Este Lado Para Cima.


                     Não fazer movimentos bruscos, não empilhar em cima desta, embalar bem o objeto para que no balançar do tráfego ele não tenha possibilidade de trincar, entrega expressa para que não sofra dano no transporte. Essas são algumas recomendações quando se envia ou se transporta algo frágil. Quando se possui algo frágil, guardamos bem a coisa possuída, de forma que não tenha muita movimentação próxima desta, protegemo-la ao colocar dentro de armários ou gavetas, e se for muito valioso pode-se ainda guarda nos cofres de banco.
            E se esse objeto frágil fosse transportado para todo lugar, a toda hora e sem possibilidade de deixar guardado? Qual o tipo de proteção você teria para não deixar danificar esse frágil objeto? Esconderia? Criaria barreiras? Ou apenas desistiria da proteção?
            Quando se carrega o amor para cima e para os lados, não há como o proteger de tudo. Sorte de quem o tem intacto do mundo violento e canibal que vivemos, pois o amor é algo que se tem de mais precioso e por ser tão frágil e corajoso é quase certo ele ser despedaçado, pisado, queimado, ignorado, surpreendido e jogado longe.
            Como se protege então algo tão simples e complicado que continua pulsando mesmo depois de tanto fracasso? Não sei ao certo se possui fórmula, mas a evasão do mundo real não o faz tornar-se protegido, muito pelo contrário, apenas mascara a real modalidade temperamental deste sentimento que é a vitalidade e regeneração. Cada pessoa possui seu jeito único de se proteger contra malfeitores sentimentais, cada qual com suas armas, com seus joguetes, com suas artimanhas.
            Algumas vezes desistimos de ir à frente a algum relacionamento por não conseguir ultrapassar tais barreiras, por não conseguir baixar a guarda de proteção, e às vezes nem nos damos o esforço de ver o que tem após a mureta do conhecimento específico. Se valer a pena ou não continuar nesse sufoco é prova individual, o que não podemos é-nos per fazer como reflexo primário jugando sentimentos, pois não nos damos conta da nossa própria proteção, o que dirá julgar a dos outros?

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