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Mostrando postagens de Abril, 2013

Python

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É sempre a agonia de não poder agir que consome toda a minha essência. Quando as coisas estão além do meu alcance, quando as ações são estritamente de outrem, quando as chances são jogadas e alguém as pega de forma que desdenha a oportunidade, quando eu tenho que apenas observar.
A constrição do meu ar vem das tuas ações. Estas que eu apenas acato com o olhar, seguindo exatamente a consequência do mesmo modo que previ. Sufoca.
É o carinho, é a falta, é o importar-se. Fingir que nada acontece é desconcerto momentâneo, porém o menos sofrido a se fazer. Ignorar é arte destas que sou vítima, agora é arma para que meu eu se atente ao que importa, a quem me dá atenção e afeto, ignorar é respirar fundo enquanto este sentimento envereda a superfície do meu querer, essa sensação de esguio subindo pela espinha, se espalhando pelo pescoço sempre que vejo uma foto tua surgir, e quando penso em te ligar, você me estrangula.
Meu ar se vai nos apertos das tuas palavras pesadas, elas caem ao chão c…

Tão Jovem, tão eu.

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Não quero falar sobre amor, e não foi por isso que eu te pedi pra deitar em meu peito. Pedi que aproximasse teus ouvidos para ouvir o som da minha vida, e entre as ritmadas batidas do coração, tão frio quanto o próprio quarto, abracei tua inocência e beijei tua mão em respeito. Entrelacei meus dedos aos teus, nos conectamos, eu te protegendo de mim mesmo, abracei teu corpo com a contra-parte. Você em colo, seguro de tudo e de todos, confortável para ser e fazer o que quiser, inclusive apenas adormecer por exaustão do longo dia, mas você ainda ouvia o som do coração. Este pulsava ora depressa, ora quase nem batia. E naquele momento, o momento exato, conversamos. Um diálogo entre latas. Sem dimensão, sem controle, entre pulsação, explicação e segurança. Foi assim que eu aprendi a conversar, e quero te passar isso. Segurança.  Um momento que podemos falar tudo, sem críticas destrutivas, sem interesses subjugados, restando o bom e velho diálogo. Duas mentes sem saber para onde ir, ao mesm…

Zumbido

-Por que você se virou? Perguntou ele.
-Porque eu quero ver o teto. Respondi.
-Você já viu o teto descendo, como se ele viesse pressionando tudo até você? Indagou ele.
-Sim. É normal. Na verdade, é bem comum. Diferente seria eu te falar que mesmo estando no térreo, quando eu olho o teto, sempre o teto, eu vejo o céu. Naquele momento era puro nublar, mas o rosado da cumulus nimbus era o que me confortava. Deixava minha alma quieta, por mais disposição que meu corpo tivera. Queria poder conseguir te mostrar como é simples separar nuvens do teu teto para apenas ver as estrelas, porém você ainda está na fase de ver o teto e no máximo ele desabando em ti. Como um artifício de sobrevivência eu pousei meu pensamento em outro lugar, pois ali era frio, era comum, era mais uma noite qualquer.
Na rua, os carros não passavam, o som do canta-pneus sob a chuva não era ouvido, não havia canções no player, não havia barulho de ventilador, era apenas a respiração e um zumbido.
O zumbido da minha con…

Não Molha.

A temporada de chuvas torrenciais começou, com ela veio o clima ameno, frio e convidativo a um abraço. Nesse sentido calmo e carente segue o ritmo comum, sem expectativas ou frustrações. Convence o clima ao cinza, ao tom do meu sentimento e este não duvida da tua vontade, mas ele pede mais.
O temporal é mais que o borrar do céu, é mais que as inundações das ruas, é mais que as doenças respiratórias latentes. O temporal que se instala sobre minha cabeça me chove certas convicções, mas não me molha com respostas e outros prantos. Esqueci minha boca no teu corpo, guardei teu afeto no bolso, respondo teu "boa noite" com esperança de um sono tranquilo, mas o ranger de dentes continua. A madrugada trás um arrepio que inquieta a alma, é a tua falta, é tua ausência, não a psicológica, mas a física.
Da tua voz eu ouço isso e aquilo, nada que me dá espaço, nenhum convite e apenas feitos. Isso porque o que eu sou pra você, não é real, você não precisa de mim, sou apenas aquele passatem…

Movimento Retilíneo Uniformemente Variado.

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"Permita-se" é a expressão jovial do momento, algo em que na minha época se descrevia com um mero "arrisque". Mas esta última dava medo, acarretava muitas coisas que demonstravam responsabilidade, ansiedade, frustrações e risco propriamente dito. Permitir é aceitar, é acatar a vontade, desenvolvimento e resultado; é ter certeza que fez o possível e continuar.
Arrisque-se. Permita-se. Faça alguma coisa!
A inércia é trágica e deixa inúmeras indagações. O "E se..." acaba tomando conta e serpenteia a mente estrangulado a vontade de tentar. Temos que sempre que deixar o corpo e mente em movimento. Movimento este que há de ser constante, mesmo que mísero, sempre rente, sempre à cima, sempre movimento. Andarilhando entre vielas da vida, bares de emoções e campos experimentais de batalhas empíricas. Nas exatas sabemos que a origem do nosso movimento não é absolutamente zero, muito pelo contrário, existem vários e dizimais números que acobertam tal origem, são os motivos…

Efalante

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As linhas sem contorno vão derivando em outras linhas, formando círculos, meia-lua, rugas e patas. Estou desenhado outro elefante, mas este, especialmente este, possui o carinho que eu preciso agora, este aqui quase sorri pra acalentar meu peito que ainda continua atordoado. Não gosto de sonhar, não quando durmo, porque quase sempre é algo ruim, algo que aconteceu ou irá acontecer, sempre com alguém que conheço ou alguém que só lembrarei na hora do fato. Sublimará uma névoa de deja vu, o arrepio abordará os pêlos da nuca, o borboletar no estômago será sentido.  Prefiro não sonhar. Não é seguro, e me deixa muito mal. E sempre que estes me sequestram, acabo aqui, sob a luz da madrugada desenhando alguma coisa, rabiscando algo que me faça pensar em outra coisa, sempre um animal com aspecto cartoonesco e cordial, rabisco, desenho, formeio, pinto, colorindo sem noção e com esmero, como um totem que será destruído junto às más lembranças do súbito acordar. Talvez se existe alguém para conversa…

Ensaio Sobre Ela

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Sabe, hoje é um daqueles dias em que não sabemos muito o que fazer. Dizem que quando completamos aniversário, devemos sempre agradecer, pedir e agradecer novamente. Não sei ao certo se deveríamos comemorar aniversários ou se somente deveríamos agradecer todos os dias, por tudo e por todos. Hoje eu paro e penso o quanto é significante ter uma comemoração.  Festas e grandes eventos não são de fato comemorações. Para mim, imortalizar as pessoas, lugares e situações é o grande evento. Eu nunca pensei se ela um dia pisou por aqui, se já leu uma coisa ou outra, mas em verdade vos digo: Isso pouco importa. Sério, não me preocupo com o observar das pessoas, principalmente o dela.  E falando nela, olha só ela me ligando. Tão cedo e tão logo. Sei que ela deseja ouvir um "bom dia", mas hoje eu não tenho como o fornecer. Estou naqueles dias tristes em que fico querendo sumir só por não saber o que fazer, e mesmo sabendo que ela tem todos os argumentos do mundo para me fazer ficar bem, me…

Céu Vermelho

Meu despertador toca música orgânica, ao som de beijos teus eu acordo com sensação de bem-estar.
O céu é azul, tão mergulhavel... Logo não me bate saudade de outro lugar senão onde estou, envolto ao abraço que protege um universo particular. Ouço um "bom dia" as quatro da tarde, ao lado da cama um vapor conhecido, sublimação de energia e coragem. Na caneca com figuras apaixonadas guarda um amor universal, o preto e forte café.
Ajeito-me em si e fico sem graça. Isso é algo que nunca tive, uma atenção tão potencializada quanto o riscar das nuvens naquele céu rosado. Cairá a noite em breve, mas sinto o dia apenas começar, e desculpa não ouvir tuas palavras, mas tua boca providencia um desejo maior que meus ouvidos podem observar. Você fala e gesticula, não ouço nada e sorrio por teu gracejo meticuloso. Meu café está muito amargo, forte e preto.
Você para e faz cara de petulância, respondo que estou ouvindo, você não acredita, dar de ombros e vai até a janela apontar algo que n…

Percevejos

Aceitei o fato de continuar o carinho, no caminho meio torto, sentindo o relevo da estrada. Entre saltos e buracos eu não tive medo, pois o seu sorriso maroto me dava garantia de um percurso satisfatório, mesmo me deixando envergonhado com seu picar de olho moleque, eu continuei com o conforto de um semblante honesto. Meu olhar é distante, meus afagos são próximos, minha alma é duvida.
Quem garante que o que eu sou é o mesmo quem você consegue ver? Só isso explica os motivos de você chamar meu nome em meio a fumaça. Algo em mim deve garantir uma proteção ao teu aspecto normal, pois você não demonstra medo ou receio, é um automatismo fatídico que me deixa tão grande que me pego mastigando minhas interrogações.
De vez em quando é mais saudável aceitar algumas condições, por mais contraditório que seja meu arquétipo. Não temo o não, não temo o sim, medo tenho apenas de mentiras e inverdades, essas que o povose acostuma por ser mais simples.
Perceba que o melhor é se sentir bem, sem press…

Elogio do Aprendizado

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Aprenda o mais simples! Para aqueles cuja hora chegou Nunca é tarde demais! Aprenda o ABC; não basta, mas aprenda! Não desanime! Comece! É preciso saber tudo! Você tem que assumir o comando! Aprenda, homem no asilo! Aprenda, homem na prisão! Aprenda, mulher na cozinha! Aprenda, ancião! Você tem que assumir o comando! Freqüente a escola, você que não tem casa! Adquira conhecimento, você que sente frio! Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma. Você tem que assumir o comando.  Não se envergonhe de perguntar, camarada! Não se deixe convencer! Veja com seus próprios olhos! O que não sabe por conta própria, não sabe. Verifique a conta É você que vai pagar. Ponha o dedo sobre cada item Pergunte: o que é isso?  Você tem que assumir o comando.
Bertold Brecht, "Elogio do Aprendizado", in: Poemas 1913-1956, São Paulo, Brasiliense, 1986, p.121.

Pour Dor

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Meu corpo é tímido, bem como meu toque ao teu corpo.  Não há nada de belo ou salutar, é apenas pele, pelo, pêlo, pelas.  Tudo tem que ser perfeito para que eu tenha uma noite ou um dia verdadeiro em corpo.  O ambiente tem que ser familiar, confortável e nada de muito exagero.
 Ao contrário que todos pensam, o lugar em que vocês estão para o pecado de nada vai adiantar, pois no fim vão ser dois animais na selva. Não haverão cobertas, travesseiros, cadeiras, mesas ou box. Vão ser os dois, talvez eu e você. Talvez ele e ela, ela e ele, ele e ele, ela e ela ou eles com eles. Vão ser sempre em pares, ímpares ou primos. Números que resultam em um somatório único, apenas um. Um ato, um corpo, um sexo.
Naturalmente as coisas vão crescendo para o pouco: Quanto mais beijos, menos palavras; Quanto mais perto o corpo, menos longe a alma; Quanto mais corpo, menos roupas; Quanto mais pele, menos pudor; Quanto mais vontade, menos sentido; Menos visão, mais tato; Menos lógica, mais instinto;
 E tudo vai acontecen…

7 Demons

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Embora aqui ainda esteja devastado, eles continuam tentando entrar, mas isso só acontece quando eles sentem um pouco mais de calor que o normal. Não são estes os amigáveis monstros que me fazem companhia, são os outros. Abissais. Eles dão medo, são medo, podem destroçar minhas esperanças e afeto com um único rasgar de dentes, presas estas que penetram firmes e rasgam qualquer coisa que toquem. Suas garras abrigam veneno de insensatez, são voluptuosas e traumáticas, tenho tantas cicatrizes que só em ouvir o rosnar lá de longe, já apago qualquer fé que tentei acender aqui dentro.   Não tenho janelas para trancar, não há portas para fechar. Eles só não entram porque não há nada além de mim, e isto não os atrai, não faz parte de sua alimentação, eles devoram alegria, bebem paixão e se entranham no amor. Porém, tais demônios não são hostis porque querem, mas para proteção do meu ambiente, criei-os com os melhores sentimentos, mas não tive como mais prover.   De coloridos e dóceis, os sete a…

Síndrome dos 20 e Poucos

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Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Dá-se conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc. E cada vez desfruta mais dessa Cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são ‘tão divertidas’, às vezes até te incomodam.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas. Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor. Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto e te achou o maior infantil, pôde lhe fazer tanto mal. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar, e isso assusta!
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgot…

Polarizado (1)

-Bom dia!-
-Ponho a água pra esquentar.
Preparando o achocolatado.-
-Leio o jornal.
Vendo Tv.-
-Tomo banho.
Preparando mochila.-
-Toalha!-
-Coloco o terno.
Tomando banho.-
-Preparo os documentos.
Trocando de roupas.-
-Pego as chaves.
Olhando-se no espelho.-
-Vamos?
Vamos!-
-Te amo.-

Cena do Crime

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Não durmo por pensar demais. Mas tem momentos que isso é algo sagrado. Me jogo em mente ao início da noite, com naturalidade tudo acontece e isso é o que mais odeio. Não há controle sobre o natural, sobre as ações contínuas, hábitos e vida. Não sei o que vai acontecer, não conjectura possibilidades. Vai ver é apenas teu jovem coração atordoando minha mente. Seu temperamento indiferente me deixa em torpor, minha imensa vontade de controle fica temendo uma repreensão, fico com medo de você não mais querer. A avaliação dos teus olhos com brilho de faca estraçalha meus instintos mais sombrios.
-Apago a luz?
Fico envergonhado quando não sei o que fazer. Mas você me diz que sou velho demais pra ficar encabulado, que eu já deveria estar acostumado. E a noite segue como a prática comum do terceiro encontro. Você me criticou, mas eu fiquei a noite inteira. Como se fosse natural, isso é o que mais odeio. Pois eu sabia que naquela noite algo poderia acontecer de fato, sabia que eu poderia conhecer …

Sobre o braço dormente.

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Cá estou eu, observando o teto. Sempre um teto. Engraçado como minha insônia torna-se amiga com um silente esbravejar. Cá estou eu, observando as estrelas. Sempre as estrelas. Engraçado como minha realidade se liquefaz tão prontamente com um leve desejar. Cá estou eu, observando as paredes. Sempre as paredes. Engraçado como meus curiosos olhos caçam algo para ler, tentando sequestrar alguma informação, por menor que ela seja. Cá estou eu, ouvindo os carros passarem depressa. Sempre os carros cortando o silêncio da noite, tamborilando o coração, o meu e o teu. Sinfonia com teu resmungar noturno, perpendiculando os assobios do teu roncar. Engraçado como não me sinto estranho, é como se fosse mais uma vez e não a primeira. Cá estou eu, observando você. Sempre sorrindo para qualquer coisa que faça. Ao mesmo tempo me pergunto porquê você faria questão de estar comigo, eu que apenas vejo a si como salvador. Cá estou eu, observando o teto. Sempre um teto. Cá estou eu, observando as estrelas. Sem…

Monalisa

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Se passaram alguns dias, o tormento dela abalou tudo e todos, era mero corpo sem alma, alma sem reza, reza sem crença, crença sem esperança, esperança sem fé. Já era sabido que aquilo passaria, todos a confortavam, eles diziam coisas dessas em que se fala pra quem está triste, pra quem não pensa, pra corações partidos.
De longe eu observava.
Nunca fui de opinar, julgar, esconder ou favorecer nada que não fosse apenas meu. Evitei ceticamente dar algo à ela além da rotina, no fundo ela sabia que era o melhor a se fazer, continuar vivendo.
Mas, naquela noite, eu vi algo peculiar. Moedas à destra, vi o corpo padecer. Ela trabalhava como o de costume, mas havia algo diferente, ela estava quieta, seus dedos não esticavam, suas pernas tremiam, a lágrima caia como se tivesse vida própria. Esses traços me lembrou da obra de arte, aquela paradoxal. Monalisa ficou famosa por não saber se sorria ou se chorava, seu aspecto é um sorriso sério, um silêncio cantado, um grito inaudível.
Este aspecto …

Neo

A bravura que açoita o marasmo é notória. Ela caçoa de uma experiência conturbada, acreditando que tudo é muito simples e possível. Admiro o ímpeto e os termos contraditórios na busca de satisfação comum, é algo que hoje vincula-se ao querer ou ao conquistar.
Desses dois eu não preciso saber, pois te dou a oportunidade de apenas conhecer, mesmo você tendo um certo potencial de sustentar uma reforma onde cabe três vidas inteiras. Vai saber até onde isso vai, ou se vai, mas sei que aos poucos me sinto tanto quanto mais humano, menos lata.Isso nunca vai ter fim.Teu olhar tem um brilho de faca que serpenteia meu corpo. Tuas palavras são tolas, perspicazes, intrincadas ao aparato da gesticulação tímida.
Por alguns momentos eu me vejo projetado fora-corpo com um tipo de vernáculo que só eu me vejo atribuindo ao tempo, uns dizeres que parecem feitiços, umas observações que coçam a curiosidade.
Este é você.
A minha visão de você.
Fora dos parâmetros convencionais, um ser estranho: exótico e…

Abrilhantar

Já te contei que algumas vezes eu recebo presentes? Isso mesmo.
Meus maiores presentes são aventuras, frutas, elementos de criação e outras coisas que ninguém mais se importa, porém eu nomeio como meu tesouro.
Isso torna tudo uma possibilidade de alegrar o dia, o meio e a vida do presenteado, sem muito valor mas com todas as boas vibrações que se possa imaginar.
Como você sabe eu sou a pessoa mais fácil de se ter um sorriso roubado, pois até um bom dia me faz sorrir. São tesouros que ninguém percebe, mas que colocam mais vida nas vidas alheias.

Divagar

Prometi que não ia começar nada que eu não pudesse completar, mas daí acontece um turbilhão de coisas que de tantas poucas, outras tantas me sufocam. Preciso parar de pensar, tenho que tirar da mente e jogar em algum lugar tudo isso que trespassa minhas noites em contento do próprio eu, caio aqui de lá pra cá. E aos poucos vou ficando leve, respirando fundo e devagar, substituindo pensamentos absurdos por um novo e limpo espaço, publicando em qualquer folhetim uma inspiração. Lúcido, cético e cínico.
Dizem os especialistas que o tormento de calar chega ao ponto de explodir um grito, e para evitar isso eu especulo nos cadernos, nas paredes, em guardanapos, escorrendo qualquer ideia para continuar vivo. Se não entenderão isso então...