Onde?


 A vida?

 A vida é tão frágil...
 Ela é um sopro breve, um fio de cabelo, um cristal em queda...

 A vida é tão curta quanto a música favorita, tão longa quanto uma aula chata de matemática, tão séria quanto um pedido de casamento, tão engraçada quanto um vídeo de algum bebê rindo... Isto é a vida. Momentos sequenciados de acontecimentos dramáticos, para defini-la criamos as lembranças, as datas comemorativas, cultivamos o tempo.

 O molhar pés ajuda na captação da essência, mas não é tudo. É necessário, também, o restante do ritual. Começa com a ideia, vem a ação, a transformação, e por fim o grande resultado. Mude. Avalie e questione não apenas o que incomoda, mas principalmente o que é bom. Às vezes, o suficiente corrói a potencialidade, e se você não questionar tudo e muito mais, logo se contentará com o que tem nas mãos, e isso é medíocre, pois quando se tem algo nas mãos pouco se dá valor. Instabilidade é a maior certeza do absoluto. 

 Querer não é precisar, precisar não é querer. Assim como, nem tudo o que faz bem é saudável, e vice-versa. Assim como a vida, ora trágica, ora mágica. O lavar pés na salinidade maior se faz extremamente necessário, um fetiche. Com este artifício a primazia das ideias decanta no infinito que desemboca n'água, algo tão figurativo quanto o efeito borboleta.

 A vida?
 A vida é tão rígida...
 Ela é um golpe flanqueado, a montanha mais ingrime, um caminho ígneo...

 Atravessar os campos de centeio sozinho é fácil, difícil é enfrentar os vales sombrios sem pedir ajuda, sem olhar para trás, sem temer o desconhecido, e é por isso que o ser humano busca companhia. Não uma qualquer, mas uma que faça diferença em sua vida, uma que faça diferente de você, uma que ninguém poderá arrancar da sua memória. Isto também é vida, não mais do que a sua vida fora de você, metade de tua alma que encandece outro corpo.

 Esta outra parte, a qual você não controla, vai te alegrar nos dias difíceis, vai te entristecer nos dias mais alegres, vai te dar a mão em ajuda, vai te derrubar sem pensar duas vezes. Altos e baixos de uma vida em conjugado. Se tiver sorte, o que é raro em dias de luta, encontrarás algo ideal para você.

Ideal: Alguém que somará aos teus ideias, sua ideologia e buscas serão incrementadas com um pluralismo que você, sozinho, nunca seria capaz de fazê-lo. Alguém que subtrairá teus medos, rancores e raiva, transformando-os em coisas mastigáveis e digeríveis. Alguém que multiplicará você em dois, em três e até em dez quando necessário, quando as prioridades forem maiores que você ou quando você precisar de uma torcida extra para conseguir um certo feito. Alguém que dividirá despesas, dúvidas, certezas, carinhos e tristezas.

 Fujas das pessoas idealizadas. É pura utopia. O Homem/Mulher ideal: Tem X biotipo, tem Y temperamento, tem Z qualidades e quase O defeitos.

Utopia!

 Tem gente que não sabe amar e tem gente que não sabe o que é amor. Declarações exacerbadas, quietudes prolongadas, nenhum desses são exemplos de afeto e desafeto, pois o Querer-bem é intrínseco, não se deixe enganar. Se quiser alguém para amar, ame a si mesmo, se quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo, depois disso, aprenderá que o teu lado é bem mais valioso que a aposta no incerto. Mude! Não se machuque com tão pouco, não ganancie tão muito, estabilize seus planos e fique pronto para a instabilidade. Essa máxima das possibilidades dá um charme para as variáveis que permutam nossos sonhos.
 Peça um tempo de tudo, esqueça do mundo, se perca dentro de si, só assim você se encontrará, em algum lugar, aqui ou lá, numa esquina qualquer ou mesa de bar, mas vai encontrar e duvidar, de alguém para amar.
 A vida?
 A vida é um mar de possibilidades... E não se esqueça de molhar pelo menos os pés.


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