Horizonte


 Sabia que estava quente, mas não conseguia sentir o calor do sol, o vento era forte e a umidade era presente. As nuvens caminhavam preguiçosamente para o continente, como se não tivessem pressa alguma, e aqueles flocos de esvoaçados esbranquiçar de imaginação, flutuavam com esmero. A água era tranquila e corria em direção ao mar, em marcha convidativa de um banhar, e como as águas do mar, era possível ver as idas e vindas sutis na borda desenhada do rio com águas claras. Sentado na mureta tipo quebra-mar estava eu, parado ali, preso ali, por infinitos pensamentos. Uma fuga maciça de alívio e esperança.
 Pausadamente a respiração se fazia presente e como em um sonho, senti a presença derradeira do afeto. Era algo invisível, mas presente. Levantei, olhei para trás e vi a deserta rua, nua, sem ninguém para testemunhar o meu atento, e fora assim que a tarde seguiu, pisando em areia molhada, até o leito do largo rio que me fintava em retrospecto, o lavar pés acompanhou uma poesia cantada que surgiu em mente e a água morna que vinha de terras distantes deu lugar ao tocar caloroso dos raios de sol que cobriam toda aquela terra.
 Embora fosse lugar conhecido, estive ali pela primeira vez. Pela primeira vez desse jeito, de jeito único que se per faz em mente e corpo, e voltando para a vida, não pude deixar de não pensar naquilo que contei aos quatro ventos com peito em angústia. Algo sussurrado por mim para mim, como se conversasse sobre mim consigo, pleiteando razão. E nesse borrado quadro sinérgico, agasalhei as demais sensações daquela tarde e espero que um dia repita essa sensação de evasão da mente, naquele mesmo horizonte que sou apaixonado.

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