Tarja Preta

Injeto calmamente em minha boca as cápsulas de sanidade. Onze ao todo. Um ao acordar, dois depois do primeiro gole de café, outro após o fim da refeição, mais um antes do almoço e logo em segunda mais dois, durante a janta mais um e lá pelas nove da noite um outro, e perto de deitar os dois últimos. Esse é o meu dia.
Claro, isso em tempos de crise. São contra alergias, contra asma, contra ansiedade, contra tudo e todos. De básico só os mais fortes, aqueles que tentam me fazer dormir, mesmo eu não querendo, são aqueles que me fazem não delirar, mesmo sendo este meu único refúgio para continuar vivo, são aqueles que me fazem respirar melhor, mesmo eu querendo perder
o fôlego de vez em quando. E assim vai a vida, numa tentativa de controle ao instável, malévolo e apático senso de direção. Algo como uma revolta aceitável, uma elipse congruente.
Encapsulado bom humor, sorrisos, aceitação do mundo terrível.
Muito embora nunca tivesse precisado de tanto para tão pouco, mas assim perecerei por quase noventa dias. Sem poder tomar decisões, participar de grandes movimentos, temendo perder o remoto controle. Acredito que essa fase seja tão boa quanto todas as outras, aquelas as quais me preocupo em nunca esquecer, mesmo tendo a memória fotograficamente corrompida.

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