Perfect Day #5


 Ainda era cedo quando ele olhou o céu. Nenhuma nuvem a tribular, riscos lisos de giz em um pano de infinito azul. O sol tomara força de um verão qualquer e tudo, ao seu intenso calor, suava em resposta. Em uma sombra digna de descanso, em baixo de um quiosque artesanal, encontrava-se em espera. Havia travado um luta contra seus valores e anseios, mas naquele dia de sol ele preferiu arriscar. 
 O dia acordara com uma perspectiva pré-construída, e esta foi escorrendo em contra-tempos típicos do dia-a-dia. Em um toboágua de ações e reações, a cada curva inclinada via-solo, a atenção e vontade crescia. Este percurso acabou em determinação. Não havia alí presente o meticuloso árbitro das constituintes variações preponderosas e angustiantes em demasia, viu-se transformar em um determinado e obstinado camuflador de hipóteses perfeccionistas e decidindo arriscar na sorte, tomou o rumo ao encontro inesperado de uma amizade particular.
 Nada havia dado mais certo do que o conforto súbito e estranhamente convidativo da única casa verde-limão que conhecera. O click psicótico de que estava tudo tranquilamente bem despertou em si uma questão no qual havia por se esquecer. "Qual o propósito do significado?" Pensou ele.
 As horas rasgaram o dia como nunca e, em um piscar de olhos (e risadas meio encabuladas, matérias televisivas, vistas a redes sociais e outros fatos significantes) o carinho tomou conta do recinto. Foi muito surreal e tão natural que parecia que tudo aquilo já havia acontecido por muitas vezes antes. As brincadeiras íntimas, as tiradas de sarcasmo, o toque que fazia arrepiar sutilmente, tudo aquilo aconteceu de forma única. Foi o risco aceito pelo destino traiçoeiro. Destino pela primeira vez, neste ano, sorriu em retorno.
 E após almoço aprovado pelo chef local, e outros encontros esperados, risos compartilhados e estradas em construção, voltei para o lar. Tendo que esperar por desafetos para compensar o dia agradabilíssimo que tivera, deparei com situação adversa as minhas expectativas.  A noite continuara tranquila e esperando resultados bons das provas de outrem, aceitando participar de uma festinha amigo-secreto, aguardei a hora passar. 
 Por sorte, ou ironia, recebi a visita de pessoas que gosto muito aqui em casa. E embora não quisesse fazer conflitos naquele dia, ouvi esclarecidamente todo o discurso e concordei absolutamente com tudo que ouvira. Bolo comido, discursos corridos, hora de ir pra casa. E em outra direção eu fui. Fui para nunca mais voltar. Lancei a sorte novamente naquela noite e por incrível que pareça, por ligações ignoradas e mensagens deletadas, tudo aconteceu em fluíção enérgica.
 Entre o olhares indiscretos de questionamentos e curiosidades, a mesa se enchia de alegria. Presentes começaram a se trocar, entre risos e fotos, comentários hilários e vergonha alheia, percorremos o menu variado de bebidas presentes naquele bar. Mesmo tendo uma disputa acirrada de músicas boas e ruins, entre os lados da rua, o bar foi se desfazendo em presença, restando poucas opções de prolongamento da noite. Noite esta que eu esperava ficar em casa depois das 00:00.
 Dançando e se hidratando, passos variados, comentários malucos e cantadas pouco originais. A noite se foi em música, logo já eram 4 da matina. Superveniente foi minha pausa, e mesmo entre dancinhas sensuais e goladas em gelo puro, me conectei com o mundo que dormia, mundo este que eu abraçava em pensamento.
 Os comentários gerais e específicos, de fato os mais humilhantes não poderão ser contados. Contudo eu compartilho alguns dos traços marcantes do dia fabulous que eu tive... Um dia memorável... Um dia guardado na mente como dia perfeito.
 De fato, um dos dias mais feliz da minha vida.

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