Eu te amo, antes que seja tarde demais.


 Ele sorriu tentando não deixar a saudade escapar pelos olhos, o nariz começou a ficar vermelho e logo se abraçaram. Foi no portão de embarque que eles se despediram. Alex apertava Danilo tentando arrancar uma pedaço para si, tentando deixa-lo ficar, mas Danilo precisava ir. 
-Eu volto logo meu amor. Sussurrou Danilo.
Alex tentava conter a emoção, beijou o pescoço dele sutilmente, o código secreto. Ele sabia que aquilo não iria durar, era apenas uma fase, queria que os próximos meses de suas vidas pulassem para quando Danilo estivesse de volta, para quando mais uma vez pudessem acordar juntos todos os dias. Uma família.
Danilo ajeitou a camisa de seu companheiro, conferiu os botões, a gola, e o cabelo. Olhou em volta e percebeu que a saudade não era apenas entre eles, outras famílias também se despediam. 
-Você promete que vai voltar? Suspirou Alex.
Danilo sorriu com os olhos marejando novamente.
-Enquanto você quiser, disse ele, estarei sempre aqui.
O toque no peito de Alex confirmou o que ele mais gostava, as declarações de Danilo. Todos os dias ao acordar Danilo coçava os olhos por minutos seguidos como uma criança que dá corda em um carrinho, ele olhava para o lado conferindo seu parceiro acordado e sempre dizia: É, realmente não é um sonho. Isso fazia Alex acordar feliz, fazia com que seus pensamentos fossem direcionados aos dois, à sua família em construção, fazia querer sempre ter mais e mais.
-Alex? Chamou Danilo.
-Eu sei, respondeu triste, você precisa ir.
-Não era isso, sorriu.
-Então o quê?
-Quando eu voltar... casa comigo?
-O quê?
Danilo o beijou na testa, pegou sua mala e seguiu para o embarque.
As borboletas rodopiavam com violência no estomago de Alex, o sorriso de surpresa fixou em sua face. Casar? De verdade? Alex pensava em tantas coisas naquele momento que a alegria e tristeza se revezavam a cada passo de distância de Danilo. Antes de sumir de vista ele virou, encarou Alex de longe e balbuciou novamente: Casa?
Danilo se fora, Alex logo após.
Voltando pra casa, em seu carro popular, Alex aumentou o som do carro e ia cantando todas as suas músicas favoritas, pois sabia -sim ele sabia-, sabia que a sua felicidade era muito mais do que ele poderia imaginar, sabia que sempre fora feliz, e hoje alguém estava disposto a enfrentar toda a vida ao lado dele, acordando todos os dias lado-a-lado.
O relógio ia bater três da manhã quando Alex acordou de um sonho estranho. Ainda sem abrir os olhos procurou com as mãos por sua segurança e quando caiu na real, chorou. O amor de sua vida não estava mais ali. O telefone tocava, era Danilo.
-Amor, cheguei. Aqui está tudo bem.
-Ah, que bom ouvir sua voz. Tudo bem mesmo?
-Sim, sim. Agora vou para casa e amanhã cedo te ligo.
-Okay. Saudades suas.
O silêncio perdurou infinitamente. A única coisa que se ouvia era a respiração ficando cada vez mais forte e turbulenta, Danilo chorava. Alex abraçou o travesseiro dizendo:
-E disse que não ia chorar, não é?
Eles riram.
Danilo logo parava de chorar, se recompôs e prometeu ligar assim que acordasse. Alex o conhecia tão bem que já sabia que ambos não iriam conseguir dormir, iam esperar o sol nascer para poder dar bom dia e explicar a noite terrível que tiveram, cada uma com sua cota de saudade. Cada um com seu amor em pausa aguardando as coisas voltarem ao normal.
-Dan, o telefone está chiando, acho que vai cair...
-Eu te amo. Interrompeu Danilo, eu realmente te amo.
Chamada encerrada.

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