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Mostrando postagens de Outubro, 2012

Em Chamas

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Me pergunto, entre dentes cerrados, quando a vida vai começar, quando o hábito deixará de ser fato corriqueiro e passará a ser sonho, quando o fim de semana for tão almejado quanto o dia de pagamento. Quando serei comum? Dando os mesmos simétricos passos em direção à frente, não importando a tabulação, será sempre à frente. Quem sabe assim o risco tome conta.      Sinto as imagináveis nuvens a minha cabeça, o terno som do mundo ao longe; movimento, vida, mundo. Como se daqui de cima eu fosse inalcançável, inatingível, inalienável, inacessível, ina... ina... inacreditável. Confesso verdadeiras as palavras de algum autor que não tive a oportunidade de plagiar, mas que de muito areou minha cabeça que vagava por mundos moribundos, algo que ele me disse em tom rouco e trêmulo, com suas palavras agressivas e densas: Deixe Queimar!
     De início olhei estranho para ele, mas minha atenção fora roubada pela sensação ardida que vinha das palmas dos meus pés. Na plataforma onde me encontrava, de …

Vício.

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Ouvi em um dia de verão que o prazer que gera a felicidade momentânea está ligado diretamente ao estado da mente onde há liberação de endorfinas no organismo. E que "felicidade" é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior. Logo, ser feliz é de fato substrato daquilo que você conceitua, podendo ser bom ou ruim para outrem, tal como idolatrado e até mesmo repugnante para a sociedade.       No universo de tragédias, decepções, erros e violência, a mera sensação de felicidade em nossas vidas trás consigo um determinado aspecto humanístico. O vício. E este, por assim dizer, não é algo que nos afastamos por querer. Se algo me faz "bem", me trás satisfação, sensação de liberdade, alimenta meu ego, ou apenas completa meu est…

Sabedoria

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E ainda em estado de decantação de ideias, me vejo por muitas vezes dando oportunidades ao conhecimento alheio. Não consigo, faz um bom tempo, me surpreender com a capacidade humana de fazer o bem ou o mal, ou com os comportamentos ditos certos ou errados e outras variações de ideias que me são jogadas em avaliação. Nada me surpreende. Muito embora não utilizando de minha insensibilidade e arrogância, ainda assim certas coisas não são deglutinadas sem um boa dose de irrelevância e desdém. Ofereço sorriso sincero para todas as pessoas, tal qual meu levantar de sobrancelha que retruca de forma silênciosa "Sério isso?", acredito em físico tudo o que mostram e me dizem, mesmo meu íntimo subjulgando leviano e falso. Tudo isso porque minha opnião honesta da vida e tudo além, de nada serve no universo paralelo da Máscara. Por isso acatei uma filosofia genérica de um simples souvenir, o dos macacos sábios. A figura dos, originalmente, três macacos nos teoriza algo que há muito sabem…

Ctrl+V

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Se escrever fosse hábito inconsequente, acreditaria em todas as formas de destino. Acreditaria... Entretanto, deveras peculiar é o fato desse conteúdo predeterminado chamado para confirmar o que já seria previsto. Aos blocos de notas do Ipod recorri para narrar um fato de modo congruente e automático ao que estivera a observar, e quando pensara em narrar algo engraçado para fugir de uma possível situação, o aplicativo deu tilt e colou uma citação própria.
''Ele, querendo ou não, mexe com você. E você, querendo ou não, gosta disso.'' 
    Foi nesse momento que não poderia deixar a oportunidade de encarar os fatos. Se eu precisava de um empurrão para que fosse em frente na busca da minha resposta íntima, o destino, acaso, carma, coincidência, ou seja lá o que você acredite, me jogou em face o que eu exatamente precisara. E assim o fiz, atendi aquela dica não com a mentalidade significativa de um caso ou atrativo sexual, mas como julgamento das ações propostas.      E, embor…

Te Indico Alguém

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Deixei as portas abertas para quem quisesse entrar. Nunca adiantou trancafiar todas as portas, janelas e  respiradouros, pois sempre eu deixava entrar na mesma expectativa que ia ser um pouco diferente, que iria ser feliz por algum tempo. Sempre deixei tudo arrumado, em certos momentos mudava os valores de lugar, pintava em cores vivas as qualidades e reorganizava os defeitos no porão, sempre deixei meu eu em estado de interesse. Se isso significasse algo além de mero conhecer, tudo que deixei tão confortavelmente convidativo à permanência seria uma arma infalível à solidão e tristeza, entretanto meu eu serve apenas de imagem para folhetim de vendas imobiliárias. Um imóvel lúdico de caráter pessoal, de cheiro enigmático de fruta fresca, de cômodos espaçosos e bem divididos com ventilação sublime.        Com o tempo e tantas visitas, o morador ficou ranzinza, não queria mais nenhum outro inquilino, não tinha paciência com os andarilhos noturnos, tampouco os mochileiros. O sobrevivente d…

Deeply

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Cheguei com um sorriso maroto, com andar ligeiro e tímido por entre as pessoas até te ver. Corri os olhos já cumprimentando todos, acenando e falando olá, até que sucumbi ao teu olhar, não era um olhar qualquer, era um olhar de expectativa. Desconcertei na hora em que teu profundo olhar me conduziu ao teu lado e já temendo fazer algo bobo, fugi.        Receio tive enquanto conversava palavras poucas e arriscava passeio óptico, mas todas as minhas caminhadas em visualização, era atacada por teu sublime olhar, um chamativo e tímido olhar de quem não quer nada e te convida para sentar. Um olhar tão deliberadamente marcante que não consegui ser eu mesmo, ou melhor, fui exatamente eu mesmo. Sem atitudes marcantes, sem conversas inteligentes, sem risadas e piadas extravagantes, fui apenas um garoto comum que fica de canto esperando ser chamado para dançar, mesmo sabendo que isso nunca irá acontecer. Timidamente te observava e acredito que você nunca saberá o quão feliz eu fui naquela noite e…

Namore Um Cara Que Lê

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Namore um cara que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ele também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore um cara que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos. Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.        Encontre um cara que lê. Você sabe que ele lê porque ele sempre vai ter um livro não lido na mochila, um livro de bolso, ou algo próximo para passar os olhos. Ele é aquele que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, o único que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo um cara estranho cheirar as páginas de um livro antigo em um s…

Ride

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Eu estava no inverno de minha vida – e os homens que conheci pela estrada foram meu único verão. À noite caía no sono com visões de mim mesma dançando, rindo e chorando com eles. Três anos estando em uma turnê mundial sem fim e minhas memórias deles eram as únicas coisas que me sustentavam, e meus únicos momentos felizes de verdade. Eu era uma cantora, não muito popular, que uma vez teve sonhos de se tornar uma bela poeta – mas por uma infeliz série de eventos viu aqueles sonhos riscados e divididos como um milhão de estrelas no céu da noite, que desejei de novo e de novo – brilhantes e quebradas. Mas eu não me importava porque sabia que era necessário conseguir tudo que você sempre quis e então perder para saber o que liberdade realmente é.
      Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que estive fazendo, como eu tinha vivido – me perguntaram o porquê. Mas não há utilidade em falar com pessoas que tem um lar. Eles sabem o que é procurar segurança em outras pessoas, já qu…

The Voice

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Fora através de um simples comentário que deixei a análise fluir. Era verdade, ela tinha toda razão e isso me deixava furioso, pois eu não havia percebido! Como me deixei esquecer de uma coisa tão simples? Tão minha ser deixada para outros comentários? Sim, eu ouço vozes.        Principalmente a minha própria voz, uma narrativa completiva das ações que vejo ou penso. Sempre que há imersão, quando fico em meio turvo à realidade, eu não penso, mas sim narro tudo o que deve ser visto naquele momento, podendo fundar teorias ou apenas sutil veneno. E logo após, volto para o real com o reflexo do pensamento pronto para uma boa escrita ou compartilhamento com os próximos.       Sempre que estou ouvindo as vozes do meu ser, escuto ecoar "Daria qualquer coisa pelo seu pensamento", e isso me faz sorrir de uma forma psicopática, pois se eles soubessem o que penso, o que seriam deles? Esse é o problema de qualquer telepata, encarar os verdadeiros comentários inerentes ao que nos dem…

Born To Die

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E como vocês sabem, recorro em fuga aos desenhos e animações para suprir a tristeza de um dia qualquer e nessa busca de lições de moral, comecei a assisti um longa da minha geração e entre outras conversas casuais com amigos, refleti sobre algo que muito aprendi com a vivência. Aprendi sobre o sentir.     Tudo na vida é um sistema, uma organização funcional que mesmo possuindo variáveis, ainda assim determinam um padrão que correspondem aos respectivos fins. Tudo nasce, cresce e morre. Essa é uma lei natural que corresponde pelo menos a maioria das coisas no universo, até o mesmo. Começando pela pequena molécula até o mais Gigante ser que você possa conhecer, e como todo bom início, ele pode nem ter explicação, apenas nascem e vão crescendo. Tudo nasce para morrer.      Quando você vislumbra esse padrão em temática sentimental, é impossível você não lembrar logo do amor, depois seguem a felicidade e a tristeza. A trindade que fundamentalmente rege os seres humanos em potencial aplicaçã…

Feeding

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E foi naquele momento que eu soube o que era o certo a se fazer. Estendi minha mão ao vazio, abri palma em fulguras desprovidas de sutileza e entreguei ao acaso tudo que eu poderia oferecer. Esperanças. Todos os pássaros de ilusões se aproximaram temendo uma captura, mas aos poucos adquiri a confiança deles, aos meus pés o chão da verdade e sob a cabeça, pequenas aves em confusão.       Foi um momento de aceitação. O vento sutil sussurrava em gratidão ao mesmo que os pássaros cantarolavam em contento da alimentação, e assim foram revezando os bicares em palma estendida. Sentia na decência aberta os pequenos beliscos de sofrimento e insegurança, não me chegavam a incomodar, o que já era previsível, porém eram seguros de si e vazios de outrem, o que me fazia contar todas as bicadas e me questionava em retorno o porquê de insatisfatória alegria.      Acredito que nunca saberei ao certo quantos passarinho se alimentaram do meu carinho e compaixão naquele dia, mas sei que eles ficaram satisf…

Hey?!

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Ser feliz nos consome tanto que não percebemos o tempo passar. Seja por uma brincadeira, umas compras no shopping center, um passeio na orla, ou uma simples paixão, tudo que nos faz bem consome-nos de um jeito demasiado depressa. O que não nos permite contar horas para a próxima realização, pois esta pode não ser mais possível, porém de todo modo maquinamos um segundo momento feliz, já marcando o próximo luau, o mais perto jantar ou até mesmo um encontro à meia-noite com o ficante da vez.      Pois bem, ser feliz é simples, gratuito e o melhor, é automático e não tem condições para tal. Felicidade é estado absoluto da alma onde esta se encontra em torpor por agradável sensação íntima. Tolo aquele que pensa que a felicidade é algo que se vai em busca, é como algo que você perdeu e nunca achará, que provável um Nargoles ter pego e levado consigo, por isso não saia em busca de algo que nunca estarás em tuas mãos, seja racional e apenas brinque com o universo. Altos e baixos a vida trará p…

MoonLight

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O mês de setembro fora o mais incrível deste ano que o logo acabará. Se o mundo vai-se junto ou não, já não me é duvidado, muito embora a crença de perpetuação seja considerada. Adormecer por exatos trinta dias de imersão foi de fato espetacular, pena que não se possa fazer isso mais que duas vezes ao ano, pois tornar-se desastroso em demasia.       O ciclo findou-se em necessário luar, começou com ele e terminou no mesmo, imenso, virtuoso e feliz. Ao encontrar em nós a felicidade duradoura, permanece fincado em nossa face o sorriso que abranda qualquer problema, trespassando assim todas as barreiras da timidez, volúpia, descrença e inimizade. A alegria continua faz brilhar os olhos, tonalizando o opaco e perfazendo os minimalistas traços de obliquidade terna.       Agradeço por este mês como nunca antes, de realizações íntimas, externas, passadas e futuras. Sensato ou não, desligar-se por um tempo de atribuições não-próprias corroboraram em um novo pensar. Absorver perspectivas e novos…