.

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Acordando como um animal, cacei com os olhos por algo irregular. As janelas recebiam o calor do sol, as cortinas dançavam ao convite do vento e eu... bem, eu começava a entender que a dor de cabeça era apenas parte de tudo, não só consequência de vinho barato. Levanto com o gosto amargo na boca, gosto de ferro. A cama revirada não seria a melhor descrição para o furacão que deve ter passado por aqui ontem, os lençóis parte no chão, parte na cama, tem livro jogado, papel de parede rasgado, e a minha cabeça apenas dói, pulsando para que eu não tente lembrar de ontem. Aspirina, é isso que ela quer que eu lembre. O pisar no chão é modesto, sinto um calor diferente, como se o carpete abraçasse meus pés, tão macio que dá vontade de se esfregar todo nele. O pijama já era, só tento vestir alguma coisa porque me sinto vulnerável quando estou pelado. Esse gosto já está me dando enjoo. Acho uma calça de moleton debruçada na cadeira da escrivaninha. Sigo ao banheiro em busca de aspirira, não sei b…