Lave Suas Mãos


      Você emanava uma luz amarela, condensada e esporada. Aura. Sabia que era você no momento que adentrei no recinto, não senti teu cheiro, não vi sua pessoa, mas sabia que você estava ali. Apenas continuei meu caminho e nos esbarramos no caminho de uma única via, você olhou para mim sem o olhar cima-abaixo, olhou diferencialmente nos meus olhos e profundamente neles você proferiu um leve sorriso. Este sorriso não representava nada além da sua íntima felicidade, era o corpo falando para todos que você estava feliz independente do externo. Você estava radiante.
     Queria trocar qualquer coisa só pra te levar pra qualquer lugar que você quisesse, queria te ter de volta, pois não tinha você feliz por um lustro. Isso mesmo e você sabia, tocando no meu punho quase estendido não perguntou como eu estava, não disse uma saudação, apenas em íntimo contento sorriu "Agora eu sei.". Eu fiquei sem entender, no entanto tua alegria era tamanha que nem precisava falar nada, já estava a sorrir em desconto. Fiquei com tua frase em mente, fiz meu percurso, ao sair olhei para a rua que sempre te esperava aparecer com um belo sorriso e segurar livros, mas não havia nada ali. Continuei meu caminho. 
     Não tenho nenhuma raiva, nenhum ressentimento, nada de ruim. Lavei minhas mãos aos dizeres de terceiros, aos boatos e estórias que as pessoas infelizes inventam, pois sei o que sou, quem sou e onde irei e disso você possa ter certeza. Certeza esta tão infantil e honesta da mesma forma que tua alegria arrepiou meu punho até minh'alma, não havia um conflito, um mal dizer, era justo e sadio, era lembrança e salutar esperança. Conversamos tanto em um micro segundo que me sinto usurpando o tempo.
     E se eu fosse o primeiro a voltar a mudar o que eu fiz? Seria que isso remeteria o presente em reflexo convexo ao passado pré-existente em demasiado desfigurar de crenças e complexitudes desviadas e/ou conjecturadas a um propósito diferente ao qual estamos sujeito, ou melhor, destinados? Que seja.

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