Lexicon an Integrum.


     "Errar é humano."

     Sim, errar é humano. Insistir no erro, desculpar-se, fingir que não errou, colocar a culpar noutro, rir dos erros do passado, prometer não errar mais, também... Tudo isso é humano.

     No foco genérico da língua, comunicar-se é transmitir uma mensagem e o agente receptor conseguir entender tal mensagem. Até então tudo bem, porém exite um fator que priorizamos cada vez mais, a língua culta. Não necessariamente a extravagante como "explicar-vos-ei", mas de uma forma polidamente informal.
     Não sou nenhum Aurélio, entretanto considero um ponto positivo quem usa o léxico de boa forma, ou que sonoriza muito bem. Uma boa expressão linguística enfatiza ou acalma qualquer dizer, dando assim uma firmeza ao vernáculo utilizado. 
     Quanto mais objetivo, mais simples e contundente você é na vida informal, mais bem-quisto será dentre o círculo social. Existe o momento da linguagem técnica e dos outros o coloquialismo, por isso não se precisa falar pomposamente, tampouco com variações de sintaxe. Uma coisa é você usar uma ou outra palavra em vício de profissão outra é falar aos quatro-ventos apenas de forma específica. Imagina um padre que só fala em latim ou português arcaico, na missa tudo bem, mas e quando ele vai na feira? "Em verdade vos digo, tais frutos estão apreciados em demasia!" Do mesmo modo que um marginalizado qualquer vai à feira e também comenta: Véi, maçã cara da porra! É de ouro é?

     A comunicação serve para transmitir mensagens, mesmo em silêncio. 

     Tenho que confessar que acho "brochante" quem fala/escreve muito errado, ou usa de gritantes expressões. De certo que não sou nenhum sábio, nem mesmo um estudioso, mas quando vemos algo que não soa bem, algo que arranha a audição ou fura os olhos, temos o senso de que o que estamos presenciando é errado e no mínimo servirá de avaliação e no máximo de chacota.
  
  "...Tenho o corpo brindado." - Gritou a ex-bbb.

     Antes de qualquer apontar de dedos, devemos atentar as várias situações que permitem o uso das palavras tidas como erradas e suas expressões significativas. Elas surgem por regionalismos, piadas, imagens cômicas, estórias, publicidade, acontecimentos históricos, um mero erro de proporção jornalística, ou um pensamento conturbado. Por não termos alcance podemos rir de algo que é comum, é normal.

    "Todas vai." - Expressão que surgiu na internet e é usada das diversas formas de modo informal e com gracejos. 
    "Mangar" - Verbo nordestino de expressão cultural que significa "Rir de algo ou alguém".
    "Aqui, você vai?" - O "aqui" é expressão sulista que significa "Ei, ou Olha, ou Então".
    "Presidenta" - Reforma/Inclusão gramatical para atender ao nível social. (Desculpe se peco, mas até o meu conhecimento, Presidente é comum de dois gêneros, bem como Estudante)

    Se o caso não enveredar nessas tais hipóteses poderá o erro gramatical ser gritante. Tem coisa pior do que você paquerar e no meio do texto a pessoa diz fasso, ou então ela numa conversa ou cantada diz probrema?
     Se na vida eu tenho os 3 strikes de aceitação, aqui não seria diferente. Engulo um, dois e até três erros de aceitação comum e tantos outros ignoro. Sério, finjo que nem ouvi. Quer um exemplo? A palavra descabriado ou menas. Ambas não existem, seria respectivamente escabreado (mantendo o mesmo significado da anterior) e menos (que não possui gênero feminino). São erros corriqueiros e que, às vezes, não temos como dar um toque de correção.
     Corrigir é ato tão intimo quanto abraçar. Exige técnica e momento certo para que não saia de forma grosseira ou rude. Ninguém vai te dar tapas se você confundir um verbo no futuro do subjuntivo com o infinitivo pessoal, mas alguém pode perceber e sabe como evitar tais situações ora sutis  ora estapafúrdias? Leia, escreva e converse.
     A comunicação é um músculo. E como tal, ele precisa ser estimulado, exercitado e bem empregado para que, assim, torne-se forte e preciso. Atinja os mais variados círculos sociais com veemência e consolide então a forma correta de pronúncia, senso e escrita.
     

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