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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Oi ex, como vai?

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Há tempos não nos falamos.

Oi ex, hoje não venho com palavras de ódio, nem te culpar por nenhum episódio, tampouco me colocar em cima de um pódio. Sim, houve um tempo. Tempo em que desejei cascas de banana na sua calçada, um bicho gordo na sua goiaba, 28 pedágios na sua estrada. Também não vim te acusar, nem te mandar se lascar, muito menos te pedir pra voltar. A mágoa foi inevitável, mas se história é imutável, talvez tenhamos que pensar num caminho alternativo viável. Vim perguntar se você está bem, se continua tendo sonhos do além, se contou dos seus medos para mais alguém. Se seu pai largou o cigarro, se você conseguiu trocar de carro, se houve algo entre a gente que não tenha ficado claro. Vim dizer que lembrei de você. Porque finalmente comi cordeiro, porque ri conversando com meu porteiro, porque nosso verão foram anos inteiros. Vim com bandeira branca, sem qualquer indício de cobrança, apenas me divertindo com algumas lembranças. Vim te contar que encontrei aquela nossa conhecida, a que…

Só sei dançar com você.

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Penso em te escrever algo, só que não vem nada de útil. Tento descrever como são meus dias percorridos pelo teu sorriso, divago só em lembrar. Ao começar a escrever me lembro do movimento que desgrenham teus cabelos. Ouço uma música para tentar seguir o clima simples, descubro o quanto não ouvi o suficiente para poder começar. Então desisto de tentar e deixo para depois.  Dessa vez não me sinto culpado por deixar algo de lado, na verdade eu apenas sei que não é hora. Me fogem palavras e capturá-las parece trabalho para profissionais, melhor esperar a tempestade passar.   Vejo você vir caminhando, devagar, como se aproveitasse do sabor da chuva para finalmente conseguir sorrir. Um sorriso automático, quase que sem querer. Você fica vermelho tentando esconder a felicidade, e isso deixa tudo mais engraçado, algo natural.    O céu começa a colorir-se novamente, um fim de tarde em campo aberto. Você aguarda a sua vez, repõe a água na garrafa, arruma novamente a mochila, e suspira. Sinal …

Maybe.

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O consolo da tua fé pode ser o bastante, apenas pode.   Não considero tão frustrante o hábito de não ter relações destemidas. Ao contrário, muito pelo contrário. Considero intrínseco e honesto não ter que abusar da própria fé só para tentar tudo novo, de novo.  Sei que você deve ser do tipo de pessoa que acredita que as pessoas não nasceram para serem sozinhas. Você deve ter razão, sua própria razão. Não corroboro desse pensamento e te direi bons motivos.   A) As pessoas são egoístas; B) As pessoas são egoístas; C) As pessoas são puta egoístas.   E daí você já julga uma revolta, de fato há revolta. De todo modo, só em você não respeitar minhas ideias de logo já és um egoísta. Esqueça essas coisas de "primeiro eu", olho pra frente e para os lados, só quando estou sozinho é que olho pro meu umbigo. Assim todos deveriam fazer.  Vai ver poderia ser que parassem de ficar defendendo candidatos ao governo como se fossem o pai ou mãe, como se defendesse o time de futebol que ele n…

Blackout

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Ser calouro não é fácil.  É uma verdade quase que absoluta.   E ser calouro em uma festa no campus é tipo um ritual, uma iniciação tímida com uma coragem desastrosa. Não tem as primeiras aulas e para alegrar os olhos da menina, levamos então a comitiva caloura para o primeiro evento oficial da região. Bem, não foi o esperado. Achávamos que seria como nos filmes, mas estava tudo desorganizado, o convite fixado no mural adormecido dizia 18 horas, eram quase 20 e ainda montavam o som. Aos poucos as pessoas começaram a chegar, a música a tocar e tudo ficava mais escuro. Blackout era o nome da festa, no bloco das ciências humanas, o famoso bloco hippie da universidade. E como tinha brincado no meio do caminho, repeti para os colegas a mesma "Festa estranha com gente esquisita, eu não tô legal", eu estava legal, só fiquei receoso. Por favor não me julgue por ser calouro, ainda não tive muitas experiencias e desse tipo então, melhor nem comentar.  Estávamos em cinco, um número at…