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Por K. Fireman, Q. Policarpo e Ele.

 O quinhentismo foi um movimento literário atípico, isso mesmo, muitos historiadores, especialistas e grandes estudiosos não costumam aceitar tão bem essa tal ideia. Contudo, os livros mais modernos aceitam por mostrar uma grande objetividade em suas explicações.
 Os que negam dizem que como não há núcleo definido na manifestação, não há idealismo ou informação relevante, não pode assim ser levado como movimento literário, passagem expressiva da literatura brasileira. Os que afirmam dizem que historicamente marcou o início do país e assim percorreu uma leve variação em seu conceito, sendo finalizado após a independência.
 Como você sabe, o Brasil foi "descoberto" pra lá de 1500, por isso o nome Quinhentismo, e suas principais fontes de confirmação da fase informativa era exatamente a informação. Os documentos oficiais como diários de navegação, cartas expedicionárias, relatos dos viajantes, tudo aquilo que dava alguma informação válida do novo continente aos portugueses, e logo ao todo europeu. A fase informativa foi marcada por uma vasta manifestação da descrição. Pero Vaz, Pero Magalhães, Hans Staden... todos eles narravam sua cota de Brasil ao longo de suas jornadas. De animais estranhos com vislumbre mítico, plantas multiformes, cenários paradisíacos, até habitantes exóticos desprovidos de cultura.
 Portugal viu aí sua forma de expandir o catolicismo que estava sendo oprimido pelo protestantismo. A Igreja tinha uma saída, Portugal um quintal cheio de coisas novas e exclusivas. Só navegavam com autorização de Portugal e Espanha, mas os lusitanos eram melhores em suas construções navais, tipo os Gregos nas eras romanas. Então, baseado na antiga síndrome de Carpe Diem eles foram arrancar todos os recursos do continente maravilhoso.
 A fase jesuíta foi expressiva na santificação e exploração da divindade aos indígenas. Sempre presentes os autos, versos, cantos e peças glorificando a imagem de Deus, os caminhos da fé católica aos pecadores mortais. Os santos, anjos e palavra santa era o que vogava naquele período. Brasil tornou-se um grande centro de exploração ambiental, e um recrutador de fiéis. Claro, tudo isso jorrando sangue, escravizando nativos e impondo a cultura européia aos que aqui nada sabia. Jesuítas eram homens de Deus, Deus por sua vez era a coroa portuguesa, esta mandava e desmandava no que tinha que acontecer. Afinal de contas o Brasil era apenas um recurso adicional. Padre Anchieta, conhecido hoje e até mesmo santificado, ficou famoso por ser o líder Jesuíta e um dos que tentava sempre apaziguar as rivalidades dos homens brancos versus homens ignorantes. Talvez essa facção de religiosos tenha visto o que realmente era amor ao próximo e tentava convertê-los por mera ignorância da época.
 Depois de 1822, independência do Brasil, os homens de cultura buscavam mostrar a integridade do brasileiro, tentando assim captar sua essência verdadeira, surgiu por fim a fase romântica. Ao enaltecer o índio como herói brasileiro, os românticos cultuavam a imagem do verdadeiro brasileiro, aquele massacrado de outrora, e não os cheios de pompa e maquiagem, o verdadeiro Brasil foi arcabouço de inverdade e injustiças desde sua origem, mas na fase independente onde a coroa deveria finalmente cair e dar vazão ao povo e sua voz, nesta mesma fase de transformações geopolíticas, a literatura cuspia na cara da sociedade que nenhum deles de fato poderia gritar Sou Brasileiro com tanta certeza.
 Os quadros marcavam os acontecimentos passados, ora por honra, ora por culpa. Os íntegros tentavam demonstrar o real fato do selvagem ser o mais culto, ao mesmo que os mais cultos tornaram-se selvagens por ego. A literatura de fato nasceu aí, Quinhentismo propagado de oficiais até civis memoráveis, Ubirajara e Iracema, romances onde o brasileiro era a própria fé.
 Século XXI, precisamente 2014, copa do mundo. Se antes o brasileiro buscava um herói nacional para confrontar os europeus escravizantes, hoje não seria diferente. O herói é o mesmo selvagem, mas agora ele está um pouco diferente. Jogador de Futebol, nas capas de revistas, jornais, adesivos, músicas... o herói brasileiro, ou apenas sua representação personificada perante ao mundo, nada mais é do que alguém que não sabe das próprias origens, não sabe para onde vai, só se importa com o hoje e o agora. Mandado pela ganância de ter, ele se vende às publicidades mais diversas. Sempre acreditando fazer o melhor para si. O índio não sabia bem o que ia acontecer, mas confiava nas palavras dos mais cultos, hoje eles (brasileiros) acreditam nos mais cultos sabendo não muito bem o que vai acontecer, mas vão porque estão em vantagem.
 O brasileiro. Raça que sofre desde cedo em sua maioria, sempre com o sorriso no rosto para as desaventuranças do mundo, meio apaixonado pelo ciclo dos antigos, sempre esperançoso de que tudo vai melhorar. O brasileiro. Povo, nação, população que não tem o mínimo de conhecimento eleitoral, que vivem no marasmo de sobreviver, o povo que sempre se deixa ser levado pelos que sabem.
 Sou patriota, mas não tenho orgulho do meu país. Segue: Patriotismo, do grego patriótes (patrício), é o sentimento de orgulho, amor, e devoção à pátria, aos seus símbolos (bandeira, hino, brasão, vultos históricos, riquezas naturais, e patrimônio material e imaterial). É razão do amor dos que querem servir o seu país e ser solidário com os seus compatriotas. Ao longo da história, o amor à pátria vinha sendo considerado um simples apego ao solo. Tal noção mudou no século XVIII, que passou a assimilar noções de costumes e tradições, o orgulho da própria história e a devoção ao seu bem-estar. Através de atitudes de devoção para com a sua pátria, pode-se identificar um patriota.

 Serei eu patriota apenas quando se tratar de esporte? Ou serei eu o tal patriota quando negar e apontar a corrupção, das menores às maiores, quando agir de bondade e humanidade com o próximo, quando tentar educar aquele que não teve condições, alimentar o faminto, agasalhar o mendigo, cuidar do moribundo... O que é ser patriota em uma nação sem identidade?
 Quem é o brasileiro? Para a mídia, é aquele em que vive do sustento do salário mínimo, aquele que acorda de madrugada para trabalhar na casa de uma família "superior", brasileiro é o sorridente que sabe que está fodido mas não liga, teve o ensinamento que a política é um antro de ladrões e que isso nunca vai mudar, que a saúde, educação e segurança se alternam nas problemáticas e paralisações. O brasileiro é este que não investe no aprendizado a não ser que seja estritamente necessário, afinal de contas quando não estão trabalhando e gastando horas de suas vidas em transportes indignos, apenas querem curtir suas famílias e sua casa, que por sinal raramente é própria.
 Quem é o brasileiro que sonha alto, em ter a casa própria, em ver os filhos homens de bem, mulheres determinadas, me diz: Quem é esse brasileiro? 
 Para se controlar um povo já é sabido que basta tolher um dos elementos da Tríade do Desenvolvimento: Educação, Cultura ou Economia. Percebeu que todos são relações sociais? Pois bem, se você pergunta pela segurança ou saúde basta tomar de atento o principal e revolucionário fator Educação. Quando se tem uma educação de qualidade, ou seja, adotar um política de expansão do conhecimento fazendo com que a mesma teoria se desenvolva nos seres presentes e façam-nos detentores de reflexão, estes iram sobrepujar os limites oriundos de um passado massacrado e terá uma visão sistêmica do que é a sociedade. Um conjunto de valores e crenças que se perpetua em um povo, assim a valorização da cultura é desenvolvida e juntos deles a própria Economia. Contudo, isso tudo é utópico enquanto esta mesma sociedade se limitar ao comodismo preguiçoso de olhar para o próprio umbigo. 
 A economia não se desenvolve sem educação. Girará em contínuo declínio maquiado pelo bolso parcelado em prestações. A cultura do jeitinho que apenas me beneficia continuará sendo o pleno favoritismo, colocando os campos de trabalho nos típicos Com Indicação, e logo o mérito de se esforçar e criar um arcabouço de conhecimento será frustrante no fim do dia. Quem ganhou a vaga foi alguém que conhece alguém, nepotismo ou não, já ganhou. Daí eu perderei tempo estudando ou me dedicando ao mais fácil? Será mesmo que amanhã o dia será melhor? Bom, melhor pensar no hoje, porque eu ainda tenho coisas para fazer.
 Passam anos, décadas e o povo continua na mesma. Querem evoluir, tornar um melhor povo, com melhores condições de moradia mediana, educação suficiente, saúde de mínima qualidade e prestação humanizada dos serviços públicos. Finalmente as pessoas serão pessoas e não apenas seus números numa fila para atendimento. Talvez assim elas não pensem que a política e democracia sejam algo que os espertos inventaram para poder viver milhonariamente as custas de um povo que apenas pode sonhar porque é de graça. 
 O problema do povo é o próprio povo. Se quisessem mesmo mudar já o teriam feito. Fazem isso quando querem, criam Ongs, ajuízam ações através do Ministério Público, mostram nas mídias quais as mazelas in loco.  Apenas quando querem, geralmente quando afetam diretamente a si. O problema dos outros são dos outros. Esse é o espírito patriota que vem lá de longe, talvez uma herança Portuguesa, talvez consequência de uma cultura falida, talvez pela má educação, talvez pela economia que não investe, que não economiza.
 De fato tudo isso acontece e você ainda quer que meu herói seja um jogador de futebol porque somos o país do futebol? Meu herói ninguém vê, ninguém o conhece, ao menos por agora. Meu herói é meu espírito de mudança e aos poucos eu mudarei o mundo. Você pode rir ao pensar que eu nunca poderei mudar nada que seja notado, talvez você até tenha razão. Mas com certeza eu conseguirei bem mais que isso, e você não notará, pois a minha missão é ser imperceptível.
 Rico nunca serei, feliz já sou faz um tempo.
 Meu herói sou eu mesmo, e minha jornada está apenas começando.
 E você?
 O que te faz querer o infinito?
 Quem é o teu herói?








Comentários

  1. Tentar mudar o mundo.... Acho que td autor deseja isso não é? Ou pelo menos mudar o mundo de alguém. Parabéns pelo texto K.F. E sabe quem são meus heróis? Somo nós. Autores, escritores e sonhadores. Esses sim, meus heróis. Abraços!!!

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