O Poliglota


Ameaçado por um comentário, aquele que aguardava ansioso pelas boas novas, ficou apenas a pensar. Conhecedor da vida, do universo, e tudo mais, hoje, doravante Poliglota. Tal qual seu conhecimento linguístico, o mesmo conhecimento de catástrofes estava por acontecer. Permitiu-se então acolher aquilo chamado de mágoa, palavra esta que rotula uma confusão de sensações que culminaram de um bem entendido recado. Talvez seja assim que as pessoas digam que amam, magoando. Artifício prático e preciso no quesito fracionar, sendo possível costurar e dilacerar ao mesmo tempo. Poliglota, outrora também conhecido como otário, colhedor de problemas e ladainhas maníacas sem propósito.
Começou a administrar seus próprios problemas com tanto carinho que decidiu não compartilhar com mais ninguém, ainda que os outros viessem a jogar mais e mais profusões cíclicas de malquerer. Ele, insensível, decidiu então sentir. Ou melhor, refletir piamente aquilo que era transposto, acolheu como um animal abandonado aquele momento e declarou guerra aos pequenos prazeres do desdém. Inventou uma tática infalível de aceitação, batizou-a de Verdade, e passou a seguir os preceitos cognitivos. Como nunca pediu nada, nunca teve o que desfazer por obrigação, tornando a caminhada ainda mais breve e margeada ao qualitativo. Poliglota fazia do conhecimento sua passagem de aceitação ao mundo dos espertos, mundo vil e retalhador de otários, nunca soube o que sentir, nunca teve o prazer de sentir o calor e emoção no abraço de um amigo, mas sabia falar isto em sete línguas.


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